Miami

Mau tempo dificulta buscas por sinais de vida no prédio que caiu em Miami

Número de mortos sobe para 11 no sexto dia de operação. As vítimas ainda não foram identificadas oficialmente. O presidente Joe Biden visita o local do desabamento na quinta-feira

Operários procuram desaparecidos entre os escombros da Camplain Towers South, nesta segunda-feira, em Miami.
Operários procuram desaparecidos entre os escombros da Camplain Towers South, nesta segunda-feira, em Miami.Lynne Sladky / AP

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A Casa Branca anunciou nesta terça-feira que o presidente Joe Biden viajará a Miami para visitar a área onde um prédio desabou parcialmente, deixando pelo menos 11 mortos e 150 desaparecidos. O presidente dos Estados Unidos e a primeira-dama, Jill Biden, farão uma visita nesta quinta-feira, uma semana após a tragédia. Enquanto o trabalho de resgate e busca continua, as famílias das vítimas, cada vez mais desesperadas, aguardam notícias de seus familiares e as causas do desabamento. Há menos de três meses, a presidenta da associação do complexo Champlain Towers alertou em uma carta que os danos à torre de 12 andares “pioraram significativamente” desde a inspeção de 2018, que já alertava para “danos estruturais”.

A lentidão dos trabalhos de resgate entre os escombros do edifício que caiu na quinta-feira passada desconcerta os familiares das vítimas. Mas o caráter minucioso dos trabalhos, ao pé do que já foi um edifício de 12 andares, e as inclemências meteorológicas ameaçam prolongar a agonia. Conscientes da urgência em conhecer o destino dos desaparecidos, as equipes de emergência argumentam que estão sendo extremamente cuidadosas para evitar que, ao remover uma peça, a pilha de escombros se desarme, bloqueando os vãos que há por baixo, onde ainda esperam que possa haver sobreviventes.

Os trabalhos de resgate devem demorar, alertou nesta segunda Raide Jadallah, chefe-assistente de bombeiros do condado de Miami-Dade. “Não estamos levantando andar por andar. Estamos falando de cimento pulverizado. Estamos falando de aço. Cada vez que há uma ação, há uma reação”, acrescentou Jadallah em uma entrevista coletiva. Mais de 300 operários trabalham por turnos de quatro horas para retirar os escombros. Ajudados por cães farejadores, também empregam aparelhos de ultrassom, microfones e drones, à procura de sobreviventes ou restos humanos que permitam identificar os desaparecidos.

As autoridades anunciaram nesta segunda-feira a localização dos corpos de mais duas vítimas, elevando para 11 o total de mortos. O número de desaparecidos se situa em 150, enquanto os localizados com vida são 136, informou a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, que prometeu chegar “até o fundo” na investigação para determinar as causas da tragédia.

As autoridades vêm recolhendo amostras de DNA dos familiares das vítimas que chegam ao centro de reagrupamento familiar para compará-las com os restos encontrados no desmoronamento. Nenhum dos 11 mortos localizados entre os escombros foi identificado até agora. Uma equipe de emergência israelense e outra do México se uniram aos trabalhos de resgate nos últimos dias. Desde domingo passado, contam com um dispositivo de radar de micro-ondas desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e o Departamento de Segurança Nacional, capaz de captar imagens através de 20 centímetros de concreto sólido. Assim explicou Adrian Garulay, diretor-executivo da Spec Ops Group, ao jornal The New York Times. O dispositivo, do tamanho de uma mala pequena, pode detectar respiração humana e pulsações cardíacas.

Como é comum nesta época do ano em Miami, várias tempestades com raios obrigaram a paralisar momentaneamente os trabalhos de busca. Também houve incêndios sob os escombros, já controlados. A essas dificuldades se somaram o calor e a umidade habituais na região. Nesse contexto, os operários tiveram que lutar com a fumaça das chamas, o que dificultava a visibilidade e a respiração. “Ali dentro tem de tudo, desde produtos químicos tóxicos até fogo, fumaça e todo tipo de outros perigos”, afirmou no sábado o senador republicano Marco Rubio, da Flórida, após visitar a área.

Os especialistas criaram trincheiras para se deslocar sob a pilha de escombros. Uma delas mede 38 metros de comprimento, seis de largura e 12 de profundidade. Cada vez que os operários ou cães encontram restos, limpam a área e retiram os escombros com as mãos. Como muitas das vítimas são judias, as equipes de emergência trabalham com um rabino para garantir que os rituais religiosos sejam corretamente realizados. Documentos, fotos e dinheiro são entregues à polícia quando encontrados. O laborioso processo se repetirá, previsivelmente, durante muitos dias.

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