Morre Levy Fidelix, o político do Aerotrem que soube operar o sistema partidário brasileiro

Conservador fez declarações homofóbicas na TV e emplacou seu partido nanico na vice-presidência brasileira na onda ultradireitista. Amiga da família diz que covid-19 foi causa da morte

Levy Fidelix, em 2016.
Levy Fidelix, em 2016.Ricardo Matsukawa

Levy Fidelix, fundador e presidente nacional do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), morreu na noite desta sexta-feira, 23 de abril. A informação é da conta do Twitter do político, que tinha 69 anos. Não foi informada a causa da morte, mas a jornalista Sandra Terena, próxima da família, disse que Fidelix não resistiu a complicações da covid-19, segundo o UOL. “Descanse em paz homem do Aerotrem!”, diz a publicação do Twitter, citando a proposta política mais conhecida de Fedelix e que, segundo ele, livraria São Paulo dos problemas de mobilidade.

Para além do folclore sobre o aerotrem, um projeto de trem-bala para ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, o político natural de Mutum, Minas Gerais, foi um competente operador do sistema partidário brasileiro e de seu conjunto de verbas públicas. Fidelix passou por PL, PTR, PTRB e, nas últimas décadas, permaneceu no PRTB, partido do qual foi o fundador e era presidente. Apresentador de televisão, professor universitário e publicitário, concorreu à presidência da República, a deputado federal, a prefeito e a vereador. Nunca foi eleito e nem obteve votações expressivas.

Muito antes da era das redes sociais, porém, Fidelix conseguiu permanecer no jogo político, aparecendo em debates na TV, por exemplo. Em 2014, durante um embate entre candidatos a presidente, fez declarações homofóbicas e foi acusado e processado por discurso de ódio.

O maior feito de seu nanico PRTB foi ter emplacado, em 2018, o general da reserva Hamilton Mourão como vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro, que sairia vencedora. Mourão não era a primeira opção de Bolsonaro, mas foi a solução para uma chapa “puramente militar” num acordo fechado no último minuto em agosto de 2018. Fidelix soube atrair não só Mourão como outros militares interessados em se aventurar na política, como o general da reserva Paulo Assis. Entre suas últimas postagens políticas está a que insinua que o vice-presidente, que também segue na cúpula do PRTB, seria melhor para o país se ocupasse o Planalto.

Em duas publicações no Twitter na manhã deste sábado, Mourão lamentou a morte de Fidelix. “Lamento o falecimento do fundador e presidente do PRTB, amigo Levy Fidelix. O movimento conservador brasileiro perde um dos seus principais representantes”, disse.

Com informações da Agência Brasil

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