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EUA recomendam analisar o sangue doado para evitar vírus do zika

Surge o primeiro caso provável de transmissão sexual do vírus em um homem assintomático

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recomendou na sexta-feira examinar o suprimento de sangue doado em todo o país para detectar a possível presença do zika vírus e evitar sua propagação. Até agora, a FDA só propunha essa medida preventiva nas áreas onde havia sido detectado o vírus, associado a más-formações em recém-nascidos como a microcefalia. 

Sangue doado nos EUA deverá ser analisado para evitar o vírus do zika.
Sangue doado nos EUA deverá ser analisado para evitar o vírus do zika. AP

“Ainda há muita incerteza sobre a natureza e a extensão da transmissão do vírus do zika”, justificou a decisão o diretor do Centro de Avaliação e Análise Biológica da FDA, Peter Marks. “Neste momento, a recomendação de que todo o suprimento de sangue seja analisado ajudará a garantir que o sangue disponível para transfusão é seguro”, acrescentou.

A aplicação da medida será gradual, mas deve ser concluída num período máximo de 12 semanas. Já está sendo aplicada nas áreas e territórios onde foram constatados contágios locais –por picadas de mosquito– como Puerto Rico ou, nas últimas semanas, em várias áreas de Miami, e será implementada gradualmente no resto do país, começando pelas áreas mais próximas de onde foram registradas transmissões locais ou onde há muitos casos de vírus importado, ou seja, adquirido durante uma viagem a uma área com zika. Os Estados do Alabama, Arizona, Califórnia, Carolina do Sul, Havaí, Louisiana, Mississippi, Novo México, Nova York e Texas tem de implementar as medidas dentro de um máximo de quatro semanas, de acordo com a FDA.

A decisão foi tomada tendo em vista que foi constatado que “há incidência e prevalência suficiente” do zika vírus nos EUA e em seus territórios “para afetar a potencial população doadora”. Além disso, há dificuldade em verificar se um doador foi infectado com o vírus ou não, dado que até 80% dos casos de zika são assintomáticos.

A nova recomendação da FDA foi anunciada no mesmo dia em que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informou uma possível infecção de zika por via sexual num novo contexto: o suposto transmissor, o homem, não apresentava sintomas do vírus quando infectou sua parceira. É a primeira vez –enfatizou o CDC– que essa situação é constatada, e isso complica potencialmente ainda mais a prevenção, uma vez que poderia demonstrar que “a ausência de sintomas em pessoas que voltaram de áreas com zika talvez não sirva para afastar o risco de transmissão sexual”. Houve um caso anterior no qual se suspeitou que um homem infectou sua parceira com o vírus por via sexual, mas ambos tinham viajado para uma área onde há zika e, portanto, as autoridades não puderam descartar que a mulher tinha adquirido o vírus nesse momento.

Neste caso, a mulher –que não está grávida– disse que não tinha tido relações sexuais com outra pessoa nos 14 dias antes de apresentar os primeiros sintomas do zika e também não recebeu um transplante ou uma transfusão de sangue. Seu parceiro tinha viajado recentemente para a República Dominicana, mas embora tenha dito que esteve exposto a mosquitos durante a sua estadia naquele país, não apresentou nenhum sintoma consistente com o zika vírus antes ou depois de voltar aos Estados Unidos e ter relações sexuais sem preservativo com sua parceira. 

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