Opinião
Texto em que o autor defende ideias e chega a conclusões basadas na sua interpretação dos fatos e dados ao seu dispor

O EL PAÍS vai mudar, para melhor

A edição em espanhol fecha seu conteúdo a partir deste 1° de maio, seguindo planos que haviam sido adiados pela pandemia. A edição em português continua aberta por enquanto

Redação do EL PAÍS Brasil, em São Paulo.
Redação do EL PAÍS Brasil, em São Paulo.

Querido(a) leitor(a),

O jornal EL PAÍS fecha seu conteúdo digital em espanhol para assinantes a partir desta sexta, dia 1°, seguindo os planos estratégicos do grupo. Pode parecer estranho o anúncio em plena pandemia de coronavírus. Justamente quando o mundo vive uma crise sanitária sem precedentes, que além de provocar dolorosas perdas de vidas, afeta a economia e o orçamento das famílias. Mas o projeto de cobrar assinaturas já estava em gestação há muito tempo. Foi adiado, inclusive, em função da covid-19. E é por respeito ao papel vital do jornalismo num momento delicado como este que todo o conteúdo relativo à pandemia continuará acessível. Por enquanto, a edição em português segue aberta para os leitores brasileiros.

Mais informações

O EL PAÍS nasceu em Madri, em 1976. Após duas décadas, caiu na rede e o acesso virtual foi sempre gratuito. O conteúdo chegou a ser fechado anos depois, mas a Espanha não estava pronta para essa transição. Dez anos depois, o modelo digital foi o caminho para testar outros mercados. A edição América, criada em 2012, e o EL PAÍS Brasil, fundado em 2013, nasceram e cresceram sob a cultura gratuita, conquistando milhões de leitores em todo o continente. Hoje os leitores latinos representam 40% da audiência do grupo.

Um bom jornalismo, produzido por 400 jornalistas, requer recursos. Manter uma das redes de correspondentes mais excepcionais também. O EL PAÍS tem um time de repórteres nos quatro cantos do planeta. É a grande marca do jornal desde que nasceu dos sonhos do jornalista Juan Luis Cebrián, impulsionados por Jesus de Polanco e José Ortega Spottorno.

O trio fundador queria revelar o mundo em todas as suas dimensões para os leitores espanhóis depois de 40 anos de ditadura. E firmar com ousadia os valores democráticos que uma sociedade sadia merece. Foi com esse norte que o EL PAÍS ganhou o respeito dos leitores e tornou-se referência em jornalismo. O que dizer de um veículo que teve Gabriel García Márquez ou Fernando Savater como colunista? Que trouxe o feminismo para o debate público dias depois da sua estreia e teve sempre as liberdades individuais, tanto quanto os valores coletivos, como inegociáveis?

Esse espírito prevalece no tempo e veio desembarcar na América Latina há poucos anos. Primeiro, na redação do México, que centraliza a cobertura feita por correspondentes dos demais países de língua hispânica do continente. Em seguida, o EL PAÍS chegou ao Brasil atraído pelos ventos de mudança das jornadas de junho de 2013. É um capítulo que ainda está sendo escrito. A edição em língua portuguesa, uma ousadia do grupo, teve sua identidade moldada pelo padrão EL PAÍS e pela dedicação de seus profissionais. Uma equipe alinhada à essência da matriz, de mover estruturas, de se antepor ao autoritarismo tóxico, de guiar-se pelo senso de justiça social, de construir pontes de diálogo. Seus leitores se nutrem dos mesmos princípios e escrevem junto conosco a história deste jornal.

A pandemia vai nos obrigar a fazer escolhas. A decidir quem e o que vai nos acompanhar nestes tempos difíceis que foram impostos à humanidade. Ao que vamos dedicar tempo e dinheiro em um período mais penoso? Seguir o jornalismo de qualidade ganha uma nova dimensão, ainda mais com a profusão de notícias falsas que maltrataram as democracias a custo de vidas. A esta altura, o Brasil aprende a duras penas com a covid-19 que diferenciar o certo do oportunismo está salvando vidas.

O jornalismo é um farol em meio à escuridão que tomou o planeta para vislumbrar bases mais sólidas para um novo pacto social, mais desperto e solidário. Chamamos os leitores a nos ajudar nessa missão. A partir de agora, as edições em espanhol vão liberar somente a leitura de dez artigos ao mês. A partir daí, é preciso pagar a assinatura: 1 euro no primeiro mês, 10 euros mensais na sequência. A edição em português que você se acostumou a ler trará um preço especial para os brasileiros quando fechar para assinaturas. Pedimos a sua confiança. Queremos ser fonte de informações que fortaleçam uma sociedade mais sadia com amor e verdade.

Siga com a gente.

CARLA JIMÉNEZ, diretora de Redação do EL PAÍS Brasil

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: