VELOZES & FURIOSOSCrítica
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‘Velozes & Furiosos 9’, ao infinito e além

O diretor Justin Lin, que retorna depois de dois filmes sem comandar a saga, demonstra em duas longas e poderosas sequências que poucos filmam cenas de ação como ele, e embarca em um “não vá embora ainda, tem mais”

Michelle Rodriguez e Vin Diesel, em ‘Velozes & Furiosos 9’. No vídeo, o trailer do filme.

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Com exceção da longeva série de filmes de James Bond, que é diferente porque vem trocando de atores e diretores ao longo de sete décadas, não é possível lembrar de uma franquia de título único e protagonistas estáveis que tenha chegado a seu nono longa-metragem com a força popular e o sucesso de bilheteria de Velozes & Furiosos. Uma saga com um terço inicial titubeante, mas que acabou sendo beneficiada precisamente pela última guinada das produções de 007 para um tom mais sério e uma maior complexidade de personagens e história, já com Daniel Craig como protagonista, abrindo espaço para uma franquia de espionagem mais descontraída e básica, na qual só os fogos de artifício importam e vale tudo para deixar os fãs boquiabertos.

O sexto filme, dirigido por Justin Lin, talvez tenha marcado o auge de espetacularidade de uma série que, pontualmente, incorporou estrelas de filmes de ação (de Dwayne Johnson a John Cena, seu último elo, passando por Jason Statham), superou a morte de um de seus rostos emblemáticos, Paul Walker, e convenceu com uma mistura de alto orçamento, senso de humor autoparódico, suntuosidade na composição de suas sequências mais importantes e grandes nomes de Hollywood em princípio alheios a esse tipo de produtos, como Charlize Theron e Helen Mirren, que retornam neste Velozes & Furiosos 9, finalmente lançado depois de vários atrasos provocados pela pandemia.

Desde aquele sexto capítulo, a franquia não decaiu, apesar de teimar em ter durações exageradas (novamente, quase duas horas e meia), graças ao trabalho de diretores como James Wan e F. Gary Gray e à fusão entre direção e edição alucinantes, motores potentes, camaradagem do elenco e, como aqui, um roteiro em que a força do legado da saga em histórias próximas ao folhetim familiar serve de base para a tomada de decisões emocionais de seus personagens.

Lin, que retorna à direção depois de dois filmes, demonstra em duas longas e poderosas sequências — em uma estrada pedregosa de montanha e nas ruas de Edimburgo — que poucos filmam e montam cenas de ação como ele. E o “não vá embora ainda, tem mais” chega a um nível ainda mais delirante que o dos carros voadores, de edifício em edifício, do sétimo episódio. Aonde vamos levá-los desta vez, até o espaço? Segure meu drinque, que lá vamos nós. E não tem problema, o público vai engolir.

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