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EUA suspeitam que a Rússia esteja por trás do hackeamento de agências federais

Ataque cibernético afetou os Departamentos de Tesouro e Comércio, entre outros

Turistas em frente à sede do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em Washington.
Turistas em frente à sede do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em Washington.BRENDAN SMIALOWSKI / EFE

A Administração de Donald Trump informou no domingo que piratas informáticos estrangeiros invadiram as redes de agências federais, incluídos os correios eletrônicos dos departamentos do Tesouro e Comércio. Funcionários do Governo disseram que o FBI e o braço de segurança cibernética do Departamento de Segurança Nacional estão trabalhando para identificar o alcance do hackeamento, que atribuem, quase com certeza, a uma agência de inteligência russa, segundo três fontes familiarizadas com a investigação citadas pela imprensa local.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Ullyot, disse em nota que o Governo está “tomando todas as medidas necessárias para identificar e remediar qualquer possível problema relacionado com esta situação”. As autoridades informaram que além dos ataques ao Tesouro e à Administração Nacional de Telecomunicações e Informação, um órgão do Departamento de Comércio, está em investigação se os piratas usaram uma ferramenta semelhante para invadir os computadores de outras agências governamentais.

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O Governo não revelou muitos detalhes. O Departamento de Comércio reconheceu que uma de suas agências tinha sido atacada, sem identificá-la, e a agência de segurança cibernética do Departamento de Segurança Nacional afirmou em nota que também haviam sido contatados para informar sobre o hackeamento. Trump demitiu no mês passado Christopher Krebs, diretor da agência, depois que ele certificou a lisura das eleições presidenciais de 3 de novembro, contestadas pelo republicano.

Se for confirmado que a invasão teve origem na Rússia, será o ato mais sofisticado desse tipo por parte de Moscou desde 2014 e 2015, quando as agências de inteligência do Kremlin tiveram acesso a correios eletrônicos não sigilosos da Casa Branca e do Departamento de Estado. O então presidente Barack Obama decidiu não atribuir a operação aos russos em um primeiro momento, no que foi criticado por parte da sua Administração.

Dois dos funcionários envolvidos na investigação disseram à Reuters que a operação está relacionada com o ataque cibernético sofrido recentemente pela FireEye, uma importante empresa norte-americana de segurança cibernética. A empresa do Vale do Silício informou na semana passada que, com certeza quase absoluta, os piratas trabalhavam para uma agência russa.

Em outubro passado, seis membros da agência de espionagem militar russa (GRU, na sigla em russo) foram acusados pelo Departamento de Justiça dos EUA de uma série de ataques digitais cometidos em diversos países, inclusive uma invasão da rede elétrica ucraniana, outra nas eleições presidenciais da França em 2017 e uma nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 na Coreia do Sul. Segundo o secretário-adjunto de Justiça para a Segurança Nacional, John Demers, “nenhum país utiliza suas capacidades informáticas de forma tão maliciosa ou irresponsável como a Rússia, provocando de maneira deliberada danos sem precedentes para obter ínfimas vantagens táticas”.

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