Cirurgia de Bolsonaro para retirada da bolsa de colostomia é finalizada com êxito após 7h

Procedimento demorou cerca de 7h e presidente está consciente e estável, afirmou o porta-voz da Presidência

Imagem de um vídeo divulgado pelo presidente antes da cirurgia.
Imagem de um vídeo divulgado pelo presidente antes da cirurgia.Twitter

A cirurgia do presidente Jair Bolsonaro para retirada da bolsa de colostomia foi finalizada com êxito, segundo informou a assessoria do Palácio do Planalto. O procedimento demorou cerca de sete horas,mais do que o dobro do que estava previsto inicialmente, mas o presidente está "consciente e estável", na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde se recupera. Segundo o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rego Barros, a cirurgia, realizada no hospital Albert Einstein, em São Paulo, ocorreu entre as 8h30 e as 15h30 e sem intercorrências ou a necessidade de transfusão de sangue. A demora além do previsto ocorreu por conta de aderências no intestino (tecido fibroso que precisa ser retirado para evitar obstruções).

A estimativa é que o presidente fique em observação por cerca de 48 horas, período em que será substituído pelo vice-presidente Hamilton Mourão na Presidência. A partir do terceiro dia, Bolsonaro deve voltar a despachar como presidente do próprio hospital. Ele deve continuar na UTI até o final da internação, que deve durar dez dias. Ele divide o local, no quinto andar do hospital Albert Einstein, com outros pacientes, mas uma sala ao lado foi equipada com computador e internet para que ele possa despachar a partir de quarta-feira. Existe ainda a possibilidade de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) serem utilizados por ministros em viagens a São Paulo para despachar com o presidente no hospital.

Carlos Bolsonaro, filho do presidente, acompanhou a equipe médica no centro cirúrgico. A esposa Michelle Bolsonaro e os filhos Eduardo e Renan estavam no hospital no momento da cirurgia, mas não falaram com a imprensa. Também integrava a comitiva do presidente o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rego Barros.

Esta é a terceira cirurgia realizada em Bolsonaro desde que ele sofreu um atentado à faca durante um evento de campanha em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro do ano passado. A lesão comprometeu o intestino, e desde então Bolsonaro usava uma bolsa de colostomia para evitar a passagem de fezes pela região comprometida e consequentes infecções no período de cicatrização. Cerca de uma semana após o atentado, o presidente voltou a passar por uma intervenção cirúrgica de emergência por conta de aderências que obstruíam uma das alças do intestino. Agora, quatro meses e meio depois, ele passou por um novo procedimento para retirar a bolsa de colostomia e reconstruir o trânsito intestinal.

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Bolsonaro deu entrada no Albert Einstein por volta das 10h30 do último domingo para realizar exames de sangue e de imagem pré-cirúrgicos. O procedimento desta segunda era menos complexo que os dois anteriores, mas também exigia anestesia geral e uma abertura de cerca de 30 centímetros do abdômen do presidente. Apesar de longo, o procedimento ocorreu com normalidade.

O professor de cirurgia intestinal do Hospital das Clínicas, Carlos Walter Sobrado, explicou ao EL PAÍS que, nos primeiros dias de internação, Bolsonaro iniciará uma dieta líquida. Se tiver boa aceitação e o intestino começar a funcionar sem provocar dores, passa para uma dieta pastosa. Não havendo complicações, o paciente já pode receber alta para concluir o pós-operatório em casa. A preocupação neste período, afirma, é garantir que a sutura está bem feita e que não há chance de vazar fezes nem gases para a cavidade abdominal. “Se tem uma microperfuração, pode vazar fezes. Aí o paciente vai sentir dor, ter distensão abdominal e febre”, acrescenta.

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