Putin promete a "aniquilação completa dos terroristas" na Rússia

O presidente viaja a Volgogrado, onde nos últimos dias morreram dezenas de pessoas em dois atentados suicidas

Putin visita um dos feridos em Volgogrado.
Putin visita um dos feridos em Volgogrado. (REUTERS)

O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu em seu discurso de Ano Novo a completa eliminação dos terroristas. O líder russo viajou de forma inesperada a Khabarovsk, centro do Distrito Federal do Extremo Oriente, para passar o Réveillon nessa região que, em 2013, sofreu com enchentes sem precedentes que deixaram milhares de pessoas desabrigadas. De Khabarovsk, Putin voou a Volgogrado, cidade que ainda não se recuperou dos sangrentos ataques de fundamentalistas, ocorridos no domingo e na segunda-feira passados. Os suicidas, que explodiram suas bombas na estação ferroviária e em um trólebus, deixaram mais de 30 mortos com esses ataques e cerca de uma centena de feridos, mais de 60 dos quais permanecem hospitalizados.

"Inclinamos a cabeça diante das vítimas dos cruéis atentados terroristas. Continuaremos a luta contra os terroristas de forma decidida, impiedosa e consequente até sua aniquilação total", garantiu Putin em mensagem que foi transmitida diretamente do salão de Khabarovsk, onde celebrava o ano novo com as vítimas das enchentes.

Essa foi a mensagem que foi divulgada depois em outras regiões do país, diferente da que fora gravada antes dos atentados e que chegou a ser transmitida nas cidades mais orientais da Rússia, onde 2014 começou bem antes, quando no Brasil ainda eram 10 horas da manhã do último dia de dezembro.

Putin se referiu aos "problemas, desafios e duras provas" que tiveram que ser enfrentados durante o ano e, concretamente, aos desumanos atentados terroristas de Volgogrado", mas garantiu que em situações como essa, a "Rússia sempre fechou suas fileiras e se mostrou unida".

O presidente russo prometeu ajudar a todas as vítimas dos atentados e restaurar e reconstruir o que foi destruído. Ao mesmo tempo, se referiu aos avanços da Rússia que, nas suas palavras "melhorou, é agora mais rica e confortável (para viver) e defende com entusiasmo seus interesses na esfera internacional". Ao falar das tarefas mais importantes deste ano, fez votos para celebrar "no mais alto nível" os Jogos Olímpicos de Inverno que terão lugar em Sochi a partir do próximo dia 7 de fevereiro.

Os recentes atentados despertaram preocupação pela segurança que haverá nessas competições, já que alguns consideram que o objetivo dos fundamentalistas é precisamente atemorizar os turistas para que não sigam para os jogos. Em todo o caso, Doku Umarov, líder dos mujahedins (guerreiros) separatistas do Cáucaso, divulgou no início de julho de 2013 um chamado no qual conclamava os partidários do autoproclamado Emirado do Cáucaso a utilizar todos os métodos possíveis para levar as competições de Sochi ao fracasso.

Nesse balneário do sul do país será realizada também, no início de junho, a cúpula do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), cuja presidência passou, a partir de hoje, às mãos do Kremlin.

Depois de celebrar a chegada de 2014 em Khabarovsk, Putin voou para Volgogrado, onde ontem começaram a ser enterradas as vítimas dos ataques suicidas. Uma das primeiras cerimônias fúnebres foi a do policial Serguei Nalibaiko, condecorado postumamente por ter evitado que o terrorista suicida entrasse, no domingo, no salão principal de espera da estação, o que provocaria um número maior de mortos.

Embora a polícia tenha evitado acusar diretamente os muçulmanos extremistas pelos dois atentados, fontes próximas às investigações vazaram para a imprensa que o terrorista da estação ferroviária é supostamente Pavel Pechonkin, um russo convertido ao islamismo.

Em Volgogrado, Putin presidiu uma reunião da qual participaram os máximos responsáveis das forças da ordem nas províncias e também o chefe do Serviço Federal de Segurança, Alexander Bortnikov, os ministros do Interior, Vladimir Kolokoltsev, e da Saúde, Veronika Skvortsova, e o governador da região, Serguei Bozhenov. Depois, Putin visitou um dos hospitais onde se encontram os feridos nos ataques terroristas.

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