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Procuradoria do México encontra 48 corpos em 25 fossas na mesma cidade

Em La Barca (oeste), cidade com 60.000 habitantes, a Procuradoria-Geral da República do país realiza operação para resgate dos corpos

Agentes inspecionam área em que uma fossa foi encontrada no último dia 15.
Agentes inspecionam área em que uma fossa foi encontrada no último dia 15. EFE

O município mexicano de La Barca (Estado de Jalisco, oeste) converteu-se em um cemitério clandestino. Há duas semanas, o nome dessa cidade de cerca de 60.000 habitantes tem sido escrito diariamente na imprensa mexicana por um triste motivo: a descoberta de 25 fossas das quais, até hoje, foram resgatados 48 corpos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), em colaboração com as promotorias de Jalisco e do estado limítrofe de Michoacán, realiza uma operação na região para resgatar os corpos e levá-los aos serviços médicos legais da PGR no Distrito Federal. Serão feitos no local os exames para determinar as causas e o momento da morte. No local já há 37. “Até o momento nenhum deles foi identificado”, assegura em entrevista por telefone o diretor de comunicação da PGR, José Luis Manjarrez.

Os corpos foram descobertos quase que por acaso. Inicialmente, a PGR buscava dois agentes da polícia judiciária desaparecidos na região. Como consequência das investigações, a promotoria deteve até vinte policiais autárquicos da prefeitura de Vista Hermosa, em Michoacán. “Os agentes estão com seus habeas corpus suspensos, juntos com um civil. De suas declarações se soube que foram eles os que detiveram os dois agentes e os entregaram em La Barca, supostamente, a um grupo de pessoas pertencentes ao cartel Jalisco Nueva Generación (Jalisco Nova Geração, em tradução livre)”, assegura Manjarrez. Os autárquicos indicaram que provavelmente as vítimas foram assassinadas e enterradas bem perto, e então começaram a investigação.

A Procuradoria de Michoacán, por sua vez, assegurou em entrevista ao EL PAÍS na terça-feira que até o momento nenhum morador do estado havia solicitado testes de DNA para tratar de encontrar familiares desaparecidos.

O município de La Barca, situado às margens do rio Chienahua e famoso na região pela qualidade de alguns produtos gastronômicos como a nata, o queijo ou os doces de tamarindo e leite, está também perto de uma das zonas mais perigosas do país. Nos últimos meses, a violência aumentou no contíguo estado de Michoacán, pela presença do cartel dos Cavaleiros Templários e os chamados grupos de autodefesa –civis armados que combatem o crime organizado por conta própria.

O conflito tem ganhado força desde outubro último, depois da tentativa dos grupos de autodefesa de tomar o município de Apatzingán, bastião dos Templários, e principal cidade da região. A poucos quilômetros de distância, já em Jalisco, outro grupo criminoso domina o tráfico de drogas. Surgido em 2007, sua missão inicial era “eliminar o grupo Los Zetas". O líder dos Templários, no entanto, acusou em vídeos publicados na internet que os grupos de autodefesa se encontram a serviço destes últimos, e que, por meio deles, conseguiria parte de seu armamento.

No entanto, enquanto Michoacán vive sua batalha, outras regiões do país replicam as mortes. No domingo, 17, foram encontradas no Estado de Sonora (noroeste), outras duas fossas com oito corpos, e nesta terça-feira, durante a madrugada, cinco membros de uma mesma família, entre eles dois menores de idade, foram assassinados a tiros em uma colônia nos subúrbios da cidade de Reynosa (noroeste), em Tamaulipas.