Democratas adiam convenção nacional nos EUA devido ao coronavírus

Evento em que escolherão oficialmente seu candidato para a eleição presidencial dos Estados Unidos será realizado na semana de 17 de agosto

Os pré-candidatos democratas Joe Biden e Bernie Sanders.
Os pré-candidatos democratas Joe Biden e Bernie Sanders.ROBYN BECK (AFP)
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O Comitê Nacional Democrata adiou nesta quinta-feira a data da convenção em que os delegados escolherão o candidato à presidência devido ao coronavírus. O evento político estava marcado para meados de julho e foi adiado para a semana de 17 de agosto em Milwaukee (Wisconsin). O anúncio acontece um dia depois que o ex-vice-presidente e favorito à indicação, Joe Biden, ter afirmado no programa de televisão The Tonight Show que acreditava que era uma boa ideia mudar a data da convenção devido ao surto. A pandemia, que já provocou mais de 5.000 mortes nos Estados Unidos, praticamente congelou a campanha democrata. Tanto Biden quanto o senador de Vermont, Bernie Sanders, fazem reuniões virtuais desde suas casas e lutam para ganhar espaço na programação das televisões, enquanto cada vez mais Estados adiam as primárias para junho.

“Nesse clima de incerteza, acreditamos que o enfoque mais inteligente é dar um tempo extra para monitorar como a situação evolui para que possamos posicionar melhor nosso partido em uma convenção segura e bem-sucedida”, informou Joe Solmonese, chefe do Comitê da Convenção Nacional Democrata, em uma declaração. Os próximos passos, disse, serão dados com base nas recomendações feitas pelos profissionais de saúde e dos serviços de emergência. A convenção nacional é fundamental não apenas porque os delegados votam em seu candidato, mas também pela cobertura midiática de que é objeto, o que se traduz em um impulso ao programa presidencial do vencedor.

É tradição que o partido que não está governando realize a convenção nacional antes da formação do presidente. O dia 17 de agosto, a nova data da convenção democrata, é uma semana antes da reunião que os republicanos farão em Charlotte (Carolina do Norte) para anunciar formalmente a nomeação de Trump, que não tem adversários. O presidente disse na semana passada que “não havia como” cancelar a convenção republicana. A presidenta do Comitê Nacional Republicano, Ronna McDaniel, prometeu recentemente que a convenção acontecerá e que estavam avançando nos detalhes “a toda velocidade”. Durante a crise do coronavírus Trump atingiu seu nível mais alto de popularidade desde que chegou à Casa Branca, de acordo com a mais recente pesquisa do Gallup.

O presidente controla o ciclo de notícias com entrevistas coletivas diárias sobre as novas medidas para conter o surto. Para enfrentar essa nova realidade, Biden montou um estúdio de televisão em sua casa, em Wilmington, Delaware, para conceder entrevistas e entregar mensagens em tom presidencial sobre como lidaria com a crise. Algo semelhante à estratégia de Sanders, que aproveitou a contingência para defender vigorosamente sua proposta de um plano de saúde universal para os norte-americanos. O ex-vice-presidente tem mais de 300 delegados de vantagem em relação a Biden e as pesquisas indicam que nos Estados que ainda não votaram o favoritismo de Biden se repetirá. Mas o veterano socialista não demonstrou ter planos para desistir da corrida.

“Por que o senhor continua na corrida?”, perguntou a apresentadora Whoopi Goldberg a Sanders na quarta-feira no programa The View. “A última coisa que ouvi é que as pessoas em uma democracia têm o direito de votar e têm o direito de votar na agenda que acreditam que pode funcionar para os Estados Unidos, especialmente neste momento muito, muito difícil”, respondeu o senador. “Estamos avaliando nossa campanha, de fato, para onde queremos avançar, mas as pessoas em uma democracia têm o direito de votar”, reiterou.

Pelo menos sete Estados adiaram suas primárias para 2 de junho, tornando a data a segunda com o maior número de delegados em jogo depois da Super Terça. Por enquanto, 10 Estados e o Distrito de Columbia deverão ir às urnas naquele dia. Isto significa que, se houver um favorito indiscutível, também se saberá mais tarde, e o vencedor terá menos tempo para fazer campanha como candidato único da formação.

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