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Advogado opositor à política antidrogas de Rodrigo Duterte é assassinado nas Filipinas

Benjamin Ramos era ativista dos Direitos Humanos e defendia vítimas de ações violentas do Estado

O presidente filipino Rodrigo Duterte durante discurso no dia 23 de julho
O presidente filipino Rodrigo Duterte durante discurso no dia 23 de julho AP

Um dos membros fundadores de um grupo de advogados filipinos que lidera a oposição à guerra do presidente Rodrigo Duterte contra as drogas foi morto nesta terça-feira, 6. Segundo o jornal The New York Times, Benjamin Ramos, de 56 anos, era secretário-geral do Sindicato Nacional dos Advogados do Povo (NUPL), que se especializou prestar serviço gratuito para clientes pobres cujas famílias foram alvos da polícia, soldados e esquadrões da morte associados à violenta política de Duterte.

Ramos, que cuidava do caso do massacre de nove camponeses na província de Negros Occidental, cometido no mês passado, foi morto em Kabankalan, região central do país, de acordo com a imprensa local. Dois atiradores em uma motocicleta dispararam contra o peito de Ramos quando ele estava andando por uma praça.

O advogado também se tornou conselheiro legal do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Açúcar, depois do massacre dos camponeses no dia  21 de outubro. As vítimas, incluindo dois menores, estavam acampadas em parte de uma fazenda na cidade de Sagay para exigir reforma agrária.

Ramos trabalhava na defesa dos Direitos Humanos e assumia causas de ambientalistas, defensores da terra, presos políticos e organizações de negros. "Estamos surpresos, devastados e enfurecidos com o assassinato a sangue-frio de nosso parceiro", disse o NUPL em um comunicado publicado em sua página no Facebook hoje. A organização lembrou que agora são 34 advogados assassinados no mandato do presidente Rodrigo Duterte e que muitos estão recebendo ameaças constantes por seu trabalho em favor dos grupos mais desfavorecidos.

As Filipinas são, depois do Brasil, o segundo país mais letal do mundo para ser um ativista ambiental ou sindicalista agrícola, um trabalho que matou 48 pessoas em 2017 e 24 no primeiro semestre de 2018, segundo a Global Witness.

O NUPL também citou o caso da missionária australiana Patricia Fox, expulsa do país no último sábado, 3, por seu suposto envolvimento em atividades políticas. Ela teve seu visto suspenso pelas autoridades após 27 anos nas Filipinas.

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