Petrobras

Petrobras obtém o maior lucro de sua história graças à venda de ativos

A companhia petrolífera, que sofre uma greve que já dura 19 dias, lucrou 40 bilhões de reais em um exercício marcado pelo desinvestimento estatal

Prédio da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Prédio da Petrobras, no Rio de Janeiro.Sergio Moraes / Reuters

A Petrobras ganhou mais de 40 bilhões de reais no ano passado, o que representa o maior lucro anual de sua história. A empresa apresentou seu balanço financeiro de 2019 nesta quarta-feira, depois do fechamento da Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto um terço de seus funcionários fazia seu 19º dia de greve em protesto contra o fechamento de uma fábrica de fertilizantes e as demissões relacionadas. Para o enorme lucro contribuiu o fato de que, desde que Jair Bolsonaro e seu liberal ministro da Economia, Paulo Guedes, assumiram o poder, o Estado vendeu uma parte importante de suas ações daquela que ainda é a maior empresa pública do país.

Os lucros se devem ao desinvestimento do Estado com várias operações, como a venda de ações da BR Distribuidora, e vendas de campos de petróleo. O presidente da empresa, Roberto Castello Branco, destacou que o desinvestimento estatal “ajudou a viabilizar o foco nos ativos dos quais somos donos naturais” e permitiu investir mais em áreas exploratórias do pré-sal, imensas reservas descobertas sob uma espessa camada de sal no Atlântico

Este lucro recorde consolida a mudança de tendência registrada em 2018, quando a Petrobras voltou então a dar lucro depois de quatro anos no vermelho, desde que o escândalo de corrupção desvelado pela Lava Jato estourou. As investigações e as decisões sobre ocaso continuam no Brasil e no exterior. Nesta mesma quarta-feira um juiz condenou dois ex-diretores da Petrobras, Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa, a pagar meio milhão de reais cada um aos funcionários da empresa por danos morais causados por práticas corruptas. Os dois condenados estão colaborando com a Justiça. O caso Odebrecht, derivado do caso Petrobras, levou à prisão na Espanha, há alguns dias, do ex-diretor da mexicana Pemex, Emilio Lozoya, acusado de receber subornos da construtora.

O lucro da Petrobras no fechamento do último exercício representa um aumento de 55% em relação ao de 2018, mas sem as vendas extraordinárias estaria próximo deste. O resultado do ano passado se deram, de acordo com a empresa, com o barril a 64 dólares em 2019, diante dos 71 do exercício anterior.

A greve de 21.000 dos 63.000 funcionários da estatal, que aumenta o risco de escassez no Brasil, continua apesar de um juiz ter anulado cautelarmente na terça-feira as demissões que a motivaram. Os afetados são 400 funcionários da estatal e outros 600 empregados de empresas subsidiárias que trabalhavam em uma fábrica de fertilizantes recém-fechada no Paraná. Estão em greve mais de 121 unidades da Petrobras, entre plataformas de produção, refinarias e terminais.

Os principais partidos da oposição de esquerda, o Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), apoiam a greve dos petroleiros enquanto tentam transformá-la em uma plataforma contra o amplo programa de privatizações desenhado pelo czar da economia, Paulo Guedes.

Depois de anos de estagnação, a produção também se recuperou, ficando em três milhões de barris por dia entre petróleo e gás.

Mais informações