_
_
_
_
_

Comércio da América Latina não acompanha o ritmo do crescimento mundial

Exportações da região se expandem pelo segundo ano consecutivo, mas em velocidade menor por causa da estagnação do preço das matérias-primas, com exceção do petróleo e alguns minerais

Contêineres de carga no porto de Lázaro Cárdenas (Veracruz, México).
Contêineres de carga no porto de Lázaro Cárdenas (Veracruz, México).CUARTOSCURO
Mais informações
Força do dólar coloca em xeque as principais moedas da América Latina
Argentina faz manobra desesperada com juros a 40% para conter dólar e Brasil teme contágio
“Se Bolsonaro crescer, a Bolsa despenca e o dólar vai a 4 reais”, diz ex-ministro da Fazenda

As exportações da América Latina e Caribe continuam crescendo. Depois de quatro anos no vermelho, já são dois de aumentos. Mas o ritmo decaiu. Se no primeiro trimestre de 2017 a alta foi de 11,9%, em igual período deste ano ficou em 10,6%, segundo um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado nesta quinta-feira.

Por trás desse exíguo ponto e meio porcentual há “sinais de desaceleração bastante claros”, nas palavras de Paolo Giordano, principal economista do Setor de Integração e Comércio do BID e coordenador do estudo. “A América Latina não está aproveitando o vigoroso crescimento do comércio mundial, que alcançou 16%”, afirma.

A redução da expansão se deve, em parte, à queda ou diminuição de preços de matérias-primas como o açúcar, o café, a soja e o ferro. A boa notícia seria que em volume o crescimento das exportações praticamente se mantém igual (em 4%) e a forte elevação do petróleo nos últimos meses – fonte de energia da qual o subcontinente é exportador líquido e na qual se apoiam as exportações de muitos países desta parte do planeta– pode contribuir para aumentar o valor dessas vendas. “Mas não convém basear o crescimento em um só produto. A região tem de promover a diversificação e uma integração regional mais profunda para se proteger da volatilidade dos mercados de produtos básicos”, pondera Giordano.

Além disso, o potencial exportador se concentra nas quatro maiores economias da região: Argentina, Colômbia e, especialmente, México e Brasil. Nos demais foi muito leve ou até mesmo diminuiu. Por regiões, a América do Sul passou de uma alta de 15% em 2017 a um incremento de 10,4% nos três primeiros meses de 2018: na Mesoamérica, as exportações subiram quase 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, com um crescimento das remessas mexicanas e uma desaceleração das centro-americanas.

Quanto às fontes da demanda, o crescimento foi maior no primeiro trimestre deste ano na União Europeia e nas vendas a países vizinhos, mas os Estados Unidos e a China continuam sendo os dois principais clientes da América Latina. A investida protecionista da Administração Trump, na forma de tarifas sobre o alumínio e o aço, está começando a ser notada nas remessas de ferro aos EUA.

O recente fortalecimento do dólar em relação às grandes moedas locais – o peso mexicano, o argentino e o colombiano e o real brasileiro –, que poderia ser uma vantagem competitiva futura para os países latino-americanos, está tendo, por ora, um impacto muito moderado. Em boa medida porque as matérias-primas, nas quais a região é intensiva, são cotadas e comercializadas na divisa norte-americana. O país que mais deveria ganhar com as vendas externas é o México: o mais dependente das vendas à primeira potência mundial e, sobretudo, a nação latino-americana em que as manufaturas mais pesam na balança exportadora.

Um dado ambivalente apresentado pelo estudo do BID é o das importações, que subiram na região 14% na comparação do acumulado anual no primeiro trimestre de 2018 em relação a menos de 10% no ano anterior. “Por um lado, é positivo porque mostra um bom comportamento das economias da América Latina [que faz crescer a demanda e, consequentemente, as compras no exterior]. Mas, por outro, também é perigoso, já que em um cenário de aumento das taxas de juros em todo o mundo poderia conduzir a problemas de financiamento”, observa o coordenador do relatório.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_