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Por que nós, mulheres do EL PAÍS, estamos em greve neste 8 de março

A voz das trabalhadoras deste jornal será ouvida silenciando nossas assinaturas, não comparecendo ao trabalho e acompanhando todas aquelas que saírem às ruas

Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de Madri.
Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de Madri.

As mulheres do EL PAÍS decidiram apoiar a greve de 8 de março, convocada na Espanha por coletivos feministas e sindicatos, junto com outras manifestações em todo o mundo, em razão do Dia Internacional da Mulher. As jornalistas convivem com milhares de razões todos os dias para participar de uma greve feminista como a convocada para 8 de março. Sofremos como mulheres e como trabalhadoras, mas como informadoras sabemos em primeira mão os problemas mais terríveis que nossas congêneres enfrentam todos os dias. Em nossas páginas, neste site, os capítulos mais cruéis da violência machista, as discriminações no trabalho, as milhares de mortas em outras latitudes, os esforços para alcançar direitos que nunca chegam, os freios na educação, na justiça, na saúde, nas relações e no mundo da cultura. E nunca deixamos de nos sentir envolvidas.

Trabalhadoras do EL PAÍS no México. ampliar foto
Trabalhadoras do EL PAÍS no México.

No ano passado, em um esforço inédito para unir nossas reivindicações, mais de 8.000 trabalhadoras de diferentes meios de comunicação apoiaram o manifesto Las Periodistas Paramos, em apoio à greve convocada no Dia da Mulher. Este ano não serão menos, nas redações na Espanha e nas sucursais em todo o mundo. As funcionárias deste jornal, nem todas jornalistas, decidiram de forma majoritária e votada em assembleia, apoiar novamente as mobilizações previstas. Nós o fazemos conscientes do nosso papel na sociedade, muito mais visível do que o de outras mulheres, que não poderão participar da greve ou nem mesmo considerar –algumas delas– participar da manifestação. Estamos acostumadas a não ser as protagonistas das notícias, mas não queremos que, nesse caso, nosso impulso como correia de transmissão seja perdido. Algumas das apresentadoras mais conhecidas da Espanha anunciaram que deixarão os microfones da rádio, as câmeras da televisão. Também a voz das trabalhadoras do EL PAÍS será ouvida neste dia silenciando nossas assinaturas (nesta sexta-feira, na capa do elpais.com e no sábado na edição impressa), não comparecendo ao trabalho e acompanhando todas aquelas que saírem às ruas para pedir que a igualdade seja efetiva e que não haja recuo naquilo que foi alcançado.

Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de São Paulo. ampliar foto
Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de São Paulo.

Este jornal não careceu de feminismo, nem mesmo em suas origens. Nesta redação nunca faltou a voz forte das mulheres. Muitas delas, que deram seu nome ao bom jornalismo deste país nas últimas décadas, também foram aguerridas defensoras do movimento das mulheres e o exerceram dentro e fora da redação. Várias delas escalaram postos, nunca sem dificuldade, e hoje se pode dizer que alguns dos postos mais altos da redação são ocupados por mulheres que se sentem orgulhosas de serem feministas. Não é menos animador saber que existe uma safra de jovens jornalistas que trabalham com afinco no jornal. Todas estarão neste 8 de março ao lado de uma causa que a muito poucos deve ser alheia: a igualdade. Fazemos isso por aquelas que nos precederam na luta, por nós mesmas e pelas mulheres que nos seguirão.

Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de Barcelona.
Trabalhadoras do EL PAÍS na redação de Barcelona.

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