Ministério da Justiça diz que celulares de Bolsonaro também foram alvo de ‘hackers’

As autoridades ainda não confirmaram se os acusados tiveram acesso ao conteúdo dos aplicativos de mensagens utilizados pelo presidente

Jair Bolsonaro fala ao celular durante cerimônia no Palácio do Planalto.
Jair Bolsonaro fala ao celular durante cerimônia no Palácio do Planalto.Eraldo Peres (AP)

O Ministério da Justiça afirmou, por meio de uma nota divulgada à imprensa nesta manhã, que os celulares do presidente Jair Bolsonaro também foram alvos da quadrilha suspeita de ter hackeado telefones de autoridades e jornalistas. A informação foi repassada pela Polícia Federal à pasta do ex-juiz Sergio Moro, ele mesmo apontado pelas investigações como uma das vítimas do grupo. As autoridades não informaram ainda se as mensagens privadas do mandatário brasileiro foram acessadas.

No Twitter, Bolsonaro qualificou as invasões aos seus celulares como "um atentado grave contra o Brasil e suas instituições" e afirmou que o país "não é mais terra sem lei". O presidente também disse que jamais tratou de "temas sensíveis ou de segurança nacional via celular".

A Operação Spoofing, autorizada pelo juiz Vallisney de Oliveira da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, e deflagrada na terça-feira, prendeu quatro pessoas em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto suspeitas de invadir também os aparelhos de um desembargador, de um juiz federal e de dois delegados da PF.

De acordo com a PF, mais de 1.000 pessoas, entre juízes, jornalistas, deputados e integrantes do Executivo podem ter tido seus celulares acessados ilegalmente. No computador de um dos investigados, as equipes policiais encontraram atalhos para contas em aplicativos de mensagens, entre eles o perfil do ministro Paulo Guedes no Telegram. As investigações continuam para saber as motivações do grupo, considerado pelos agentes uma "organização criminosa" especializada em estelionato virtual.

Invasões e vazamentos

No dia 10 de junho, a força tarefa da Lava Jato anunciou que vem sofrendo ataques cibernéticos de um hacker desde o mês de abril deste ano. Segundo nota divulgada à imprensa, membros do Ministério Público Federal tiveram celulares e aplicativos de mensagens invadidos e clonados.

Diálogos mantidos no auge das investigações da Lava Jato entre o então juiz federal Sergio Moro e Dallagnol foram vazados e publicados pelo site The Intercept, e depois por outros meios de comunicação, o que levantou questionamentos sobre a imparcialidade do juiz, que aparece aconselhando a acusação. Ambos afirmam que não respondem pelos diálogos que dizem ser fruto de uma invasão criminosa de seus celulares e que seu conteúdo pode ter sido alterado. A PF já instaurou quatro inquéritos para investigar esses vazamentos e, apesar de que a operação Spoofing foi desencadeada a partir de um deles, ainda não está claro se os presos têm relação com as conversas divulgadas.

Entre os presos, está Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, detido em Ribeirão Preto e já preso por falsidade ideológica e tráfico de drogas. De acordo com uma reportagem divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, ele teria afirmado para os investigadores que deu ao site The Intercept acesso às afirmações capturadas pelo aplicativo Telegram. O depoimento dele, entretanto, é tratado com cautela, já que ele já tem passagem por estelionato. O site afirma que não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas.

Além de Delgatti Neto foram presos o ex-DJ Gustavo Henrique Elias Santos, que já havia sido detido antes por receptação e falsificação de documentos. Sua mulher, Priscila de Oliveira, que não tinha passagem pela polícia, e Danilo Cristiano Marques, condenado no passado por roubo, foi detido em Araraquara.