Comércio Exterior

Temer assegura que os EUA vão suspender tarifa sobre o aço brasileiro

O Governo Trump não confirmou oficialmente a questão, que deixa dúvidas em Brasília

Presidente Michel Temer em discurso no Planalto.
Presidente Michel Temer em discurso no Planalto. UESLEI MARCELINO (REUTERS)

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O presidente Michel Temer afirmou, nesta quarta-feira, que o Governo de Donald Trump irá suspender a cobrança de sobretaxa sobre o aço e o alumínio brasileiros enquanto os dois países negociam sobre o tema. A notícia foi anunciada pelo presidente brasileiro após o responsável pelo Comércio Exterior dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, dizer que o país está em um processo de conversas com Brasil, União Europeia, Argentina e Austrália para conceder isenções às tarifas sobre as importações de aço e alumínio. A medida protecionista entrará em vigor nesta sexta-feira. Foi a primeira vez que os brasileiros foram citados na lista de possíveis exceções.

“Estou vendo agora uma declaração feita pela Casa Branca que o Brasil é um dos países com quem começarão as negociações visando a eventual exceção às tarifas sobre importação de aço e alumínio. As novas tarifas, diz a mensagem da Casa Branca, não se aplicarão enquanto estivermos conversando sobre o tema. Uma boa notícia”, disse Temer, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também reafirmou que o Brasil já iniciou as discussões para ser isentado das tarifas de importação dos EUA e que “enquanto houver a negociação, não serão implementadas aquelas restrições que foram originalmente estabelecidas”, segundo a agência Reuters.

Apesar das falas do presidente e do ministro, ainda não está claro se houve um comunicado oficial da Casa Branca. Segundo a Folha de S.Paulo, o governo americano não enviou nenhuma comunicação oficial à embaixada do Brasil em Washington. As únicas declarações oficiais sobre o tema foram feitas por Lighthizer durante uma audiência na Câmara de Representantes. O responsável pelo Comércio Exterior dos EUA não disse, no entanto, que a tarifa estava suspensa para o Brasil.

"Estamos em processo de conversas agora com Austrália, Argentina e UE, mas um grande número de países perguntou sobre isso. Outro país com o qual conversaremos em breve sobre isso é o Brasil", afirmou. "Nossa esperança é resolver isso até abril", completou de acordo com a Efe.

Depois, Lighthizer disse que alguns países, sem especificá-los, estarão “em um a posição em que as tarifas não serão aplicadas sobre eles enquanto estiverem em curso as negociações”.

Nesta semana, Temer se reuniu com representantes da indústria brasileira produtora de aço e foi munido de argumentos para convencer Trump a excluir o Brasil da nova tarifa, já que a medida protecionista americana prejudica  diretamente o setor siderúrgico brasileiro. Dias antes, o presidente brasileiro já havia anunciado que recorreria à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra Trump se não houvesse solução amigável na guerra do aço.

Um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos EUA. Em 2017, o aço vendido aos norte-americanos somou 4,8 milhões de toneladas e gerou uma receita de 2,63 bilhões de dólares (8,58 bilhões de reais), o que faz do Brasil o segundo maior fornecedor do produto para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá.

No início de março, Trump assinou a imposição de um tributo de importação de 25 % sobre o aço e de 10% sobre o alumínio vindos de outros países. A justificativa do presidente norte-americano é que a ação irá proteger a indústria siderúrgica dos Estados Unidos, que convive com uma concorrência "injusta". Apenas México e Canadá foram isentados da medida por serem parceiros dos Estados Unidos no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que está sendo renegociado.