áfrica do sul 0 x 5 brasil

Brasil goleia a África do Sul na última partida antes da convocação para a Copa

Neymar marcou três dos cinco tentos do time de Scolari, que poderia ter feito muito mais gols diante de um time inocente e frágil Em 20 partidas sob o comando de Felipão, seleção fez 52 gols

Oscar, Neymar e Fred comemoram o primeiro gol da seleção brasileira.
Oscar, Neymar e Fred comemoram o primeiro gol da seleção brasileira.SIPHIWE SIBEKO / REUTERS

A 99 dias do início da Copa do Mundo, o Brasil goleou por cinco a zero a frágil e inocente seleção da África do Sul, que não está classificada para o principal torneio de futebol do planeta. O placar foi largo, mas poderia ter sido muito mais, se a seleção canarinha não tivesse tirado o pé do acelerador na metade do primeiro tempo e repetindo a ação a partir do vigésimo minuto do segundo, quando decidiu jogar apenas no erro dos adversários.

O resultado, porém, mostra que, quando quer, o ataque do time de Luiz Felipe Scolari é fatal. Com o jogo de hoje, o time de Felipão chegou aos 52 gols em 20 partidas sob seu comando. Neymar com 13 tentos, Fred (9) e Oscar (6), são os principais artilheiros.

O destaque desta quarta-feira foi o atacante do Barcelona, Neymar, autor de três dos cinco gols brasileiros. O craque marcou aos 40 minutos do primeiro tempo, aos 20 segundos da etapa final e no último minuto de jogo. Os outros gols foram do meia Oscar (que joga no Chelsea), aos 10 minutos da primeira etapa, e do volante do Manchester City Fernandinho aos 33 do segundo tempo, uma bomba indefensável no ângulo direito do goleiro Williams. Este atleta, aliás, teve sua primeira e única chance com Felipão. Parece que garantiu sua vaga no selecionado.

Em pouco mais de 90 minutos de partida, contando os acréscimos, Neymar brilhou muito, mas também mostrou um pouco de egoísmo. Em ao menos três ocasiões tentou decidir sozinho, quando tinha clara possibilidade de servir seus companheiros. Aos 38 minutos do primeiro tempo, ele entrou na área pela esquerda, pedalou e tentou passar literalmente pelo meio do zagueiro, enquanto na cara do gol estava o centro-avante Fred esperando o passe. Já aos 37 minutos do segundo tempo poderia passar para Jô (que substituiu Fred), mas tentou chutar sozinho e perdeu. O mesmo ocorreu aos 44 minutos da etapa final, quando driblou dois sul-africanos e chutou para o gol, mesmo tendo duas opções de companheiros para tocar.

Apenas dois dos 19 jogadores chamados para o último amistoso antes da convocação final para a Copa do Mundo, em 7 de maio, não entraram em campo, o goleiro Jeferson e o atacante Bernard. O Brasil começou a partida com o time base da Copa das Confederações, quando foi campeão goleando a Espanha no Maracanã por 3 a 0. Houve apenas duas mudanças com relação àquela equipe, o lateral direito Rafinha, no lugar de Daniel Alves, e o volante Fernandinho na vaga de Luiz Gustavo. Esses dois atletas substituídos acabaram entrando na segunda etapa, além do centro-avante Jô, do zagueiro Dante e dos meio-campistas William e Ramires.

A África do Sul ofereceu perigo real em apenas uma ocasião, aos 17 minutos do segundo tempo, quando Patosi, que tinha acabado de entrar, chutou travado perto da pequena área. Júlio César, um dos poucos que já recebeu o carimbo de convocado para a Copa, defendeu no susto com a mão esquerda. No mais, o Brasil dominou a partida, chegando, em alguns momentos, a ter 61% da posse de bola.

Para o capitão do Brasil, o zagueiro Thiago Silva, a preparação do Brasil foi fechada com “chave de ouro”. “Isso nos dá uma moral muito grande, uma confiança um pouco maior para descansar um pouco a mente, a três meses para a Copa”.

África do Sul, 0- Brasil, 5

Milan: Williams;  Ngcongca, Matlaba, Khumalo (Xulu, m.20), Nthethe; Claasen (Ndlovu, m.52), Jali (Zungu, m.55), Furman, Cerero; Rantie (Manyisa, m.46), Parker (Patosi, m.62).

Brasil: Julio Cesar; Rafinha, David Luiz (Dante, m.64), Thiago Silva, Marcelo (Daniel Alves, m.58); Fernandinho, Paulinho (Luiz Gustavo, m.47) - Hulk (Ramires, m.46), Oscar (Willian, m.46), Neymar; Fred (Jô, m.62).

Gols: 0x1, min.10, Oscar; 0x2, min.44, Neymar; 0x3, min.46, Neymar; 0x4, min.78, Fernandinho; 0x5, min.89, Neymar.

Árbitro: Antônio Caxala (Angola).

Já o goleiro Júlio César afirmou que ainda há ajustes a serem feitos. “Levando em consideração que não jogamos as eliminatórias, acho que estamos em um nível muito bom, mas ainda temos muito a melhorar. A África do Sul teve chances hoje.” As declarações de ambos foram feitas à TV Globo.

Além da goleada, outros fatos chamaram a atenção no amistoso realizado no Soccer City, palco da final da última Copa, em 2010. A seleção sul-africana estampou em sua camisa o número da cela em que Nelson Mandela ficou 27 anos preso durante o regime do apartheid. A homenagem foi em alusão aos três meses de falecimento do líder que lutou contra esse regime racial. No segundo tempo, quando o Brasil trocou a camisa amarela pela azul (a reserva), os jogadores usaram uma braçadeira com o mesmo número. Outra curiosidade foi que os portões do estádio foram abertos no intervalo.

A convocação

Na véspera da partida desta quarta-feira, Scolari disse que tinha 95% da equipe da Copa escolhida. Não citou quais eram suas dúvidas entre os 23 escolhidos, mas tratou de deixar no ar algumas delas para os comentaristas esportivos começarem a especular. Por exemplo, não convocar dois laterais esquerdos para levar o atacante Robinho. Outra dúvida: o substituto do lateral direito Daniel Alves seria um jogador mais defensivo, como Rafinha do Bayern de Munique, que foi testado hoje, ou mais ofensivo, como Maicon do Roma, que está em boa fase no time italiano. O terceiro goleiro também não está certo ainda. A temporada de lobby permanece aberta.

O que está certo até sua estreia na Copa, em 12 de junho contra a Croácia, é que o Brasil não quer correr riscos de abaixar o moral de sua equipe. Os dois próximos amistosos deverão ser testes leves assim como o desta quarta-feira contra os sul-africanos. No dia 3 de junho, em Goiânia, o time de Felipão enfrenta o Panamá, e no dia 6, em São Paulo, joga contra a Sérvia.

Com FREDERICO ROSAS