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A ultradireita toma as ruas de uma cidade alemã

Pelo segundo dia, centenas de neonazistas se manifestam em Chemnitz contra a morte de um jovem

Chemnitz
Manifestante na concentração organizada pelo PEGIDA nesta segunda-feira em Chemnitz (Alemanha) AFP

Centenas de ultradireitistas saíram às ruas nesta segunda-feira, 28, em Chemnitz, no Estado da Saxônia (oeste da Alemanha), depois dos distúrbios da véspera, quando 800 xenóbofos se puseram a “caçar imigrantes” para vingar a morte de um cidadão alemão de origem cubana que havia sido esfaqueado naquela madrugada.

A marcha neonazista partiu da praça Karl Marx, ponto emblemático da cidade, onde havia sido convocada outra concentração contra a xenofobia, que reuniu cerca de 1.000 participantes. As autoridades haviam mobilizado um forte contingente policial para evitar confrontos entre as duas manifestações contrárias, informa a agência EFE. O ambiente era muito tenso, entre gritos hostis de ambos os lados e alguns rojões e garrafas atirados.

A caçada de imigrantes do domingo ocorreu depois que uma estranha discussão protagonizada por 10 homens, todos aparentemente estrangeiros, terminou com a morte do alemão de 35 anos. O que se seguiu, conforme relatou a porta-voz policial Sonja Penzel, foi uma convocação através das redes sociais entre os hooligans e neonazistas da cidade para que se concentrassem num ponto determinado, a fim de “mostrar aos estrangeiros quem manda aqui”.

Entre os ultradireitistas concentrados havia um grupo de 50 neonazistas identificados pelas forças policiais como “violentos”, afirmou Penzel, acrescentando que estes “comandaram” os demais, enquanto ignoravam as ordens de dispersar emitidas pelas forças policiais presentes no centro de Chemnitz.

Concentração organizada pelo PEGIDA nesta segunda-feira em Chemnitz (Alemanha)
Concentração organizada pelo PEGIDA nesta segunda-feira em Chemnitz (Alemanha) AFP

Ainda não se sabe exatamente o que aconteceu na madrugada do domingo, mas o Governo alemão se apressou em lamentar o assassinato e repudiou a “perseguição contra quem tem aspecto ou origem diferente”.

“O que ocorreu ontem [domingo] em Chemnitz, que pode ser parcialmente visto em alguns vídeos, não tem cabimento em nosso Estado de direito. Não há lugar na Alemanha para a justiça com as próprias mãos, nem para grupos que queiram propagar o ódio nas ruas, nem para a intolerância e o extremismo”, disse na segunda-feira o porta-voz do Executivo federal, Steffen Seibert. “O Estado de direito protege a todos, e que ninguém pense que pode se erigir em juiz. Trata-se de uma intolerável incitação xenófoba”, sentenciou.

Segundo a imprensa alemã, participaram da caçada xenófoba do domingo militantes neonazistas violentos, membros da Kaotic, uma torcida organizada do clube local Chemnitzer FC, e ultradireitistas da NS Boys (New Society Boys), identificados pelo serviço secreto interno como responsáveis por recentes confrontos com imigrantes.

As manifestações de ódio aos imigrantes em Chemnitz causaram alarme entre as autoridades e despertaram a fúria dos habitantes da cidade quando se soube que o Ministério Público havia ordenado a detenção de duas pessoas, um sírio de 22 anos e um iraquiano de 23.

Saxônia, feudo da ultradireita

O grave incidente do domingo reavivou os fantasmas da xenofobia no Estado da Saxônia, onde o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) foi o mais votado nas últimas eleições nacionais. Nessa mesma região nasceu o partido Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente (PEGIDA), um movimento xenófobo que, em seu primeiro aniversário, em 2015, conseguiu reunir 20.000 pessoas em Dresden para pedir “deportações maciças imediatas”.

“A situação criada reflete uma nova dimensão da disposição para a violência, ampliada pela difusão de mentiras”, disse nesta segunda-feira o ministro do Interior saxão, Roland Wöller, referindo-se aos incidentes do domingo.

A polícia da Saxônia tampouco está isenta de suspeitas. Há uma semana, vários agentes retiveram durante 45 minutos uma equipe da TV ZDF e a impediu de filmar uma manifestação do PEGIDA contra a presença da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel na cidade. A atuação da polícia causou uma onda de indignação entre os meios de comunicação e a classe política pela suposta conivência dos agentes com o movimento xenófobo.

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