As melhores séries de 2019

Revisamos algumas das melhores ficções televisivas do ano que termina

1 - Succession

Roteiros excelentes que combinam drama e comédia são a base desta série, que utiliza seu argumento como desculpa para exibir diálogos, personagens, luxo e insultos rebuscados em cada capítulo. A segunda temporada da história da família Roy e a luta pela sucessão em seu império de mídia não teve um capítulo ruim, nem sequer regular. Tudo se encaixa em uma série bastante apreciável. É impressionante como gostamos de odiar todos seus personagens e ver as punhaladas desferidas pelas costas e pela frente. A HBO voltou a encontrar ouro. (Na HBO).

2 - Fleabag

A segunda temporada desta comédia poderia dividir o primeiro lugar com Succession. A criação de Phoebe Waller-Bridge encontrou a fórmula para promover uma reviravolta muito interessante e muito inteligente na comédia romântica e no uso da quebra da quarta parede. O espectador penetra na mente de sua desbocada protagonista para ser testemunha direta da complicada relação que mantém com sua família e dos avanços em sua relação com um padre –que, ainda por cima, é Andrew Scott. Tudo bem. (No Amazon Prime Video).

3 - Watchmen

A reinterpretação da popular série de quadrinhos proposta por Damon Lindelof terminou com uma nota altíssima, e isso que as expectativas já eram muito altas depois de The Leftovers. Cada episódio era uma aventura que ia revelando pistas para conseguir interpretar um todo cheio de referências aos quadrinhos. Um quebra-cabeça cheio de grandes momentos que conseguiu satisfazer tanto os conhecedores do universo original como os novatos. Sua complexidade a coroou em um ano em que os super-heróis, com The Umbrella Academy, The Boys e Patrulha do Destino, demonstraram que ainda têm muito a dizer. (Na HBO).

4 - Chernobyl

A melhor série de terror deste ano foi este drama baseado no acidente da usina nuclear ucraniana. Além de seus grandes roteiros, o que realmente impressiona nestes cinco episódios é a criação do ambiente, com o papel fundamental de uma trilha sonora obtida a partir de sons gravados em uma usina abandonada. Tudo é horripilante nesta produção que convida a refletir também sobre o tratamento das informações e a responsabilidade das autoridades. (Na HBO).

5 - The Crown

A terceira temporada da série centrada na vida da rainha da Inglaterra começa com um dos melhores momentos televisivos do ano ao mostrar, por meio de dois selos, a mudança da atriz principal. Sua substituição, assim como a do resto do elenco, funcionou muito bem nesta que continua sendo uma das produções mais luxuosas, bem cuidadas e, sem dúvida, mais bem escritas da atualidade. Que consideremos garantido o fato de que The Crown é muito boa não deve nos fazer esquecer de que efetivamente é, nem do enorme mérito que tem por manter o nível a cada temporada. (Na Netflix).

6 - Olhos que Condenam

As histórias reais que geram uma grande indignação no espectador foram uma das tendências nas melhores séries do ano. Esta produção em quatro episódios sacudiu consciências lembrando a história daqueles que ficaram conhecidos como “os cinco do Central Park”, adolescentes afro-americanos e hispânicos que foram acusados de um estupro brutal, pelo qual foram condenados e cumpriram pena na prisão, apesar de serem inocentes. Só estavam passando pelo local do crime. Ou nem isso. Uma grande história muito bem contada e muito bem interpretada, perfeita para desabafar gritando em direção à tela. (Na Netflix).

 7 - Catastrophe: Sem Compromisso

O ano ainda estava começando quando Sharon e Rob se despediram para sempre dos espectadores. Eles são especialistas em arrancar gargalhadas e partir o seu coração na mesma sequência. Em suas quatro temporadas, construíram uma relação que parece tão real, tão natural, tão fresca, que é impossível não se sentir identificado em alguns momentos. A última temporada foi divertida e emotiva, mantendo esses diálogos naturais e cheios de referências que caracterizam a série. Uma grande despedida que merece ser destacada. (GNT Play)

O grande evento televisivo do ano. A maior série, a mais vista, mais amada e mais odiada. As paixões, contra e a favor, despertadas pelos últimos episódios estrelados pelos Lannister, Stark e companhia são provocadas apenas por histórias que transcenderam, que foram além da tela para se transformar em fenômenos culturais. A última temporada reuniu milhões de espectadores do mundo todo diante da tela. Nós a vimos todos juntos. Discutimos, nos irritamos, nos emocionamos, e às vezes tudo estava tão escuro que não víamos nada. E fizemos tudo isso juntos. Foi a experiência do ano para os fãs de séries, sem dúvida. (Na HBO).

9 - Derry Girls

Divertidíssima comédia que encontra motivos para rir na convulsionada Irlanda do Norte dos anos 1990. Enquanto nas ruas e nos noticiários o terrorismo e a política são a maior preocupação, as adolescentes protagonistas têm outras coisas na cabeça, tipo chegar a tempo a um concerto do Take That ou como tirar proveito da visita de um grupo de garotos protestantes. Um humor selvagem, uma ótima seleção musical dos anos 1990 e esse contraste peculiar fazem dela uma pequena grande joia. Menção especial para a cínica (e maravilhosa) irmã Michael. (Na Netflix).

10 - Years and Years

Sem que soubéssemos bem do que se tratava, Years and Years foi uma das séries que nos atingiu mais diretamente neste ano. Talvez por essa surpresa, mas também pela proximidade desse mundo distópico. Tendo como base o drama de uma família de classe média britânica, apresenta as consequências sociais, políticas, morais e tecnológicas de um mundo, em um futuro próximo, em que os extremismos tomaram o poder. Tão real que dá calafrios, e narrada com um ritmo e uma tensão de tirar o fôlego. Uma pena que tenha um final que não está à altura, mas o resto é brilhante. (Na HBO).

11 - Euphoria

A série mais surpreendente do meio do ano foi um drama juvenil estrelado por Zendaya. Que surpresas a vida traz. A ex-garota Disney é uma das principais atrizes de TV de 2019 graças a esta história que revolucionou seu gênero tanto no aspecto formal como no narrativo. Sua aposta estilística, com essas maquiagens, esse vestuário, essas luzes, essa música, foi um acerto total. E a história, por mais distante que possa estar das vivências, sofrimentos, drogas, angústias e exploração sexual da geração Z, conseguiu atrair também um público com idade maior que a de seus protagonistas. (Na HBO).

12 - What We Do in the Shadows

Amigos, vampiros e residentes em Nova York. A adaptação televisiva do filme cult O que Fazemos nas Sombras é ainda mais divertida que o longa original. As situações e diálogos malucos arrancam gargalhadas em todos os episódios desta produção, que pode agradar tanto a quem já conhece o filme como a quem se aproxima dela pela primeira vez. O vampiro de energia é um dos grandes achados do ano. E a vampiresa. E o personagem Guillerrrrrmo.

13 - Barry

A segunda temporada da história deste assassino de aluguel e ator amador melhorou inclusive a primeira, transformando-se em uma panela de pressão que tem Barry no centro, com suas inseguranças e seus problemas com criminosos de diferentes tipos. Tensão, thriller, humor negro e surrealismo se unem em uma trama que permite que seu elenco brilhe, principalmente Bill Hader e Henry Winkler. Barry já encontrou seu tom e sabe usá-lo muito bem para tirar todo o proveito possível dele. (Na HBO).

14 - Veep

Que grande este ano para a HBO, que até aqui domina claramente esta classificação. Sua última representante nesta relação é a temporada final desta comédia que, como dizíamos antes sobre The Crown, não é por ser tão boa todos os anos que deve cair no esquecimento. Sua despedida foi um pouco ofuscada por coincidir com o fenômeno Game of Thrones, mas Selina Meyer conseguiu se despedir da televisão sem perder o nível e com um humor ainda mais afiado do que em outras ocasiões. O episódio final é brilhante, com muitos dos atores convidados que participaram da série. (Na HBO).

15 - Ramy

O jovem humorista Ramy Youssef é o protagonista e um dos criadores desta comédia que conta a história de um egípcio-americano na faixa dos 20 anos, residente em Nova Jersey, que busca seu lugar no mundo entre suas raízes islâmicas e egípcias e a vida além de seu bairro. Além de gags bem resolvidas e do interessante ponto de vista cultural, pouco refletido na ficção ocidental, a série se destaca ainda mais quando mostra o mundo além de Ramy, como ocorre nos capítulos centrados em sua irmã e sua mãe, e no choque que ocorre quando o protagonista viaja para o Egito.

16 - Inacreditável

No ano da volta de True Detective, o casal de detetives que realmente valeu a pena foi o que protagoniza esta série baseada em uma história real. Tudo parte da denúncia de Marie, uma jovem que afirma ter sido estuprada em sua própria casa, mas acaba retirando a denúncia. Tempos depois, ficaria demonstrado que foi cometido um tremendo erro policial com ela. A série é uma amostra de como a empatia é fundamental na hora de lidar com certos casos e de como deve (e não deve) ser tratada uma vítima. Inacreditável é a série policial para os tempos do #MeToo. Impecáveis as interpretações de Merritt Wever, Toni Collette e Kaitlyn Dever. (Na Netflix).

17 - Mira lo que has hecho

Na ficção espanhola também houve propostas muito boas. Nesta lista entram apenas duas, mas se elas fosse um pouco mais longa, incluiria também títulos como Hierro, Malaka, Cuéntame e Paquita Salas. Em vez dessas, optamos pela série em que Berto Romero continua retratando a tragicomédia de ser pai. Na segunda temporada, o nível subiu ainda mais com seu triplo salto mortal: agora o Berto ficcional está preparando uma série sobre sua vida enquanto lida com uma grande crise de casal. O drama ganha espaço nesta comédia que não perde de vista seu humor afiado. Assim como os próprios personagens, a série amadureceu e estabeleceu um nível muito alto para a próxima temporada.

18 - Undone

A animação tem andado ombro a ombro com a ficção realista nos últimos anos, com produções maduras que se atrevem a ir cada vez mais longe. Neste caso, a animação em rotoscópio (pintada sobre filmagem real, e com um elenco liderado por Rosa Salazar e Bob Odenkirk) surpreende tanto no aspecto formal como de fundo, em uma interessante abordagem da doença mental. Depois de sofrer um acidente de carro, Alma começa a experimentar visões e viagens espaço-temporais acompanhada por seu falecido pai. A série se transforma em experiência na qual o melhor é deixar-se levar. (No Amazon Prime Video).

A vida nem sempre é como se espera. Às vezes, tudo se descontrola e até vira de ponta cabeça. E é preciso arcar com as consequências. Isso ocorre com as três protagonistas, todas na faixa dos 30 anos, desta comédia criada e estrelada por Leticia Dolera. Depois de um ponto de partida surpreendente, a série consegue manter o equilíbrio entre o humor e a ternura sem cair em muitos excessos. Uma proposta muito interessante e original, que pode ser mais apreciada deixando os preconceitos de lado. Além do trio protagonista, a verdadeira revelação da série é Enric Auquer, Gari na ficção, um dos melhores personagens televisivos do ano.

20 - Mindhunter

O clima criado por esta peculiar série policial é único. De seus inquietantes créditos iniciais até sua fotografia ou as histórias de seus três protagonistas e os interrogatórios que levam a cabo. É preciso dar tempo a essa que é, sem dúvida, uma das melhores séries da Netflix. Assim como nos tortuosos casos policiais (reais) que ela conta, é preciso ter paciência. Suas histórias vão aparecendo e se escondendo. Algumas são resolvidas, outras ficam pendentes. Assim como ocorre na realidade, as coisas são mais complicadas do que parecem. Não há outra série como Mindhunter - Caçador de Mentes. (Na Netflix).