Operação Lava Jato

Lava Jato mira secretário da gestão Temer e suposto “homem-bomba” do PSDB

Paulo Vieira de Souza é alvo de segunda denúncia. Acusação, baseada em delação da Odebrecht, aponta esquema em obras em São Paulo

O ex-diretor do Dersa Vieira de Souza.
O ex-diretor do Dersa Vieira de Souza.Sergio Lima (Folhapress)

Mais informações

Além de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, que já havia sido denunciado em março e é considerado um possível “homem-bomba” do PSDB, outros três agentes públicos foram alvo da peça do MPF. São eles o secretário de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Dario Rais Lopes, que à época era presidente da Dersa e secretário estadual de Transportes, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Mario Rodrigues Júnior, que era diretor de engenharia na Dersa no período de 2003 a 2007, e Marcelo Cardinale Branco, que ocupou a presidência da Emurb e foi secretário municipal de Infraestrutura e Obras entre 2006 e 2010.

Apesar de não ser atingido diretamente, a nova denúncia alimenta um noticiário negativo ligado a Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República. O ex-governador, também citado nas delações da Odebrecht, não está mais ao alcance da Lava Jato em São Paulo porque, em abril, o Superior Tribunal de Justiça decidiu enviar o inquérito que corria contra Alckmin para a Justiça Eleitoral. Ainda assim, o tucano tem sido questionado sobre os esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato que atingiram as principais obras do Estado.

As investigações tiveram como base delações feitas por executivos da Odebrecht no acordo de leniência firmado pela empreiteira com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, e depoimentos feitos por funcionários da construtora Queiroz Galvão. Esta é a segunda denúncia em menos de dez dias envolvendo pessoas próximas ao candidato tucano à presidência. Em 29 de julho o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o ex-presidente da Dersa Laurence Casagrande Lourenço por ter participado de um esquema de cartel também no Rodoanel. 

O cartel de empreiteiras envolveu as gigantes do ramo Andrade Gutierrez – que recebia material sigiloso do Dersa para ter vantagens nas licitações -, Camargo Correa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão. As primeiras reuniões entre este grupo, apelidado de “cinco líderes”, ocorria no próprio canteiro de obras do parque do Povo, na zona sul de São Paulo. Posteriormente as construtoras CR Almeida, Constram, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Serveng, Contern, Cowan, Delta, Egesa e Encalso se juntaram à empreitada criminosa.

Além de terem fraudado licitações do Rodoanel, as construtoras também agiram nos contratos de obras das avenidas Roberto Marinho, Chucri Zaidan, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Marginal Tietê e Jacu Pêssego e do córrego Ponte Baixa. Segundo a denúncia, as empreiteiras agiam com tanta “tranquilidade” que chegaram a montar um escritório “coletivo” na sede da Serveng onde representantes das empresas analisavam as obras do Rodoanel - uma espécie de coworking do cartel

Como eventualmente havia desacordo entre as empresas envolvidas, a Odebrecht chegou a elaborar duas planilhas de controle. Uma delas, denominada “amor”, para os casos em que havia acordo entre todas (e o preço da obra era o maior possível para os cofres públicos), e outra chamada “briga”, que envolvia iniciativas nas quais as empreiteiras não estavam totalmente de acordo com relação aos preços das licitações. Em caso de acordo total entre as empresas, por exemplo, o lote 1 do Rodoanel custaria 496 milhões de reais. Caso não houvesse algum grau de competição nos preços, a obra ficaria em 448 milhões.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos denunciados. Os advogados de Paulo Preto afirmaram, quando ele foi denunciado pela primeira vez, que o nome dele havia sido citado como vingança pelo comportamento duro dele com irregularidades.