A cultura carioca chora a morte de Eduardo Coutinho

O documentarista brasileiro, assassinado a facadas neste domingo, foi enterrado no Rio de Janeiro Sua esposa continua entre a vida e a morte após a agressão cometida supostamente por seu filho

O mundo da cultura carioca, ainda chocado pela brutal notícia, prestou sua última homenagem ao documentarista Eduardo Coutinho, morto neste domingo aos 80 anos em seu domicílio no Rio após receber várias facadas de seu próprio filho. O corpo de um dos realizadores mais conceituados do Brasil foi velado durante toda a manhã no Cemitério São João Batista, no bairro carioca de Botafogo. Diante do caixão desfilaram figuras conhecidas do cinema brasileiro, como os diretores João Moreira  Salles e Walter Salles, o ator Lázaro Ramos, o poeta Ferreira Gullar, a cantora Adriana Calcanhoto, entre outros. Às quatro da tarde familiares e amigos sepultaram o corpo de Coutinho.

O diretor de filmes como Edifício Master ou Cabra marcado para morrer, aclamados pelas novas gerações de cineastas como documentários de culto, se despede com um dramático final digno de um suspense policial. A Polícia Civil do Rio confirmou a versão de que seu filho Daniel, de 41 anos, foi o autor do crime sanguinário que tirou a vida de Coutinho, e que também deixou a sua esposa, Maria das Dores Oliveira Coutinho, debatendo entre a vida e a morte ao receber outras cinco facadas. A primeira reconstrução dos fatos indica que Daniel, fora de si (ainda não se sabe se por uma crise de esquizofrenia ou pela ingestão de drogas ou álcool), atacou seus pais com uma faca na primeira hora da manhã do domingo. Não adiantou nada pedir ajuda ao porteiro do prédio pelo interfone nem que vários vizinhos tivessem notado imediatamente que algo grave ocorria em seu apartamento ao ouvir os gritos. Eduardo não conseguiu aguentar as punhaladas de seu filho. Maria das Dores conseguiu se refugiar em um banheiro para impedir que Daniel continuasse a esfaqueando.

Segundo as testemunhas, Daniel, fora de si, apareceu ferido na casa de um vizinho balbuciando palavras desconexas e lesionado por duas facadas que não chegaram a feri-lo gravemente. Quando os bombeiros chegaram, Coutinho estava morto no chão de sua casa e sua mulher estava em estado muito grave. Os Coutinho eram conhecidos em seu edifício por ser uma família amável e reservada, que seguia sua vida sem se envolver muito com a comunidade.

A juíza Nathalia Magluta decretou a prisão provisória de Daniel, acusado dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, quando o agressor receber alta ingressará em uma unidade psiquiátrica administrada pelas autoridades penitenciárias do Rio. Maria das Dores continua internada em estado grave no hospital Miguel Couto e seu depoimento, caso ocorra, será crucial para reconstruir a agressão com total precisão. A ausência dela no enterro de seu marido foi, sem dúvida, uma das mais sentidas.