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Jovem criado em família antivacinas se rebela ao completar 18 anos e se imuniza

Ethan Lindenberger, de Ohio, conta que se informou e entendeu a importância da vacinação: “Tomei todas as injeções que minha mãe não me deixou tomar ao longo da vida”

Imagem meramente ilustrativa de vacinação de adultos.
Imagem meramente ilustrativa de vacinação de adultos.getty

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Há anos, graças às vacinas, foram erradicadas doenças que antes eram mortais. Essa falta de risco do contágio e ideologias não científicas provocaram, sobretudo nos últimos anos, um crescimento de pessoas antivacinas, versadas nos possíveis efeitos colaterais da imunização, sem base científica que as avalize. Ethan Lindenberger, de Ohio, nasceu em uma família que não acreditava em vacinas, na verdade as rechaçava, segundo relatou no fim de semana passado na rede de rádio pública norte-americana (NPR).

Não foi vacinado contra sarampo, rubéola, catapora, entre outras. Nenhuma. Por tudo isso, o adolescente decidiu comemorar sua maioridade, aos 18 anos, enfrentando uma sessão completa de imunização. “Tomei todas as injeções que minha mãe não me deixou tomar ao longo da vida”, argumentou o jovem.

O adolescente revelou que sua mãe não acreditava nas vacinas porque tinha visto informações na Internet que as relacionava ao autismo e a danos cerebrais. “Meus pais acreditam que as vacinas são algum tipo de maquinação do Governo. É algo realmente idiota e tive mais de uma discussão sobre o assunto com eles. Mas, devido a suas crenças, nunca fui vacinado contra nada, só Deus sabe como continuo vivo”, escreveu o jovem no Reddit, segundo a BBC.

Há alguns dias, o médico Fernando García Sala explicou ao EL PAÍS a importância da vacinação: “São as crianças que contagiam os adultos, por isso é recomendável vaciná-las primeiro, e portanto é preciso seguir o calendário de vacinação, sem pular nenhuma. É preciso lembrar que as crianças vacinadas são os salva-vidas dos que não foram, mas se a balança pende para o outro lado, de modo que não possam ser protegidos, as doenças que acreditávamos erradicadas voltam, como está ocorrendo com o sarampo em países como França e Itália. Não dá para relaxar.”

Na verdade, prossegue, “os antivacinas têm uma grande presença nas redes sociais, onde criam grandes debates cheios de notícias falsas sobre as vacinas, como que as vacinas causam autismo, entre outras. Não é verdade, as vacinas salvam vidas”.

“Era o momento de proteger-se por minha conta, depois da declaração de emergência pelo sarampo em Washington; este ano as autoridades sanitárias já registraram mais de 50 casos de sarampo”, continuou. “Agora estou a ponto de terminar o colégio, tenho carro e ganho meu dinheiro. Assumo que poderia tomá-las por conta própria, mas nunca conversei sobre o assunto com ninguém. Tenho medo de ir a algum lugar e me cobrarem a mais. Qualquer conselho será maravilhoso”, pediu o jovem na Internet. Conseguiu a informação e descobriu que, sendo maior de idade, poderia vacinar-se.

“Minha mãe sempre soube que eu não concordava com ela. Pensava que ia passar, mas não foi assim. Quando comecei a pesquisar sobre o tema, cada vez ficou mais que evidente que havia provas contundentes a favor das vacinas, diferentemente do que ela acreditava”, acrescentou na rádio. De seu lado, a mãe viu a decisão do jovem como um ato de rebeldia. Para Ethan, ainda restam muitas vacinas para ficar em dia, “as pessoas têm de se informar de verdade. Têm de saber que é preciso imunizar as crianças. Que devido ao movimento antivacinas, muitas morrem por doenças que praticamente já não existiam mais”, finalizou o adolescente.

5 mitos sobre as vacinas (Sociedade de Pediatria de Valência)

As vacinas não causam autismo: Um dos mitos mais disseminados é o de que as vacinas causam autismo. “Isso se deve a um estudo errôneo publicado em 1998 que vinculava a vacina contra sarampo com o autismo. Isso semeou o pânico e fez cair os índices de vacinação em toda Europa, mas atualmente as provas cientificas indicam que não existe relação”, afirmam os pediatras valencianos. Um estudo recente publicado na revista JAMA Pediatrics demonstra que os pais de crianças autistas vacinam seus filhos em muito menor proporção do que o resto da população e que esse padrão é seguido pelos irmãos menores do filho com autismo.

As doenças possíveis de se prevenirr por vacinas estão quase erradicadas em meu país, por isso não é necessário que me vacine. Isso é falso, pois as enfermidades contra as quais há vacina voltarão se forem suspensos os programas de vacinação.

É melhor vacinar as crianças quando forem maiores. Isso é falso, já que as crianças são vacinadas em tão pouca idade porque é quando são mais vulneráveis a certas doenças.

É melhor a imunização pela doença do que pelas vacinas. Isso também é falso, já que as vacinas geram uma resposta similar à que produziria a infecção natural, mas não causam a doença (podem reproduzi-la levemente) nem expõe a pessoa vacinada a riscos de possíveis complicações, como pode acontecer com a infecção natural.

As vacinas têm efeitos secundários perigosos que ainda são desconhecidos. “É falso pois a maioria das reações geralmente são leves e temporárias, por exemplo, um braço dolorido ou febre; e as complicações graves são extremamente raras. O benefício de vacinar-se supera amplamente o risco de apresentar um efeito adverso”, aponta a médica.

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