Atentado em Viena

Suspeito de ataque em Viena era simpatizante do Estado Islâmico

Segundo o Ministério do Interior austríaco, o suspeito abatido foi condenado em 2019 porque queria viajar à Síria e aderir ao EI. As autoridades do país lançaram operação com 1.000 agentes que procuram outros possíveis terroristas vinculados ao ataque

Controles policiais diante da sede do Ministério do Interior austríaco, esta terça-feira.
Controles policiais diante da sede do Ministério do Interior austríaco, esta terça-feira.CHRISTIAN BRUNA / EFE

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Pelo menos quatro pessoas morreram na noite de segunda-feira em um atentado islâmico em Viena, capital da Áustria, perpetrado por pelo menos um terrorista, que foi abatido e descrito pelo ministro austríaco do Interior, Karl Nehammer, como um seguidor do Estado Islâmico (EI). Outras 17 pessoas ficaram feridas, sendo sete delas com extrema gravidade, segundo as últimas informações oficiais. As autoridades austríacas lançaram uma grande operação com cerca de mil agentes que procuram outros possíveis terroristas vinculados ao ataque em Viena. A polícia foi ao domicílio do homem abatido na noite passada e fez várias detenções em seu entorno, além de 15 buscas em outros imóveis. O Ministério do Interior pediu aos cidadãos da capital que permaneçam em suas casas na noite desta segunda. Cerca de 20.000 vídeos estão sendo analisados como parte da investigação.

O chanceler (primeiro-ministro) austríaco, o conservador Sebastian Kurz, afirmou a jornalistas que a capital sofreu “um ataque islamista”, um atentado “de ódio” contra os valores de uma sociedade livre e seu “modelo de vida” democrático. Kurz explicou que as quatro pessoas mortas foram abatidas “a sangue frio”: um homem e uma mulher idosos, um jovem e uma garçonete. Entre os feridos, alguns estão em estado grave, lutando por suas vidas. O chanceler enfatizou que a sociedade austríaca “não se deixará intimidar” e insistiu à opinião pública para que não caia “na armadilha” dos extremistas, que procuram “dividir” a população. “Não vamos permitir isso”, acrescentou o chefe de Governo, pedindo evitar cair na confrontação de “austríacos versus imigrantes” ou “cristãos versus muçulmanos”. “É uma luta entre a civilização e a barbárie”, concluiu o chanceler.

O ministro do Interior se mostrou muito cuidadoso desde o primeiro momento, assim como as autoridades policiais, sobre a ligação do agressor com o Estado Islâmico. Porém, segundo a imprensa local, o homem abatido teria 20 anos, filho de pais de origem albanesa, naturais da Macedônia do Norte, e tinha também passaporte austríaco. O terrorista tinha antecedentes penais por associação terrorista e foi condenado em abril de 2019 a 22 meses de detenção porque queria viajar à Síria e aderir ao EI. Estava em liberdade condicional desde dezembro, segundo informações fornecidas à mídia local pelo Ministério do Interior.

No começo da manhã desta terça, o centro de Viena continuava amplamente cercado para facilitar as operações de busca de outros possíveis terroristas. Alguns dos estabelecimentos envolvidos no ataque mantinham as portas fechadas nesta manhã, com gente dentro. O ministro Nehammer não descartou em sua fala que possa haver outros agressores, embora não esteja claro quantos terroristas podem ter participado do ataque. O Governo declarou três dias de luto oficial.

As imagens divulgadas nas redes sociais mostram um homem vestido de macacão branco, com boné e armado de fuzil e outras armas leves. Os vídeos sempre mostraram um indivíduo com essa descrição, por isso se desconhece se era sempre o mesmo ou se o ataque foi perpetrado por vários terroristas com a mesma vestimenta. Durante a noite de segunda-feira houve relatos de tiros em até seis lugares diferentes no centro de Viena.

As vítimas do ataque são dois homens e duas mulheres, segundo a polícia da capital austríaca. Entre os feridos há um policial, que não corre risco, segundo as últimas informações hospitalares. No momento em que foi morto, o agressor portava um fuzil e vestia um colete com falsos explosivos.

Forças especiais penetraram durante a noite no domicílio do indivíduo, para o que tiveram inclusive que usar material explosivo. Foram feitas várias detenções no entorno do autor identificado do atentado, embora se desconheçam suas identidades. O Governo lançou uma grande operação com certa de mil agentes, incluindo unidades antiterroristas, além de equipes especiais do Exército, que se encarregam agora da proteção de edifícios em Viena, para caçar outros possíveis terroristas vinculados ao ataque.

Os atentados em Viena são uma situação que a Áustria não enfrentava havia décadas. “Nosso país tem mais de 75 anos de democracia forte, é um país onde a liberdade de opinião está protegida, e a tolerância”, salientou o ministro. O atentado da noite da segunda-feira “é um ataque a estes valores e uma tentativa totalmente inútil de debilitar nossa democracia ou de dividi-la”, acrescentou.

O presidente da Comunidade Islâmica da Áustria (IGGÖ, na sigla em alemão), Ümit Vural, salientou a condenação dos muçulmanos ao ataque terrorista e pediu a união da sociedade frente aos extremistas. “Não há nenhuma justificativa para a violência. Ponto”, afirmou em uma declaração pública.

O ataque começou por volta das 20h de segunda-feira (16h em Brasília). Um dos tiroteios aconteceu nas imediações da rua Seitenstetten, perto de uma sinagoga que estava fechada. Por este motivo, a imprensa apontou que o alvo poderia ser esse templo, mas as autoridades não confirmaram essa hipótese. Algumas testemunhas contaram que um agressor tinha disparado contra vários bares com mesas externas, e que um transeunte tinha sido atingido. Uma testemunha, ouvida por um canal de televisão, disse ter visto “uma pessoa correr com uma arma automática, que disparava” repetidamente. Outro falou em “pelo menos 50 tiros”.

“Definitivamente, é um ataque terrorista”, afirmou no final da noite de segunda o chanceler austríaco, o conservador Sebastian Kurz, em uma declaração televisiva. O chefe de Governo afirmou que o ataque parecia “bem preparado” e informou que unidades do Exército foram mobilizadas para proteger edifícios. Em uma mensagem no Twitter, o chanceler acrescentou que o país vivia “horas muito duras”, agradeceu o trabalho das forças de segurança e prometeu que a polícia agirá “com determinação” contra os autores do atentado.

Uma equipe de 35 agentes está, além disso, revisando 20.000 vídeos que a população entregou nas últimas horas e que podem conter novas pistas. Desde que o ataque ocorreu, a polícia pede aos cidadãos que deixem de publicar esses vídeos nas redes sociais e os entreguem diretamente às autoridades.

Nos últimos anos, a Áustria ficou à margem da onda de atentados que atingiu a França, a Espanha e a Alemanha. O último ataque terrorista em Viena datava de 29 de agosto de 1981, justamente contra a sinagoga central (Stadttempel), onde terroristas palestinos mataram duas pessoas.

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