Angela Merkel

Merkel defende com Abbas a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e palestinos

Chanceler alemã reitera em Berlim que populações de Gaza e Cisjordânia têm “direito a uma vida boa do ponto de vista econômico e social”

Angela Merkel e Mahmud Abbas nesta quinta-feira em Berlim.
Angela Merkel e Mahmud Abbas nesta quinta-feira em Berlim.Michele Tantussi (Getty Images)

A chanceler alemã, Angela Merkel, recebeu na quinta-feira em Berlim o presidente palestino, Mahmud Abbas, diante de quem defendeu para o Oriente Médio a chamada solução de dois Estados, ou seja, com Israel e Palestina convivendo em paz um ao lado do outro. Merkel reconheceu que as atuais perspectivas não são boas, mas disse que a Alemanha continuará trabalhando por esse objetivo “mesmo que ele seja cada vez mais difícil de alcançar”.

“Deve ser encontrada uma solução política que permita a palestinos e israelenses viverem em paz e segurança. Isto só se pode alcançar através de um acordo das partes em conflito para uma solução com dois Estados e de acordo com os parâmetros decididos internacionalmente”, afirmou Merkel.

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Abbas concordou que a solução de dois Estados dentro das fronteiras de 1967 “é o caminho no qual acreditamos e para o que estamos dispostos a nos sentar à mesa de negociação”. O presidente palestino indicou antes da reunião que informaria a chanceler sobre o agravamento da situação nos territórios palestinos, com a construção dos assentamentos e o persistente bloqueio na Faixa de Gaza.

A Alemanha é um dos maiores doadores de recursos à Autoridade Palestina, com um total de 110 milhões de euros (cerca de meio bilhão de reais) no ano passado. Merkel reiterou em Berlim que os palestinos têm “direito a uma vida boa do ponto de vista econômico e social”.

“Em qualquer caso, faremos tudo o que pudermos para alcançar o objetivo de que palestinos e israelenses possam viver juntos e em paz, embora saibamos que é um processo longo e complexo”, disse a chanceler. A declaração alemã ocorre num contexto em que não se vislumbra nenhum possível avanço na solução do conflito entre israelenses e palestinos. Pelo contrário, as decisões norte-americanas de apoio às demandas unilaterais de Israel ameaçam incendiar novamente o conflito.

O plano de paz de Jared Kushner, genro de Donald Trump e assessor presidencial para o Oriente Médio, que pretende levar a “paz” através da “prosperidade” – ou seja, de investimentos – enfrenta a rejeição dos palestinos tanto em Gaza como na Cisjordânia. O reconhecimento do Estado palestino nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital, o fim da ocupação e uma solução para os refugiados são as condições que estão há décadas sobre a mesa e que, para os palestinos, não são de maneira nenhuma substituíveis por uma chuva de milhões. “É lamentável que a Administração norte-americana não ajude a trazer a paz e a segurança ao nosso país”, disse Abbas em Berlim, citando temas cruciais para os palestinos que foram excluídos das negociações: “Jerusalém, refugiados, fronteiras, assentamentos e segurança”. Abbas defendeu negociações com Israel sob supervisão internacional, com a participação também de países europeus e árabes.