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PIB cresce 0,2% no segundo trimestre, apesar do impacto da greve dos caminhoneiros

Este foi o sexto resultado positivo após oito variações negativas consecutivas nessa comparação. A expectativa é que o PIB tenha alta de até 1,5% em 2018, metade do previsto por analistas no final do ano passado

Greve dos caminhoneiros em maio deste ano.
Greve dos caminhoneiros em maio deste ano. AFP

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2018 em comparação aos primeiros três meses do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, registrou alta de 1%, apontando a timidez na recuperação da atividade econômica, diante de um desemprego alto e da reticência das empresas em investirem em um ano eleitoral. O indicador, divulgado nesta manhã (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mede a soma das riquezas produzidas no país em abril, maio e junho. Este foi o sexto resultado positivo após oito variações negativas consecutivas nessa comparação.

O crescimento ficou acima das expectativas dos economistas, principalmente depois da greve dos caminhoneiros, que paralisou o país em maio, em uma disputa pelo preço dos combustíveis. A greve afetou o abastecimento de mercadorias no país inteiro, encarecendo bens e serviços naquele período, inibindo o consumo temporariamente. "A greve dos caminhoneiros teve reflexo grande no preço dos produtos, por isso muita gente esperava um impacto pior no PIB, mas foi menos grave do que se supunha", afirma João Luiz Mascolo, professor de economia do Insper.

Os números do IBGE demonstram, contudo, que a greve cobrou seu preço. Os investimentos das empresas em máquinas e equipamentos (formação bruta de capital fixo) caíram 1,8% no período em comparação com o primeiro trimestre, e o consumo das famílias ficou praticamente igual, com crescimento de meros 0,1% no período. A taxa de investimento ficou em 16% do PIB no segundo trimestre – ainda assim, um pouco acima do observado no mesmo período do ano anterior (15,3%). O setor de serviços teve alta de 0,3%, enquanto houve estabilidade na agropecuária (0,0%) e queda de 0,6% na indústria.

Na comparação com abril, maio e junho de 2017, o consumo das famílias subiu 1,7%, mostrando que a recuperação continua em curso depois de dois anos recessivos. Segundo o IBGE, a recuperação do crédito para pessoa física, e a inflação e juros em queda ajudaram a melhorar o cenário. Mesmo assim, o resultado não empolga. "Os gastos das famílias ainda estão baixos por conta do número de desempregados", afirma Mascolo. A taxa de desemprego caiu no segundo trimestre para 12,3%, mas ainda atinge 12,9 milhões de brasileiros e o país tem uma massa recorde de desalentados.

A qualidade desse emprego preocupa. A taxa de subutilização (que agrega os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial) dos brasileiros ficou em 24,5% no trimestre, ou seja, falta emprego para 27,6 milhões de pessoas. Além disso, o número de pessoas desalentadas, aquelas que não procuram trabalhado, chegou a 4,8 milhões de pessoas no trimestre, uma alta de 17,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Se analisados os resultados no longo prazo, tudo indica que o crescimento do PIB no país deve ficar entre 1% e 1,5% em 2018, segundo analistas. O Banco Central já havia reduzido em junho a projeção de crescimento do PIB do Brasil de 2,6% para 1,6% em 2018, alegando que seria difícil dimensionar “de forma precisa” o impacto da greve enquanto mais indicadores não fossem divulgados. Os mais otimistas apostavam em uma alta de 3% neste ano. “A expectativa de chegar a um crescimento de 2% ou 3% está descartada", garante Mascolo.

Para o economista do Insper, o resultado do PIB "continua sendo uma decepção". "A taxa de investimento, que realmente pode fazer diferença no crescimento do país, ainda é muito baixa", afirma.  "Essa é uma variável difícil: enquanto o investimento do Governo depende de vontade política, o investimento privado depende de convencermos os empresários de que vale a pena", explica Mascolo. Trata-se de uma tarefa árdua em ano eleitoral, quando empresários preferem esperar para conhecer o novo presidente antes de tirar projetos da gaveta. "A taxa de investimento deveria chegar a 24% do PIB para que tenhamos um crescimento consistente", afirma Mascolo.

O economista acredita que neste ano é difícil prever o futuro da economia. "Tudo vai depender do programa fiscal do novo Governo, que terá de lidar com os gastos, tributos, burocracia, investimentos em infraestrutura", afirma.

Indústria perde competitividade

A indústria teve queda geral de 0,6% em relação ao primeiro trimestre. Mas alguns serviços bastante conhecidos dos consumidores foram exceção. Atividades de Eletricidade e Gás, Água, Esgoto, Atividades de Gestão de Resíduos tiveram alta de 0,7%. Além de afetar o bolso dos brasileiros, o aumento nos preços desses serviços reduzem a competitividade das empresas.

Dentre as atividades econômicas que contribuíram para a alta de 0,2% no segundo trimestre, o setor de serviços teve o maior peso, com crescimento de 0,3%, puxado pelas atividades de informação e comunicação (1,2%), serviços imobiliários (1,2%) e financeiros (0,7%) Já a agricultura ficou estável com o fim dos reflexos da super safra, que puxou os bons resultados do setor em 2017.

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