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EUA duplicam detenções de imigrantes irregulares sem antecedentes

Conjunto de detenções aumenta 32,6% nos primeiros dois meses do Governo Trump, mas deportações caem

Manifestantes em São Francisco pedem que a cidade se torne um refúgio para imigrantes.
Manifestantes em São Francisco pedem que a cidade se torne um refúgio para imigrantes. AP

Os primeiros meses da presidência de Donald Trump confirmaram em cifras sua ameaça de deportar qualquer imigrante em situação irregular. Entre o final de janeiro e meados de março, as detenções de imigrantes nos Estados Unidos cresceram 32,6% com relação ao mesmo período do ano anterior. E, entre os estrangeiros sem antecedentes criminais, as detenções se duplicaram, segundo estatísticas oficiais obtidas pelo jornal The Washington Post.

Trump descrevia como excessivamente tolerante a política migratória de Barack Obama, e tomou medidas para romper o enfoque da Administração anterior, que se centrou na deportação de imigrantes que tivessem cometido crimes graves. Depois de ganhar as eleições de novembro, o republicano disse que iria priorizar a expulsão de imigrantes irregulares com antecedentes – falou da saída de dois a três milhões de pessoas – e que depois veria o que fazer com o resto dos 11 milhões de estrangeiros sem documentos que se calcula haver nos EUA.

O presidente assinou em fevereiro um decreto que abria as portas para deportações em grande escala, ao “limitar extremamente” as exceções às expulsões e dar muito mais poder aos agentes de imigração, que ganharam a autoridade para deter qualquer estrangeiro por uma “suspeita razoável”, o que dispara o risco de abusos discriminatórios. Desde então, o medo se espalhou pela comunidade latina, e várias cidades progressistas anunciaram que sua polícia não cooperaria com o Governo federal nas deportações.

O temor cresce, mas a realidade, por enquanto, é que algumas cifras continuam aquém das registradas na presidência de Obama. Nos círculos migratórios, o democrata foi apelidado depreciativamente de “deportador-em-chefe”, por ser o mandatário que mais pessoas sem documentos (2,9 milhões) expulsou dos EUA na história.

Entre 20 de janeiro, data da posse de Trump, e 31 de março foram detidos 21.362 imigrantes (5.441 sem antecedentes criminais), acima das 16.104 detenções do mesmo período de 2016, segundo as estatísticas. A cifra é superior à de 2015 (18.031 detenções), mas inferior à de 2014 (29.238). Entre janeiro e março de 2014, foram detidos mais imigrantes sem antecedentes que no início do mandato de Trump.

O aumento das detenções até agora não se refletiu no número de deportações. As expulsões entre janeiro e março caíram 1,2% com relação ao ano anterior. Segundo o Post, cresceram as expulsões de pessoas sem antecedentes, o que alimenta o temor da comunidade migratória de que qualquer um pode ser o alvo da polícia.

As detenções cresceram especialmente nos escritórios da ICE, a agência encarregada de deter imigrantes irregulares, de Nova York, Boston e Atlanta. Grupos de ativistas alertam que a política de medo fez desabar o número de chamadas feitas à polícia por imigrantes para comunicar crimes como agressões sexuais.

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