Eleições Brasil 2020

Em Fortaleza, Sarto leva susto, mas vence bolsonarista Capitão Wagner e sela nova vitória dos Ferreira Gomes no Ceará

Disputa ganhou tons de todos contra Bolsonaro por causa de unificação de 16 partidos em torno de aliado de Ciro Gomes, do PDT, e do governador petista do Estado

O deputado José Sarto (PDT) durante entrevista em julho de 2019.
O deputado José Sarto (PDT) durante entrevista em julho de 2019.Dário Gabriel/ AL-CE

Foi mais difícil do que as pesquisas apontavam, mas José Sarto Nogueira (PDT) venceu o deputado federal e bolsonarista Capitão Wagner Sousa (PROS) na disputa pela prefeitura de Fortaleza. Com 98% das urnas apuradas, o pedetista recebeu 51,69% e o militar reformado, 48,31% dos votos válidos. Com a vitória, a capital do Ceará seguirá sob o domínio do mesmo grupo político que a administra desde 2013, com Roberto Cláudio (PDT). Sarto é apadrinhado pelo clã Ferreira Gomes, dos irmãos e ex-governadores Cid e Ciro. Também teve o apoio do atual governador, Camilo Santana (PT). Ao longo de todo o segundo turno, Sarto era quem liderava as pesquisas. Os últimos levantamentos, porém, davam mais de 10 pontos percentuais de diferença.

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A vitória de Sarto por margem apertada mostra uma reaglutinação de forças contra o clã Ferreira Gomes, diz a cientista política Monalisa Soares, da Universidade Federal do Ceará. Essa frente conservadora seria liderada por Wagner e pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) que foi o principal doador de campanha do capitão. “Esse grupo pode de algum modo determinar alguma competitividade mais severa contra o ex-governador Ciro Gomes”. Além do grande número de votos obtidos em Fortaleza, os aliados conservadores elegeram prefeitos em três cidades de importância regional: Caucaia, Maracanaú e Juazeiro do Norte.

Os padrinhos políticos do pedetista foram os responsáveis por costurar um amplo leque de apoio, formado por 16 legendas. Algumas delas antagônicas, como PT e PSDB ou PSOL e PSL. Enquanto que Wagner tinha o apoio de nove siglas pequenas e médias. No primeiro turno a disputa também foi apertada. Sarto terminou com 35,7% dos votos e Wagner, com 33,32%.

Por conta do apoio em torno do pedetista o pleito acabou se configurando como uma antessala para 2022. Neste caso, formou-se uma frente ampla para derrotar o candidato do presidente Jair Bolsonaro. Wagner tentou descolar sua imagem da do ocupante do Palácio do Planalto, negando que fosse um fantoche dele. Sempre se declarou independente. Nas propagandas no rádio e na TV ele reforçava que, em alguns projetos, votou contra a orientação de Bolsonaro, como a reforma da Previdência ou a extensão do auxílio emergencial.

Agora, o desafio na cidade será o de compor apoio no Legislativo municipal. A coligação que deu sustentação a Sarto elegeu 22 dos 43 vereadores da cidade. Enquanto que a que apoiava Wagner ocupará 12 cadeiras. Apoiadores de outros candidatos do primeiro turno ocuparão as outras 9 vagas na Câmara Municipal.