Javier Moreno será o novo diretor do EL PAÍS

Soledad Gallego-Díaz seguirá vinculada ao jornal quando seu mandato na direção terminar

Javier Moreno na Escola de Jornalismo UAM-EL PAÍS em 2017.
Javier Moreno na Escola de Jornalismo UAM-EL PAÍS em 2017.Gorka Lejarcegi

O Conselho de Administração do EL PAÍS vai nomear um novo diretor para jornal, iniciando o processo estabelecido para esse fim. O executivo-chefe do Grupo PRISA e presidente do Conselho de Administração do EL PAÍS, Manuel Mirat, propôs o nome de Javier Moreno em substituição a Soledad Gallego-Díaz, que, após completar os dois anos de seu mandato inicial, solicitou sua substituição no cargo. A substituição, conforme estabelecido no Estatuto da Redação do EL PAÍS, foi comunicada nesta segunda-feira ao Comitê da Redação e será submetida a votação consultiva entre a equipe do jornal, a ser realizada na próxima quarta-feira. Uma vez recebidos os resultados da consulta, o Conselho de Administração do EL PAÍS ratificará a nomeação. A nomeação do novo diretor também foi avaliada favoravelmente pela Comissão Delegada do Conselho de Administração do PRISA, bem como pelo Comitê de Nomeações, Remunerações e Governança Corporativa.

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Soledad Gallego-Díaz, que continuará vinculada ao EL PAÍS, colaborando regularmente em suas páginas, “alcançou com sucesso indiscutível os objetivos com os quais se comprometeu ao assumir a máxima responsabilidade pelo jornal”, destacou a empresa em comunicado. “Sua atuação representou o enaltecimento dos valores fundacionais que inspiram o EL PAÍS e a revitalização das melhores práticas de jornalismo definidas do Manual de Redação do jornal”, acrescenta. Além disso, pôs em prática o modelo de assinatura do jornal, que está em funcionamento desde 1º de maio.

Javier Moreno, que ocupou a direção do EL PAÍS entre 2006 e 2014 e é o diretor do EL PAÍS América desde junho de 2018, enfrenta o desafio de concluir o processo de transformação digital e de desenvolver o modelo de assinatura que acabou de ser lançado.

Javier Moreno nasceu em Paris em 1963. É formado em Química ―especialidade Industrial― pela Universidade de Valência (1988). Exerceu sua profissão na Alemanha ―BASF, Ludwigshafen― até 1992, quando concluiu o Mestrado em Jornalismo UAM-EL PAÍS. Inicialmente, trabalhou na editoria de Economia do jornal e, em 1994, incorporou-se à edição do México, embrião do que hoje é o EL PAÍS América, como chefe da Redação do então Distrito Federal. Após seu retorno à Espanha, em 1997, ingressou na editoria de Internacional. Em 1999, foi nomeado editor de Economia e, em 2002, passou a ser o correspondente do jornal em Berlim. Em 2003, foi nomeado diretor do jornal econômico Cinco Días.

Retornou ao EL PAÍS em 2005, inicialmente como vice-diretor encarregado da edição de domingo e, posteriormente, como diretor adjunto. Em 2006, coincidindo com o 30.º aniversário do jornal, foi nomeado diretor, cargo que ocupou até maio de 2014. Nesse período, o jornal realizou a primeira grande reforma de edição impressa desde a sua fundação. Também fundiu as redações impressa e digital para lançar a atual edição digital.

A redação participou de reportagens exclusivas internacionais, como a dos documentos secretos do Departamento de Estado dos EUA, com o New York Times e o The Guardian; a exclusiva conhecida como Chinaleaks, além de coberturas nacionais relevantes. Em 2013, lançou o EL PAÍS América e o EL PAÍS Brasil.

Depois de deixar a direção de EL PAÍS em 2014, Moreno foi o diretor-fundador da Leading European Newspaper Alliance (LENA), que reúne oito jornais líderes na Europa (Le Figaro, Le Soir, Tages-Anzeiger, Tribune de Genève, Die Welt, La Repubblica, Gazeta Wyborcza e EL PAÍS). Dirigiu a Escola de Jornalismo UAM-EL PAÍS de dezembro de 2017 a junho de 2018, quando foi nomeado diretor do EL PAÍS na América, com sede na Cidade do México.

Soledad Gallego-Díaz, na Redação do EL PAÍS.
Soledad Gallego-Díaz, na Redação do EL PAÍS. ANA ROCA BARBER

A carreira de Soledad Gallego-Díaz (Madri, 1951) está ligada há mais de quatro décadas ao EL PAÍS, um jornal do qual foi a primeira diretora mulher. Estudou na Escola Oficial de Jornalismo e seu primeiro trabalho foi na agência Pyresa, de onde foi para o Cuadernos para el Diálogo, publicação na qual permaneceu até o seu fechamento em 1978. Entrou no EL PAÍS imediatamente após sua fundação, em 1976, como colaboradora especializada em informação política, conciliando seu trabalho com o do Cuadernos para el Diálogo, até se incorporar à equipe da Editoria de Política do jornal. Atuou como cronista parlamentar durante os momentos mais intensos da Transição Espanhola. De fato, foi, com Federico Abascal e José Luis Martínez, quem conseguiu e publicou com exclusividade o esboço da Constituição Espanhola de 1978.

Mais tarde, no final de 1979, assumiu o cargo de correspondente do EL PAÍS em Bruxelas. Sua experiência no campo da informação internacional se completou durante esses anos como correspondente em Londres e Paris.

De volta à Redação central, foi nomeada primeiro subdiretora e, depois, diretora adjunta do jornal, cargo que exerceu durante cinco anos. Mais tarde, foi correspondente em Nova York e Buenos Aires, retornou às suas funções de diretora adjunta e foi nomeada Defensora do Leitor (Ombudsman).

Soledad Gallego-Díaz é uma das jornalistas espanholas de mais prestígio. Recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira, como o Prêmio Salvador de Madariaga, o Prêmio Margarita Rivière, o Prêmio Francisco Cerecedo e o Prêmio Cirilo Rodríguez. Em 2018, conquistou o prêmio Ortega y Gasset por sua Trajetória Profissional.

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