Venezuela

EUA oferecem total apoio a Guaidó, enquanto União Europeia pede prudência

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro reafirmou o apoio do país ao líder opositor e a uma "transição democrática" na Venezuela

Vários manifestantes tentam se proteger das bombas lacrimogêneas nesta terça em Caracas.
Vários manifestantes tentam se proteger das bombas lacrimogêneas nesta terça em Caracas. YURI CORTEZ (AFP)

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A liberação do líder opositor venezuelano, Leopoldo López, liderada por Juan Guaidó e levada a cabo por um grupo das Forças Armadas nesta terça-feira, em Caracas, provocou rapidamente uma série de reações internacionais. John Bolton, conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, disse através do Twitter que o Exército da Venezuela "deve proteger a Constituição e o povo venezuelano" e reiterou que os EUA "estão com o povo da Venezuela". O Governo norte-americano foi o primeiro a reconhecer Guaidó como presidente interino no país em janeiro. A Casa Branca informou que o presidente Donald Trump "está monitorando" a situação de Washington.

Alinhado com os EUA, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro reafirmou o apoio do país ao líder opositor Juan Guaidó e a uma "transição democrática que se processa no país vizinho". Ele também disse que o Brasil "está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos".

Já a porta-voz de relações exteriores da União Europeia, Maja Kocijancic, destacou que o bloco vem pedindo uma solução pacífica para a crise política no país e deixou claro que a UE está seguindo os acontecimentos "sobre o terreno". "Reitero a posição que mantemos há muito tempo de que pedir por novas eleições", disse.

Europa opta pela prudência

Para o presidente da Eurocâmara, o conservador Antonio Tajani, o país vive um "momento histórico" para o "regresso" da "liberdade na Venezuela". "Hoje, 30 de abril, é um momento histórico para o regresso a democracia e da liberdade na Venezuela, que o Parlamento Europeu sempre apoiou", tuitou.

Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), aplaudiu a "adesão" dos militares ao movimento iniciado por Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino pela Assembleia Nacional do país. Guaidó convocou os venezuelanos às ruas e anunciou "o fim da usurpação". Em seu perfil no Twitter, Almagro escreveu: "Saudamos a adesão dos militares à Constituição e ao presidente encarregado de Venezuela". Não está claro ainda, contudo, o tamanho do apoio a Guaidó entre as Forças Armadas.

Colômbia, Bolívia e México

O presidente da Colômbia, Iván Duque, também manifestou por Twitter seu apoio a Guaidó e aos setores militares que decidiram apoiar a oposição. "Fazemos um chamamento aos militares e ao povo da Venezuela para que fiquem do lado certo da história, rejeitando a ditadura e a usurpação de Maduro", escreveu. A Colômbia convocou uma reunião de emergência do Grupo de Lima (criado em 2017 por uma dezena de países americanos para isolar Maduro) para abordar os acontecimentos na Venezuela. O ministro de relações exteriores colombiano, Carlos Holmes Trujillo, pediu que todos os países do Grupo a manter o apoio ao "regresso da democracia e da liberdade na Venezuela".

O presidente da Bolívia, Evo Moraes, um dos líderes da região que continua alinhado com o regime chavista. condenou "energicamente a tentativa de golpe de Estado na Venezuela". O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, manteve sua postura de não intervenção e respeito à mobilização na Venezuela. "É muito clara a nossa postura. Não interferir nestes casos. Desejamos que haja diálogo, que se respeitem os direitos humanos, que não se aposte na violência em todos os países do mundo. Mas não interferimos, porque o respeito direito alheio é a paz".

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