EUA planejam expulsar milhares de haitianos retidos no sul do Texas

Washington deve começar neste domingo a repatriar os indocumentados em vários voos por dia

Um grupo de migrantes haitianos atravessa o rio Grande para obter alimentos e suprimentos perto do passo fronteiriço Del Río-Acuña, em Ciudad Acuña, Estado de Coahuila, México.
Um grupo de migrantes haitianos atravessa o rio Grande para obter alimentos e suprimentos perto do passo fronteiriço Del Río-Acuña, em Ciudad Acuña, Estado de Coahuila, México.PAUL RATJE (AFP)
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O governo de Joe Biden pretende lançar neste domingo um plano para acelerar as deportações de milhares de haitianos, depois da chegada maciça de mais de 14.000 migrantes ao sul do Texas, segundo fontes anônimas citadas pela imprensa local. A estratégia do Governo democrata, combinada com as autoridades do Haiti, poderia consistir, de acordo com essas fontes, em enviar os migrantes de volta ao seu país de origem em vários voos diários. O Departamento de Segurança Doméstica dos EUA informou neste sábado que 2.000 pessoas que se encontravam na cidade texana de Del Rio já foram transferidas à espera da sua possível expulsão dos Estados Unidos.

Uma enorme caravana de latino-americanos e caribenhos, formada principalmente por haitianos, mas onde também há venezuelanos, cubanos e nicaraguenses, cruzou na quinta-feira do México para os EUA. Os 14.353 migrantes se encontram retidos em um improvisado e gigantesco acampamento sob a ponte internacional de Del Río, à espera de serem identificados individualmente pelas autoridades, disse o prefeito local, Bruno Lozano. Nesta segunda-feira devem chegar ao local 400 agentes alfandegários para agilizar o processo.

“O DHS fornecerá transporte adicional para acelerar o ritmo e aumentar a capacidade dos voos de retirada [retorno] ao Haiti e outros destinos no hemisfério dentro das próximas 72 horas”, disse Marsha Espinosa, porta-voz do Departamento de Segurança Doméstica, ao The Washington Post. “Reiteramos que nossas fronteiras não estão abertas e que as pessoas não devem fazer esta perigosa viagem”, acrescentou. Em agosto, os EUA detiveram quase 209.000 imigrantes, uma queda de 2% com relação a julho, mas ainda em níveis inéditos desde 2000, segundo o serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras.

As autoridades haitianas disseram estar dispostas a aceitar pelo menos três voos por dia, mas Washington quer aumentar essa frequência. Alguns funcionários familiarizados com a situação disseram à imprensa local, sob anonimato, que a intenção é enviar até oito voos por dia, embora a cifra varie segundo a fonte. Cada avião costuma transportar até 120 pessoas.

O caos em Del Río, uma cidade de 35.000 habitantes que se encontra em estado de emergência por causa da crise migratória, obrigou as autoridades norte-americanas a fecharem temporariamente na sexta-feira o tráfego a todos os veículos e pedestres no único cruzamento fronteiriço da localidade. Ao longo deste sábado, com o acesso novamente aberto, dezenas de migrantes foram vistos cruzando o rio Grande em direção ao México, onde foram buscar mantimentos, para então voltar aos EUA.

A Administração democrata vem expulsando imigrantes irregulares sob a norma conhecida como Artigo 42, uma exceção na lei de saúde que permite a deportação a quente de estrangeiros indocumentados e solicitantes de asilo. Donald Trump a invocou pela primeira vez em março de 2020, com a justificativa da pandemia. O Governo de Biden renovou a medida em agosto passado, mas na quinta-feira um juiz ordenou à Casa Branca que a revogue em no máximo duas semanas, por considerá-la desnecessária para conter o coronavírus no atual cenário da pandemia. O Executivo recorreu da decisão.

“O governo haitiano vai levar meses, se não anos, para ter a capacidade de receber seus cidadãos de maneira segura”, dizia uma carta assinada nesta semana por 50 legisladores democratas que solicitaram a Biden que interrompa as deportações de haitianos. O país caribenho está se recuperando de um terremoto que deixou mais de 2.000 mortos e milhares de feridos no mês passado, além de atravessar uma crise política que se agravou no começo de julho, quando o presidente Jovenel Moïse foi assassinado em sua casa enquanto dormia.

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