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Estados Unidos descartam separar as crianças que cruzarem ilegalmente a fronteira de suas famílias

O Governo de Donald Trump volta atrás na proposta que considerava adotar em março

Donald Trump
O secretário de Segurança Interior, John Kelly, na sessão do Senado REUTERS

O secretário de Segurança Interna, John Kelly, revelou na quarta-feira, 5 de abril, que o Governo norte-americano descartou a implementação de uma política de separação dos menores que, com seus pais, cruzarem ilegalmente a fronteira entre México e EUA.

No início de março, o secretário disse que estava considerando essa mudança com o objetivo de desestimular a imigração irregular e como parte do endurecimento da política migratória da administração de Donald Trump. O Partido Democrata e organizações sociais alertaram que a separação poderia violar direitos humanos e causar traumas psicológicos duradouros.

Em declarações feitas no Senado, Kelly explicou que a separação não seria banal e que só ocorreria se a “situação do momento assim o exigisse” e a “vida da criança estivesse em perigo”, por exemplo se a mãe fosse doente ou viciada em drogas. No entanto, questionado por uma legisladora, disse que essa é uma ordem “verbal” e negou criar um protocolo que precise em que casos poderia ocorrer a desunião de pais e filhos.

Um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional afirmou à agência Reuters que a mudança de critério é fruto da queda drástica do número de pessoas sem documentos que atravessam do México para os EUA. A polícia de fronteira norte-americana prendeu em março 16.600 pessoas "sem papéis", o que representa o número mais baixo em 17 anos, como explicou Kelly no Senado.

A queda também afeta as famílias com filhos. Em março foram presas 1.100 famílias e cerca de 1.000 menores não acompanhados, muito abaixo dos cerca de 16.000 e 7.000, respectivamente, em dezembro.

Atualmente, pais e filhos passam juntos no máximo três semanas sob custódia das autoridades e é permitido que fiquem nos EUA até que sua entrada ilegal seja resolvida.

A Justiça norte-americana declarou em julho passado que as crianças deveriam ser liberadas o quanto antes, mas não obrigava que os pais também fossem. Para cumprir essa determinação, o Governo de Barack Obama estabeleceu que pais e filhos não podiam passar mais de 21 dias em um centro de detenção migratória.

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