Pandemia de coronavírus

76% são contra eventual saída de Mandetta da Saúde e 51,6% falam que já perderam renda com crise

Nova pesquisa do Atlas Político confirma apoio popular ao ministro que se destacou no combate ao coronavírus e a queda de popularidade de Bolsonaro nas últimas semanas

Mandetta visita construção do primeiro hospital de campanha do país, em Águas Lindas (GO), no sábado.
Mandetta visita construção do primeiro hospital de campanha do país, em Águas Lindas (GO), no sábado.Joédson Alves / EFE

O embate público que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, travam há semanas sobre como enfrentar a crise do coronavírus tem um claro favorito entre a população brasileira. É o que indica a mais recente pesquisa do Atlas Político, divulgada no momento em que, mais uma vez, a pasta de Mandetta enfrenta tensão com a queda em falso de um secretário estratégico e os crescentes rumores de que ele poderá deixar o cargo em breve. Feito entre domingo e terça-feira, o levantamento, que contou com 2.000 pessoas recrutadas na Internet e tem margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, aponta que 76,2% dos brasileiros é contra uma eventual demissão do ministro, cuja defesa do isolamento social conflita com as declarações ―e atitudes― de Bolsonaro, que desde o início da crise demonstra mais preocupação com as consequências econômicas do congelamento das atividades comerciais.

A alta popularidade de Mandetta durante a crise do coronavírus já havia sido aferida por pesquisas feitas em março, entre elas uma do próprio Atlas Político, o que indica que pouco parece ter mudado na opinião dos brasileiros sobre o desempenho do ministro da Saúde. A pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra que 72,2% dos entrevistados concordam com as medidas de contenção da Covid-19 ―entre elas a suspensão de aulas, o fechamento de lojas e a limitação para a circulação de pessoas.

O que mudou, de acordo com esse levantamento, é a forma como os brasileiros enxergam o presidente. Há uma queda progressiva na aprovação de Bolsonaro, que tem desafiado as autoridades de saúde do país e do mundo ao circular por Brasília nos fins de semana, reunir pequenas multidões ao seu redor e comer dentro de estabelecimentos que estão autorizados apenas a vender ou entregar comida em domicílio. O Governo Bolsonaro é avaliado como ruim ou péssimo por 43% dos entrevistados. Em 20 de fevereiro, o percentual negativo era de 38%. Por outro lado, hoje apenas 23% consideram a gestão do presidente ótima ou boa, seis pontos a menos do que os 29% registrado em 20 de fevereiro. Além disso, o desempenho pessoal de Bolsonaro é aprovado apenas por 37,6% dos pesquisados, contra 58,2% que desaprovam ―4,2% não souberam responder.

Medo e desemprego

Outras perguntas da pesquisa do Atlas ajudam a entender a balança popular favorável a Mandetta. Questionados sobre se têm medo de pegar o coronavírus, 41,9% dos consultados responderam que sim, e que, inclusive, temem por suas vidas. Outros 31% também responderam que sim, mas que temem apenas ficar doentes. Apenas 27,1% disseram não ter medo. Apenas 13,8%, contudo, não estão com medo de perder algum parente da família para a Covid-19, enquanto 86,2% admitem esse receio.

Os números mostram também que a preocupação manifestada por Bolsonaro em relação ao desemprego tem por onde reverberar entre os brasileiros. Apenas 36,1% dizem que sua renda não foi impactada de forma alguma pela crise do coronavírus. Metade dos entrevistados (51,6%) dizem que sua renda mensal diminuiu, enquanto 12,3% dizem ter ficado desempregados.

Ministros

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra ainda que Mandetta não teve apenas uma melhora na sua imagem enquanto ministro, como se tornou o membro do Governo mais bem avaliado: 64% dos entrevistados têm uma visão positiva dele, e apenas 17% o avaliam negativamente. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, aparece em segundo lugar, com 53% de positivo, mas 37% de negativo. De acordo com os trakings diários do Atlas Político, esses sã os dois ministros que não perderam popularidade nos últimos dias. Como mostra o quadro abaixo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aparece com o terceiro mais bem avaliado, com 40% de positivo e 41% de negativo, logo à frente do próprio presidente Bolsonaro.

Informações sobre o coronavírus:

- Clique para seguir a cobertura em tempo real, minuto a minuto, da crise da Covid-19;

- O mapa do coronavírus no Brasil e no mundo: assim crescem os casos dia a dia, país por país;

- O que fazer para se proteger? Perguntas e respostas sobre o coronavírus;

- Guia para viver com uma pessoa infectada pelo coronavírus;

- Clique para assinar a newsletter e seguir a cobertura diária.

Mais informações