China e EUA tentam reduzir a tensão em sua guerra comercial

Trump anuncia que as conversações continuam e qualifica Xi Jinping de “grande líder"

Donald Trump, nesta segunda-feira na cúpula do G7 em Biarritz (França). 
Donald Trump, nesta segunda-feira na cúpula do G7 em Biarritz (França). Michael Kappeler/dpa

Após a nova escalada na guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, os dois lados decidiram tentar reduzir a tensão, pelo menos nas declarações públicas, e buscar o diálogo. De Biarritz, na França, onde participa da cúpula do G7, o presidente dos EUA, Donald Trump, reduziu o tom de suas pirotécnicas declarações do fim de semana e afirmou que a China expressou o desejo de retomar as negociações bilaterais, planejadas para a próxima segunda-feira. O vice-primeiro-ministro chinês Liu He, chefe da delegação de seu país nessas negociações, enfatizou que uma escalada "seria prejudicial a todos" e fez um chamado para uma "negociação tranquila".

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“Eles nos telefonaram e começaremos a negociar em breve, e veremos o que acontece", disse Trump nesta segunda-feira em Biarritz. O republicano descreveu o presidente chinês, Xi Jinping, como "um grande líder" e acrescentou que "uma das razões pelas quais a China é um grande país é que entende como a vida funciona".

O acordo que ambos poderiam alcançar "será magnífico para os Estados Unidos e será magnífico para o mundo", acrescentou Trump.

Um grande contraste depois que, na sexta-feira, em uma série de tuítes incendiários, ele se perguntou se o presidente chinês era o pior inimigo dos Estados Unidos, anunciou um aumento de tarifas ainda mais alto do que o previsto para os produtos chineses (cinco pontos a mais) e ordenou às empresas de seu país que procurem alternativas à China como local para fabricar seus produtos.

No domingo, no segundo dia da cúpula, Trump semeou confusão ao afirmar que tinha dúvidas sobre a escalada da guerra comercial. Uma porta-voz esclareceu depois que as dúvidas não eram sobre reverter a escalada, mas sobre a necessidade de intensificar ainda mais o aumento das tarifas.

A aparente guinada na atitude de Trump fez com que o Governo chinês optasse por se mostrar mais conciliador. Se no fim de semana o Ministério do Comércio alertava que os Estados Unidos arcariam com "as consequências" se não "corrigissem seus erros", em um congresso em Chongqing, no centro do país, Liu enfatizou que a China "se opõe fortemente a uma escalada" na guerra comercial". "Não beneficiaria nem a China nem os Estados Unidos nem o restante do mundo", declarou.

As incendiárias declarações de Trump na sexta-feira surgiram depois que Pequim anunciou novas tarifas de 5% e 10% sobre produtos norte-americanos, no valor de 75 bilhões de dólares (312 bilhões de reais), e a aplicação de outras de até 25% aos carros dos EUA, que anteriormente havia isentado como sinal de boa vontade. Por sua vez, a iniciativa de Pequim era a resposta à decisão de Washington em agosto de aumentar as taxas sobre cerca de 300 bilhões de dólares (1,25 trilhão de reais) de suas compras da China.

Em sua entrevista coletiva diária, o Ministério das Relações Exteriores da China não confirmou se, como Trump disse, houve contato telefônico entre as equipes de negociação neste domingo. Mas o porta-voz Geng Shuang insistiu em que é necessário que os dois países resolvam suas diferenças mediante o diálogo.

Se a disputa não puder ser resolvida e os Estados Unidos continuarem com suas ameaças de novas tarifas e saída de empresas chinesas, "Pequim continuará a tomar medidas para proteger nossos legítimos direitos e interesses", enfatizou Geng. O porta-voz também afirmou que, no caso de um divórcio comercial e tecnológico entre as duas potências, a China "tem ampla margem de manobra" e pode cobrir a lacuna deixada pelos Estados Unidos com outros mercados. "A separação não é uma boa maneira de aliviar as tensões", acrescentou.

Enquanto isso, em meio aos temores de um aumento do confronto, o yuan respondeu nesta segunda-feira ao horizonte de novas tarifas com um declínio acentuado, e sua cotação atingiu o nível mais baixo em 11 anos em relação ao dólar. No mercado offshore, chegavam a oferecer 7,187 yuans por dólar, mas depois se recuperou, passando a 7,162, após os comentários mais moderados de Trump; no onshore, retrocedia para 7,150, seu valor mais baixo desde 2008.