Polícia israelense mata a tiros um palestino com autismo em Jerusalém

Dois agentes são interrogados após a alegação de que a vítima, embora desarmada, tinha uma pistola

A mãe de Iyad Hallak mostra neste sábado uma imagem de seu filho no celular.
A mãe de Iyad Hallak mostra neste sábado uma imagem de seu filho no celular.AHMAD GHARABLI / AFP

A Porta dos Leões da Cidade Velha voltou a ser palco de um trágico episódio de violência em Jerusalém. Agentes da Polícia de Fronteira (corpo militarizado de Israel) mataram a tiros na manhã deste sábado um palestino com autismo que estava indo para uma unidade de educação especial do centro histórico, onde trabalhava e recebia atendimento. Iyad Hallak, de 32 anos, era reconhecido como uma pessoa com deficiência permanente, segundo sua família ―com a qual vivia em Wadi Joz, bairro popular próximo do setor amuralhado de Jerusalém Oriental, sob ocupação israelense desde 1967. Ele estava desarmado.

“Era incapaz de fazer mal a alguém”, declarou ao jornal Haaretz um de seus familiares. O advogado que representa os Hallak disse que vai insistir em uma investigação judicial por “assassinato” contra os policiais envolvidos na morte. Os primeiros testemunhos recolhidos, segundo o advogado, indicam que foram disparados entre sete e dez tiros contra o palestino e que ele caiu sem vida atrás de um contêiner de lixo. O corpo de Hallak foi enviado para o instituto médico legal de Tel Aviv.

Um porta-voz policial afirmou que o homem teve de ser “neutralizado” por ter fugido quando os policiais tentaram pará-lo sob suspeita de que portava um objeto “que parecia uma pistola”, e os agentes abriram fogo contra ele durante a perseguição. O departamento de assuntos internos da polícia abriu uma investigação do caso, sobre a qual as autoridades impuseram um embargo de informações, informa a agência Reuters. Dois agentes da Polícia de Fronteira foram interrogados.

Ayman Oded, líder parlamentar da Lista Conjunta, aliança de partidos árabes israelenses que representa a minoria de origem palestina, afirmou que seu grupo vai trabalhar para que os fatos “não sejam encobertos e os agentes responsáveis sejam presos”. O secretário-geral da Organização para a Liberação da Palestina, Saeb Erekat, alertou no Twitter que o “crime [contra uma pessoa com deficiência] pode ficar impune a não ser que o mundo pare de tratar a Israel como um Estado que está acima da lei e o Tribunal Penal Internacional cumpra sua função”.

Depois do anúncio de que o novo Governo de Benjamim Netanyahu pretende anexar a Israel, a partir de julho, os assentamentos judaicos e o Vale do Jordão da Cisjordânia, sob ocupação militar há quase 53 anos, ocorreram incidentes violentos na última semana.

Um palestino foi morto a tiros na sexta-feira por soldados israelenses contra os quais tinha tentado investir com seu carro perto de Ramallah, na Cisjordânia. Na segunda-feira, outro palestino foi gravemente ferido à bala em Jerusalém Oriental após tentar esfaquear um policial.

O Exército israelense planeja reforçar sua presença na Cisjordânia e colocou em alerta suas unidades diante da ameaça de uma explosão de violência. A Autoridade Palestina anunciou na semana passada a suspensão da coordenação entre suas forças de segurança e as tropas israelenses.

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