Homem agride Macron quando o presidente cumprimentava pessoas em visita ao sudeste da França

O agressor disse um lema monarquista e deu um tapa no mandatário francês. Dois foram presos

Sequência em que um homem esbofeteia Macron. No vídeo, a bofetada em Macron nesta terça-feira
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French Prime Minister Jean Castex (C), French Interior Minister Gerald Darmanin (2L), French Junior Minister of Public Action and Accounts Olivier Dussopt (2R) and French Junior Minister of Relations with the Parliament Marc Fesneau (R) attend a session of questions to the government at the National Assembly in Paris, on February 16, 2021. (Photo by Anne-Christine POUJOULAT / AFP)
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France's President Emmanuel Macron and French Armies Chief Staff General Francois Lecointre stand in the command car as they review troops before the start of the Bastille Day military parade honouring French health workers and their dedication in the fight against the coronavirus disease (COVID-19), in Paris, France July 14, 2020. Christophe Ena/Pool via REUTERS
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Nesta terça-feira um homem deu um tapa no presidente francês, Emmanuel Macron, que estava visitando o departamento de Drôme, no sudeste da França. Durante uma viagem para tratar dos problemas do setor de restaurantes causados pela pandemia, Macron se aproximou de um grupo de cidadãos que esperavam atrás de uma cerca, para cumprimentá-los, quando um homem de quem ele apertava a mão lhe deu um tapa na cara enquanto dizia um lema monarquista. O presidente prosseguiu com o programa planejado.

“Exijo uma reação republicana. Isso diz respeito a todos nós. Estão em jogo os alicerces da democracia”, afirmou o primeiro-ministro Jean Castex, ao comentar a agressão na Assembleia Nacional durante a sessão de perguntas ao Governo. A polícia deteve duas pessoas após o incidente, segundo fontes citadas pela rede FMTV.

A agressão levanta questões sobre a segurança do chefe de Estado durante viagens pela França para “sentir o pulso” do país e conversar com o cidadão comum francês. O incidente ocorre em um momento de crescente debate sobre a violência na França e ataques contra as forças de segurança, como também autoridades eleitas, e em um contexto de repetidos atentados de islamistas com faca.

As agressões desse tipo não são incomuns na França, onde alguns políticos são adeptos do banho de massa em que aproveitam a oportunidade para dialogar e ouvir as reivindicações dos cidadãos. Em 2011, durante um encontro com populares em uma cidade do sudoeste, semelhante ao de Macron, o então presidente Nicolas Sarkozy foi agredido por um homem que depois acabou condenado a seis meses de prisão, uma pena que foi suspensa. Em janeiro de 2017, um homem deu um tapa no ex-primeiro-ministro Manuel Valls durante uma viagem pela Normandia.

Uma fonte do Palácio do Eliseu, que pediu anonimato, destacou que o homem que atacou Macron havia “tentado bater” no presidente. No entanto, o vídeo do incidente dá a impressão de que o homem realmente acerta Macron. De todo modo, o presidente não alterou a agenda da visita. “O intercâmbio com a multidão (...) continuou. O percurso continua”, acrescentou a mesma fonte.

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A agressão ocorreu no início da tarde desta terça-feira, depois de uma visita a uma escola de formação de profissionais para restaurantes no município de Tain-l’Hermitage. Na ocasião, Macron não estava acompanhado de jornalistas. As imagens circularam primeiro nas redes sociais.

O vídeo mostra um homem apertando a mão de Macron e gritando um lema: “Montjoie Saint-Denis, abaixo a macronia”. “Montojoie Saint-Denis” é um grito de guerra dos monarquistas de extrema direita na França. Os agentes de segurança imobilizaram imediatamente o agressor. Os dois detidos têm 28 anos, segundo o Le Monde.

Todos os líderes políticos condenaram o ataque. Marine Le Pen, presidenta do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) e principal rival de Macron nas eleições presidenciais de 2022, disse: “Embora o debate democrático possa ser duro, em nenhum caso a violência física é tolerável. Condeno com firmeza a intolerável agressão física contra o presidente da República”.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido populista de esquerda França Insubmissa, aludiu às recentes ameaças de extremistas de direita contra sua legenda e declarou: “Vocês começam a entender agora que os violentos estão passando à ação? Eu me solidarizo com o presidente”.

Em um ato pouco antes do incidente, Macron dissera: “A vida democrática precisa de calma e respeito, por parte de todos, tanto dos líderes políticos quanto dos cidadãos”.

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