Eleições EUA 2020

Assim estão as pesquisas nos Estados Unidos: quem está ganhando as eleições?

Biden ou Trump: uma previsão a partir das sondagens, das apostas e dos especialistas

Biden está com 85% das intenções de voto, enquanto Trump aparece com 15%. Mas o que isso significa realmente? A duas porcentagens representam probabilidades: as que indicam qual candidato tem mais chances de vencer. Convém interpretar essa informação como uma advertência: os prognósticos dizem que Biden é favorito, mas, quando no passado estiveram tão seguros como agora, acabaram se equivocando em 15% ou 20% das vezes.

Outra forma de enxergar é imaginar uma árvore de alternativas: de cada 100 futuros possíveis, os números acima dizem em quantos o vencedor é Biden, e em quantos é Trump. O que não sabemos é qual desses futuros será o nosso.

EL PAÍS

De onde sai a previsão: pesquisas

O que veremos abaixo é uma média de quatro previsões: dois modelos estatísticos, as apostas e os prognósticos de especialistas. Mas todos eles se alimentam de pesquisas eleitorais. O gráfico mostra como as pesquisas e os prognósticos foram evoluindo desde janeiro.

Source: Surveys from FiveThirtyEight. In-house forecast based on several sources (see below)

É importante entender a diferença entre pesquisas e probabilidades. A primeira cifra (das pesquisas) diz quantas pessoas votarão em Biden ou Trump. A previsão probabilística vai além. É uma tentativa de estimar as chances de vitória de cada um deles. As previsões se baseiam nas sondagens, mas consideram também outros fatores, como o estado da economia, as características do sistema eleitoral (sabe-se que Biden precisará de mais votos que Trump para ganhar) e um fundamental: possíveis erros das pesquisas.

A situação Estado por Estado

O mapa representa a vantagem em pontos de um candidato sobre outro nas pesquisas e suas probabilidades de ganhar segundo o site Fivehtirtyeight. Cada hexágono representa um delegado do colégio eleitoral.

Cartogram

Map

Joe Biden

Donald Trump

702211289623
  • Joe Biden
  • Biden favorite
  • Tie
  • Trump favorite
  • Donald Trump
Source: Fivethirtyeight

No mapa vemos a importância do mecanismo de eleição presidencial. Cada território distribui certo número de delegados – os hexágonos –, que vão todos para o candidato mais votado: o vencedor leva tudo. Ao todo são distribuídos 538 votos, de modo que é eleito presidente quem reúne pelo menos 270. No gráfico, classificamos os Estados em cinco grupos: os “seguros” para Biden ou Trump, os que têm um favorito, e aqueles onde há empate.

Estados-chave

Há uma dúzia de Estados mais importantes, porque podem mudar de mãos. Alguns distribuem muitos votos, e outros são representativos. Se fosse possível antecipar um resultado, o melhor seria perguntar por Wisconsin. Se Biden ganhar por lá, suas chances de chegar à Casa Branca sobem para 19 em 20, segundo o modelo estatístico do FiveThirtyEight. Mas se Trump surpreender e levar Wisconsin, passaria a ser o favorito, com 5 em cada 6 chances de terminar reeleito. Algo semelhante ocorre com a Pensilvânia, Michigan e Minnesota, e em menor medida com Nevada.

A vitória de Trump passa por aprontar uma grande surpresa ou seguir um itinerário rigoroso. Neste, o primeiro Estado fundamental é a Flórida, onde basicamente precisa ganhar. Depois teria que assegurar a vitória onde é líder e se impor em territórios disputados, como Geórgia e Carolina do Norte. Uma vez aí, para completar essa soma tem duas alternativas principais: repetir o caminho de 2016 e conquistar alguns Estados do chamado Cinturão da Ferrugem (Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, Minnesota) ou surpreender no oeste (Arizona, Nevada, Novo México, Colorado). Nenhum destes caminhos é fácil, e por isso Biden é o favorito: não precisa que aconteça nada de especial.

Mais sobre nossa previsão probabilística

Trata-se da média dos prognósticos de quatro fontes diferentes, que consideramos as mais confiáveis. Cada uma tem suas vantagens: os modelos estatísticos são mais claros e sistemáticos, mas os especialistas podem reagir a eventos complexos ou únicos. Tirar uma média é traçar um consenso.

Apostas

Os prognósticos oferecidos pelo mercado de apostas políticas, compilado pelo Real Clear Politics.

Gurus das previsões

As previsões dos especialistas em previsão quantitativa do Good Judgement. É um projeto a partir das pesquisas de Philip Tetlock e Barbara Mellers.

Modelo Economist

O modelo da revista, em colaboração com o estatístico Andrew Gelman. Utiliza pesquisas, mas dá bastante peso a outras variáveis fundamentais (como as econômicas).

Modelo 538

O modelo estatístico do site FiveThirtyEight, elabora há uma década pelo estatístico Nate Silver. Alimenta-se sobretudo de pesquisas.
Source: FiveThirtyEight, The Economist, Good Judgement and Real Clear Politics

Por que probabilidades além de pesquisas?

Estas quatro previsões probabilísticas se alimentam de pesquisas, que são a fonte de informação primordial para prognosticar qualquer resultado eleitoral. Mas as potencializam com três vantagens:

Predizem mais que votos. Estes prognósticos levam em conta outras chaves, como a distribuição de delegados e a possibilidade de que um punhado de Estados acabe causando uma reviravolta eleitoral. Os modelos de simulação são especialmente úteis para explorar todos esses cenários.

Consideram mais fontes de informação. Os modelos incluem variáveis fundamentais e econômicas. Por exemplo: sabem que o candidato que ocupa a Casa Branca se beneficia quando a economia vai bem. Além disso, os especialistas podem reagir a eventos complicados: o que acontece com Trump doente ou se uma vacina é anunciada?

E sobretudo: informam sobre a incerteza de uma eleição. A vantagem de predizer com probabilidades é que nos permite oferecer uma informação dupla: tratamos de apontar o ganhador com mais chances, mas também informamos sobre a probabilidade de uma surpresa. Se um candidato liderar as pesquisa por poucos pontos percentuais – como Hillary Clinton em 2016 –, nossa previsão dirá que é favorito, mas também que não seria estranho que seu rival ganhasse.

Créditos. Colaboraram nesta reportagem Mariano Zafra, Daniele Grasso e Borja Andrino.

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