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Deputados rebeldes do Brexit somam apoios para tentar derrubar May

O Governo confirma Stephen Barclay como novo ministro responsável das negociações com a UE para a saída de Reino Unido da comunidade

May sai de Downing Street nesta sexta-feira.
May sai de Downing Street nesta sexta-feira. AFP

Um grupo de deputados conservadores está somando apoios para tentar retirar do cargo a primeira-ministra britânica, Theresa May, por causa do rascunho de acordo sobre o Brexit negociado com a UE e divulgado nesta quarta-feira. O pacto alcançado em Bruxelas desagradou os parlamentares eurocéticos (que não acreditam na União Europeia). Ele planeja manter todo o Reino Unido dentro da União Alfandegária durante o período de transição de dois anos definido para depois da data de entrada em vigor do Brexit, no próximo 29 de março. Se for necessário, esse período poderá ser prorrogado em vários meses até que Londres e Bruxelas cheguem a um acordo quanto à futura relação comercial entre UE e Reino Unido.

Ao menos, uma vintena de deputados deles solicitaram um voto de não confiança contra a dirigente, mas o número pode ser maior, já que não é necessário que se faça pública a decisão. Para desafiar sua liderança são necessários 48 pedidos e, para destituí-la, um total de 158 dos 315 deputados conservadores precisam votar contra ela. Só Graham Brady, o presidente do chamado Comitê 1922, o grupo parlamentar conservador que agrupa os deputados que não ocupam cargos ministeriais, conhece o número exato de pedidos, já que é ele quem os recebe. Embora a imprensa britânica, que cita fontes próximas ao partido, assegure que pode ter haver petições suficientes para desafiar May, se especula a possibilidade de que a votação aconteça na próxima terça-feira.

Se a moção triunfasse, May seria obrigada a se demitir diante do Partido Conservador e, em consequência, do Governo. Seria, além disso, proibida de se candidatar no consequente processo de eleição de um novo líder. Se fracassasse, a primeira-ministra não poderia ser submetida a outra votação nos próximos 12 meses.

O anúncio acontece um dia depois da demissão de quatro membros do Governo. May compareceu depois, ainda na própria quinta, em uma coletiva de imprensa para defender o pacto com a UE pelo "interesse nacional” britânico. Nesse mesmo comparecimento assegurou que sua intenção é seguir como primeira-ministra. Nesta sexta-feira, em um programa de rádio, um ouvinte pediu que ela se demitisse, mas a dirigente ignorou essa parte da pergunta do cidadão.

Uma das poucas notícias positivas para ela foi o anúncio de Michael Gove, um dos ministros mais significativos de seu Gabinete, de que a apoiará. O golpe mais duro veio de Dominic Raab, o ministro para o Brexit, que nesta quinta-feira renunciou ao cargo. Raab é considerado a criança mimada dos eurocéticos  e um dos candidatos a substituir a primeira-ministra. Nesta sexta-feira, Stephen Barclay foi confirmado como substituto de Raab no Executivo. Barclay, de 46 anos, era até agora secretário de Estado de Saúde e Cuidados Sociais.

“Os termos propostos ontem [quarta-feira] pela primeira-ministra contêm erros muito relevantes”, explicava Raab à BBC. “Se este acordo entrar em vigor provocará um devastador efeito na confiança da população na democracia”. Pouco depois, renunciava a subordinada de Raab, Suella Braverman, e a ministra de Trabalho e Pensões, Ester McVey, que assinalava em sua renúncia que o acordo “não fazia honra ao resultado do referendo”. Nesta sexta-feira confirmou-se que Amber Rudd, antiga titular de Interior, regressa ao Executivo para ocupar esta pasta.

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