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Robert Capa renasce inédito e em cores

Nova York expõe uma centena de imagens nunca antes vistas do mestre

O pintor Pablo Picasso brinca com seu filho Claude, no mar de Vallauris, França (1948). Ver galeria de fotos
O pintor Pablo Picasso brinca com seu filho Claude, no mar de Vallauris, França (1948).

Uma centena de  imagens desconhecidas de Robert Capa, um dos mais respeitados fotojornalistas do século XX, poderão ser contempladas a partir do próximo dia 31 de janeiro e até dia 4 de maio no International Center of Photography de Nova York, que já expôs outro tesouro oculto do fotógrafo, as imagens da Guerra Civil contidas na mala mexicana e extraviadas durante décadas.

A descoberta de agora é um conjunto de fotografias de escritores, pintores, modelos e atrizes muito afastadas das dramáticas instantâneas tomadas nas diferentes guerras na qual esteve. Seu reconhecimento internacional veio depois da publicação das reportagens que realizou sobre a Guerra Civil. Depois da Espanha, Capa foi fotografar a resistência chinesa à Invasão japonesa (1938); Itália, Inglaterra, França e Alemanha durante a II Guerra Mundial (1941-1945), a Guerra de Israel pela Independência (1948), e o fim da Guerra Indochina francesa (1954), onde pisou em uma mina mina e morreu no dia 25 de maio de 1954.

Em 1947 viajou à União Soviética com o escritor John Steinbeck

Mas nem tudo foi o icônico preto e branco. Também usou a cor. A partir de 1941, Robert Capa utiliza regularmente esse tipo filme. Um trabalho que praticamente foi esquecido. Na exposição junto à centenas de fotografias, figuram publicações relacionadas com elas e documentos pessoais do fotógrafo. "O talento de Capa com o filme preto e branco foi extraordinário, mas seu trabalho em cor toma uma dimensão diferente e abre novas oportunidades a ele", assinala Cynthia Young, curadora da exposição. "As imagens mostram como Capa se reinventa a si mesmo como fotógrafo durante os anos em que não se está cobrindo a guerra e os conflitos políticos. Além disso, o trabalho de cor permite-lhe manter a agência Magnum já que nessa época as revistas pedem que as imagens sejam em cor”.

Seus primeiros experimentos em cor registram-se enquanto está cobrindo a guerra chinesa-japonesa. Em 1938, pediu à agência 12 rolos de Kodachrome e as instruções sobre como usá-los. De todas as fotografias que realizou nessa etapa só se conservam quatro imagens. Quando Capa cobriu a Segunda Guerra Mundial, trabalhou com duas câmeras, uma para o preto e branco e outra em cor. Alguns de seus trabalhos em cor foram publicados nas revistas  Illustrated e Collier. Durante os anos 1944 e 1945 voltou a utilizar só o preto e branco devido ao tempo que se precisava para processar, editar e publicar.

Entre as imagens em cor figura a viagem que realizou à União Soviética em 1947 com o escritor John Steinbeck. Não escaparam de sua objetiva as estrelas de Hollywood ou os elegantes complexos franceses de Biarritz e Deauville para o mercado de viagens que começava a emergir.

A exposição também inclui suas últimas fotografias feitas na Indochina em 1954.

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