Espanha

Espanha enfrenta uma onda de frio extremo após a passagem da tempestade Filomena

Após a nevasca do século, virá uma onda de frio com temperaturas mínimas abaixo dos 10 graus negativos. A nevasca caída em Madri é a maior desde 1971

Após a nevasca do século, virá uma onda de frio com temperaturas mínimas abaixo dos 10 graus negativos. A nevasca caída em Madri é a maior desde 1971
Após a nevasca do século, virá uma onda de frio com temperaturas mínimas abaixo dos 10 graus negativos. A nevasca caída em Madri é a maior desde 1971Samuel Sánchez / EL PAÍS

Depois da pior nevasca em meio século em Madri e em amplas regiões do centro e do leste do país como consequência da tempestade Filomena, no domingo começam a baixar os termômetros, com temperaturas siberianas a partir de segunda-feira, quando começará uma incomum e muito complicada onda de frio. Esse novo golpe do inverno chega a uma capital paralisada e com algumas regiões em estado de calamidade, que demorará dias para voltar à normalidade. Ruas cortadas por árvores caídas e quase todas as vias, principais e secundárias, inundadas por uma neve que se transformará em gelo a não ser que seja despejada uma enorme quantidade de sal, hospitais quase isolados e serviços de socorro que têm muita dificuldade para se mover. Este é o panorama que se abre a partir de agora, quando começa uma onda de frio durante a qual pode ser batida a temperatura mais baixa já registrada na capital sem que as autoridades regionais e municipais tenham elaborado um plano preciso de ação além de deixar a calefação ligada nas escolas. O dispositivo para enfrentar a nevasca já foi improvisado, com poucos limpa-neve e bombeiros recrutados em cima da hora.

Ainda que o pior do temporal tenha passado e em Madri o pior tenha acabado na tarde de sábado, após 30 horas de castigo ininterrupto, ainda resta pela frente um dia complicado antes das neves que caíram em abundância deem lugar ao frio extremo. A nevasca Filomena, causadora da situação junto com uma massa de ar frio instalada na Espanha há semanas, ainda deixará mais neve no domingo, principalmente no leste e norte do país, antes de se afastar pelo Mediterrâneo.

Continuou nevando nesta madrugada na região central de Aragão e interior sul da Catalunha, assim como em Navarra, La Rioja, interior do País Basco e Cantábria, onde se esperava o acúmulo de mais cinco a 10 centímetros. “No sul da Catalunha, interior de Castellón, Baixo Aragão de Teruel e margens do Ebro em Zaragoza pode chegar a mais de 20 em 24 horas”, disse Rubén Del Campo, porta-voz da Agência Estatal de meteorologia (Aemet).

O temporal causou quatro mortos até sábado e deixou uma capital em colapso: nenhum voo e trem sai e chega. O aeroporto de Barajas, fechado desde às 21h de sexta-feira, só deve voltar a operar na tarde de domingo. Na noite de sábado, dizem fontes da Aena (agência espanhola de aviação civil), foram liberadas duas das quatro pistas —é necessário que pelo menos duas estejam operativas— e de madrugada a UME (Unidade Militar de Emergência) ajudou a liberar o estacionamento de aeronaves. “Se as condições meteorológicas não piorarem e os trabalhos de limpeza avançarem em bom ritmo, a intenção é que os aviões desviados no sábado voltem para poder operar a partir de segunda”, acrescentam as mesmas fontes. No sábado havia 400 voos previstos, dos quais 381 foram cancelados e os outros, desviados. No domingo, havia 283 operações e 100 já foram canceladas. Nos terminais 1 e 4 restam por volta de 600 passageiros ainda por embarcar.

A nevasca caída em Madri, entretanto, não é inédita. É a maior desde 1971, como os meteorologistas há dias alertam. As previsões também não se triplicaram. Caíram 50,5 litros por metro quadrado de precipitação no centro de Madri durante a tempestade “e estavam previstos de 40 a 50”, diz a Meteorologia. Como resultado, a cidade ficou sob “uma capa de neve de 25 a 30 centímetros, até mais em bairros periféricos do leste e sul, onde se chegou a 35/40”. No alerta, que era vermelho, um nível jamais ativado por neve na região central, além da previsão de precipitação se estimava que seriam mais de 20 centímetros somados aos cinco do dia anterior, mas calcular com exatidão quanta água se transformará em neve é impossível, porque qualquer variação mínima na temperatura altera o resultado. A precipitação média em todo o mês de janeiro em Madri é de 33 litros por metro quadrado.

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