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À espera de sinal de Neymar, Real Madrid adia grandes contratações

Lopetegui pede três reforços, mas o clube se mostra relutante em assinar transferências caras antes das negociações com Neymar, que devem ser retomadas a partir de setembro

Lopetegui dá instruções durante um treino em Miami.
Lopetegui dá instruções durante um treino em Miami. AS

A saída de Cristiano Ronaldo, digerida com aparente naturalidade pela diretoria do Real Madrid, colocou o clube em clima de tensão diante da necessidade de reforçar uma equipe que apresentou sinais de desgaste na último Liga. Se a mensagem para o exterior é de otimismo após a conquista da Décima Terceira, fontes consultadas nos escritórios de Chamartin apontam para um debate profundo. Esses observadores advertem que o presidente Florentino Perez queria Mbappé e Neymar, mas que as negativas do francês em 2017 e do brasileiro em 2018 forçaram uma mudança de planos em uma instituição que se preparou para desembolsar mais de 350 milhões de euros para conseguir os melhores jogadores. Na dúvida, os estrategistas o Real Madrid agora optam por sondar o mercado, esperar e, se for o caso, economizar em um cenário insólito. Só Hazard, entre os atacantes contactados mais brilharam na última temporada, se manifestou claramente decidido a assinar com o Real. Mas o Real respondeu com evasiva formalidade.

“Eles nos disseram que não querem problemas com o Chelsea”, diz um funcionário de Hazard para descrever o tipo de explicação dada pelos diretores do Real para postergar qualquer tentativa de contratação.

Encerrada definitivamente a opção de contratar Neymar, o Real Madrid percorreu o mercado à procura de um goleador. Um goleador é o que pede parte da torcida pensando em preencher o vazio deixado por Cristiano – 44 gols em 44 jogos, marcou todas as partidas do ano passado em uma de suas campanhas menos destacadas – e um goleador é o que pediu Julen Lopetegui. Fontes do Real confirmam que o treinador basco, longe de estar satisfeito com a equipe lhe ofereceram, disse ao clube que precisava de reforços. Pelo menos três jogadores: um centro, um meia e um atacante.

A lista de Lopetegui não foi atendida, por enquanto. Talvez o Real decida não comprar, mas fontes do clube destacam uma intensa atividade de busca. Na maioria das vezes, sem resultados. Consultados no último mês Kane e Salah através de intermediários, as respostas dos goleadores da Premier foram mornas ou, no caso de Mo Salah, conclusivas. O egípcio respondeu renovando o contrato com o Liverpool. O inglês respondeu com certa indiferença. Fontes do Tottenham indicam que o Real fez uma abordagem “protocolar”, mas o clube londrino respondeu que Kane não está à venda. Só no caso de o jogador pressionar para sair é que seria possível definir um preço, que não ficaria abaixo de 300 milhões de euros.

Onde Kane e Salah se mostraram esquivos, Eden Hazard não hesitou. O belga, de 27 anos, há dois anos manifesta a seus colegas de time no Chelsea o mesmo desejo que vem repetindo aos seus representantes: ser transferido para o Real. Ele quer se vestir de branco. O jogador, uma das figuras de maior destaque na Copa da Rússia enviou sinais unívocos de que a sua maior ambição profissional é deixar o Chelsea para assinar um contrato com o clube madrilenho, com cuja diretoria mantém contatos desde 2016.

O Chelsea não vai baixar o preço de Hazard para menos de 160 milhões de euros, como revela uma das empresas de serviços jurídicos e consultoria que tratam dos assuntos do clube. A situação vai piorar se a compra for acertada depois de 9 de agosto, data do encerramento do mercado na Inglaterra. Então, o valor vai subir mais 20%, dizem as mesmas fontes, já que, nessa altura, o Chelsea não terá como repor a sua estrela. Os escritórios do Bernabéu não parecem preocupadas com essa notícia. Ali comentam que Hazard – um dia fervorosamente solicitado por Zidane – já não faz parte das prioridades da política desportiva. Aparentemente, dizem, o presidente não está tão entusiasmado com o belga. Além disso, há dirigentes que sugeriram que seria mais conveniente recuperar James.

James, 40 milhões a mais

Cedido ao Bayern até 2019 com uma opção de compra de 42 milhões de euros a favor do clube alemão, James tornou-se um objetivo do Real há um mês. A possibilidade de repetir o colombiano foi estudada pelo clube. Havia quem examinasse uma alternativa: oferecer ao Bayern 40 milhões de euros como compensação, em troca de recuperar James. Perguntado sobre isso, o jogador ficou encantado. O Real contava com seu apoio, se lhe pedissem para pressionar o Bayern pela saída. Finalmente, essa operação foi descartada. Ficou insustentável por causa da ideia de pagar 40 milhões a mais por um jogador que o Real Madrid já contratou em 2014 por 85 milhões de euros. Teria sido difícil de vender à opinião pública. Para encerrar o caso, James declarou neste fim de semana que permanecerá em Munique: “Sei que há muitos rumores, mas estou muito feliz aqui, quero ganhar a Liga dos Campeões com o Bayern a todo custo.”

Diante da incerteza, os líderes do Real optam por esperar. Acreditam que, se guardarem o dinheiro, o futuro lhes trará oportunidades de adquirir jogadores realmente interessantes. Avisam que Florentino Pérez continua sonhando em comprar Neymar, embora o presidente esteja cada vez mais sozinho diante do progressivo desencanto de seus assessores com a atitude do brasileiro.

Como lembram fontes do entorno de Neymar, existem cláusulas nos contratos privados firmados com o PSG que permitiriam, a partir de setembro, maior flexibilidade ao buscar uma rescisão. Se isso se concretizar, Neymar, na melhor das hipóteses, poderia se mudar depois do Natal.

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