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Ex-presidente espanhol ridiculariza pedido de perdão de López Obrador por genocídio indígena: “Como ele se chama?”

López Obrador pediu ao Rei que a Espanha se desculpasse pelos excessos e genocídio dos povos tradicionais ocorridos durante a colonização da América

GRAF2089. SEVILLA, 30/09/2021.- El líder del PP, Pablo Casado, y quien fuese su mentor, el ex presidente José María Aznar (i), durante la convención nacional del partido que se celebra este jueves en Sevilla. EFE/Julio Muñoz
GRAF2089. SEVILLA, 30/09/2021.- El líder del PP, Pablo Casado, y quien fuese su mentor, el ex presidente José María Aznar (i), durante la convención nacional del partido que se celebra este jueves en Sevilla. EFE/Julio MuñozJulio Muñoz (EFE)

O ex-presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol José María Aznar seguiu a esteira da presidenta da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, em suas críticas ao Papa por suas palavras sobre o México. Aznar considera, como Ayuso, que a Espanha não tem de pedir perdão pelos excessos da conquista e, além disso, afirma que “o indigenismo é o novo comunismo”. Partindo dessa premissa, o ex-presidente do PP, partido que governa a Comunidade de Madri graças ao voto da extrema direita do Vox, zombou do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que pediu perdão a diferentes comunidades indígenas por ocasião do bicentenário da independência mexicana. “Com todo o respeito”, começou Aznar na convenção nacional do PP realizada em Sevilha, “o 200º aniversário da independência do México foi cumprido, parabéns. Mas o senhor, como se chama?”, interpelou retoricamente o mandatário latino-americano. “Andrés Manuel López Obrador. Andrés por parte dos astecas, Manuel por parte dos maias, López é uma mistura de astecas e maias... E Obrador, de Santander”, ironizou Aznar, diante do aplauso dos presentes.

Aznar continuou jogando na cara de López Obrador suas palavras. “Meu caro, é que se algumas coisas não tivessem acontecido o senhor não estaria aí, nem poderia se chamar como se chama, nem poderia ter sido batizado, nem poderia ter acontecido a evangelização da América”. O ex-presidente questionou que o Governo espanhol de Pedro Sánchez não respondeu a López Obrador e destacou que “o indigenismo só pode ir contra a Espanha, não contra os Estados Unidos”.

As palavras de Aznar seguem o caminho aberto por Isabel Díaz Ayuso, que disparou nesta terça-feira em Washington contra as palavras que o papa Francisco dirigiu na véspera na Conferência Episcopal do México por ocasião do bicentenário da independência. A presidenta madrilenha afirmou no primeiro dia de visita à capital dos Estados Unidos que se “surpreendeu” com o fato de o pontífice, “um católico que fala espanhol”, ter refletido por carta sobre os “pecados” cometidos pela Igreja Católica durante a conquista espanhola. O ex-presidente espanhol evitou citar o Papa, mas enfatizou que não iria “pedir perdão” por nada.

As declarações de Aznar acontecem no momento em que o México celebra este ano o bicentenário de sua independência e comemora os 500 anos da queda de Tenochtitlan, a capital do império mexica. López Obrador, que chegou ao poder em dezembro de 2018, insistiu que a Espanha deve pedir perdão pelos excessos cometidos durante a conquista, um pedido que provocou polêmica e atritos diplomáticos que até agora não tiveram maiores proporções. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do México disse ao EL PAÍS que uma resposta diplomática ao ex-presidente espanhol estava por enquanto descartada, porque não se trata de um “ator de Governo”.

Em março de 2019, López Obrador enviou uma carta ao rei Felipe VI para “superar definitivamente as desavenças, os rancores, as culpas e as censuras que a história colocou entre os povos da Espanha e do México, sem ignorar nem omitir as ilegalidades e os crimes que os provocaram”. A Coroa espanhola respondeu que lamentava “profundamente” e rejeitava “com firmeza” os argumentos do presidente mexicano.

“Não descartamos que haja por parte do Governo espanhol, da Monarquia, uma mudança de atitude e que com humildade se ofereça um pedido de desculpas, um perdão, pensando em deixar para trás esse confronto, nos irmanarmos e olhar para a frente”, disse López Obrador em setembro do ano passado, um ano e meio depois do envio da carta. O assunto ressurgiu de forma intermitente nos meios de comunicação dos dois países, com as comemorações no país latino-americano como pano de fundo.

Mais recentemente, em julho, o presidente mexicano lamentou que o Estado espanhol não teve “a delicadeza” nem a “humildade” de responder ao seu pedido de desculpas, apesar de a Casa Real ter tornado pública sua resposta na época por meio um comunicado. López Obrador realizou vários eventos públicos ao longo deste ano com representantes de comunidades indígenas para pedir perdão em nome do Estado mexicano. “Oferecemos perdão às vítimas da catástrofe originada pela ocupação militar espanhola da Mesoamérica e do restante do território da atual República mexicana”, disse em agosto.

No mesmo evento, o escritor hispano-peruano Mario Vargas Llosa também se referiu à América Latina. “Os latino-americanos sairão da crise quando descobrirem que votaram mal. O importante em uma eleição não é que haja liberdade nessas eleições, mas sim votar bem. Os países que votam mal pagam caro por isso”, apontou.

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