Trump afirma que parou um ataque contra o Irã porque pareceu “desproporcionado”

Funcionários iranianos dizem que presidente dos EUA avisou Teerã sobre a ofensiva através de Omã

Washington / Jedá -
Donald Trump e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau (esq.), na quinta-feira na Casa Branca.
Donald Trump e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau (esq.), na quinta-feira na Casa Branca.Jim LoScalzo (GTRES)

O presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou na quinta-feira um ataque seletivo contra o Irã em resposta à derrubada de um drone norte-americano por Teerã, mas o mandatário suspendeu a ordem antes que o Pentágono a executasse, informou nesta manhã o The New York Times. Horas depois, fontes iranianas oficiais confirmaram à agência Reuters que o presidente norte-americano alertou a República Islâmica sobre um “ataque iminente”. A mensagem do presidente chegou ao Governo de Teerã através de Omã, que mantém boas relações com os dois países e já atuou como mediador entre eles no passado. O Irã respondeu a Washington que o responsabiliza por qualquer ataque à República Islâmica.

“Em sua mensagem, Trump disse que era contra uma guerra com o Irã e que queria conversar com Teerã sobre várias questões... Deu um pequeno prazo de tempo para receber nossa resposta, mas a resposta imediata do Irã foi que a decisão sobre esse assunto está nas mãos do líder supremo [o aiatolá Ali] Khamenei”, disse um dos funcionários, falando sob a condição de anonimato. “Deixamos claro que o líder se opõe a qualquer contato, mas que a mensagem seria transmitida a ele para que decidisse... No entanto, dissemos ao funcionário de Omã que um ataque ao Irã teria consequências regionais e internacionais”, declarou outro funcionário iraniano citado pela agencia.

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Sem fazer alusão a esse aviso, o Irã respondeu aos EUA que o responsabiliza por qualquer ataque ao seu território. O fez através do embaixador da Suíça em Teerã, que representa os interesses de Washington, já que ambos os países não têm relações diplomáticas desde o sequestro de diplomatas norte-americanos em 1979.

De acordo com o The New York Times, Trump havia aprovado na quinta-feira ataques contra vários alvos iranianos, como radares ou baterias de mísseis. A operação, marcada para antes das 19h (11h30 em Brasília), já estava em andamento: os aviões estavam no ar e os navios em posição quando foi suspensa antes que qualquer míssil fosse disparado. Não está claro se o presidente mudou de ideia ou se houve problemas logísticos. Tampouco se o plano foi abortado definitivamente ou apenas adiado. Trump já autorizou dois ataques semelhantes em 2017 e 2018 contra alvos militares do governo de Bashar al-Assad na Síria.

Na manhã de quinta-feira, o Irã abateu um drone norte-americano (avaliado em cerca de 115 milhões de euros) no Estreito de Hormuz. Enquanto Teerã defendia que o aparelho havia entrado em seu espaço aéreo em missão de espionagem, os Estados Unidos afirmaram que a alegação era falsa e que a aeronave estava realizando tarefas de reconhecimento em espaço aéreo internacional.

Durante todo o dia, a opção de um possível ataque foi discutida em Washington. O secretário de Estado, Mike Pompeo, o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, e a diretora da CIA, Gina Haspel, se posicionaram favoravelmente a uma resposta militar, de acordo com o The New York Times.

O gravíssimo incidente desta manhã confirma os temores que se acumularam desde que há dois meses Washington intensificou sua campanha de pressão máxima contra Teerã. A escalada verbal e de posturas se traduziram em riscos concretos. Os EUA reforçaram sua presença militar no Oriente Médio. O Irã intensificou seu desafio cancelando alguns de seus compromissos com o acordo nuclear. E em meio a recriminações mútuas, seis navios petroleiros foram objeto de sabotagens, ainda não esclarecidas, que fizeram temer uma interrupção do fornecimento de petróleo e encareceram os seguros para o transporte marítimo na região.

Em um gesto que dá a entender que a Arábia Saudita tinha conhecimento dos planos de Washington, o príncipe Khalid Bin Salman, vice-ministro da Defesa e irmão mais novo do herdeiro do trono, tuitou nesta manhã que tinha se reunido em Jedá com o representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, “para explorar os últimos esforços para neutralizar os atos hostis iranianos e a contínua escalada que ameaça a estabilidade e a segurança da região”. O príncipe reafirmou o apoio de seu país à “campanha de pressão máxima sobre o Irã” de seu aliado e protetor.

Embora ainda não se saiba se a suspensão do bombardeio contra alvos iranianos é temporária ou definitiva, a tensão também começa a contaminar o tráfego aéreo. Algumas companhias, entre elas as europeias KLM, Lufthansa e British Airways, decidiram desviar seus voos para evitar o espaço iraniano sobre o Estreito de Ormuz e o Golfo de Omã. Sua decisão acontece depois de a Administração Federal da Aviação ter proibido as companhias aéreas dos EUA de operar nessa área até novo aviso.

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