Cristiano Ronaldo, entre o ego e os gols

O português não se cansa de dizer que é único e incomparável, enquanto seus números mostram que é único e, quem sabe, incomparável

Cristiano comemora um de seus quatro gols contra o Girona.
Cristiano comemora um de seus quatro gols contra o Girona.Rodrigo Jiménez (EFE)

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Antes de mais nada, uma notícia. O cavalheiro que se encarrega de manipular os sorteios da Champions League está despedido. A UEFA tomou esta decisão tão severa ao ver que o combinado não foi cumprido, isto é, conseguir que o Real Madrid seja sorteado com o rival mais fraco, o que acontece desde sempre. Não ocorreu assim nas oitavas de final, quando o Real enfrentou o PSG, nem nas quartas, onde o atual campeão jogará contra a Juventus, atual vice. E um erro com a temperatura das bolinhas uma vez é aceitável, porque ninguém está livre de cometer, mas dois já são relaxamento, por não dizer negligência, e bem mais quando no pote havia possíveis rivais mais acessíveis. A Roma? Isso você pode dizer, apreciado leitor.

Mas vamos ao assunto que nos interessa. Há poucos dias, na apresentação de novas chuteiras, o protagonista do evento declarou: “Quando comecei a jogar no Manchester United, comprovei que não tinha muita gente com meu talento, minha dedicação, meu esforço, minha ética... Ninguém poderá ser comparado comigo. Ninguém mais será Cristiano Ronaldo”, disse o rapaz que calçou as novas chuteiras e foi à grama do Bernabéu para marcar quatro gols. Assim se escreve a história de Cristiano Ronaldo, um jogador que não se cansa de dizer que é único e incomparável, uma arrogância insuportável da qual se aproveitam seus críticos, enquanto seus números sustentam que é único e, quem sabe, incomparável. E aqui poderíamos entrar em um debate quase filosófico sobre que é mais importante, o que se diz ou o que se faz. “Sou o melhor da história”, afirma Cristiano; 443 gols em 429 partidas com o Real Madrid, afirmam seus números. Como ficamos? Porque tudo é exuberante em Cristiano. Sua condição de falastrão e sua condição de prodígio.

Decorria tranquila aquela partida em Madri contra o Deportivo La Coruña, no qual a equipe de Zidane ganhava por 5 a 1, quando Cristiano foi cabecear uma bola e, com tanta má sorte que estava, foi golpeado na cara por um rival. Seu olho ficou inchado e o fez caminhar ao vestiário, depois de pegar um celular para ver a ferida. Foram feitas piadas de todos os tipos com a cena, brincadeiras em capas de jornais com o espelhinho, espelho da madrasta de Branca de Neve, isto sem contar os comentários sobre o tom feminino da cena. Pouco se disse, no entanto, sobre o fato de que Cristiano, com um 5 a 1 a favor de sua equipe, foi na bola com tanta dedicação que se machucou por marcar um gol. O menino parece competitivo.

Cristiano tem 18 gols nas últimas 11 rodadas da Liga, que lhe colocam com um total de 22, a três de Messi. De modo que o finalizado campeonato a favor do Barcelona, por méritos próprios e deméritos de Real e Atlético, fica por decidir, entre outras, a sempre interessante questão de quem será o artilheiro do torneio, o que importará ao torcedor apenas o custo de um sorriso. Ou alguém lembra quem foi goleador há dois anos? Mas o que nos move agora é adivinhar o futuro do modelo do Real Madrid, pois, dependendo do dia da semana é um o outro que estará fora e, portanto, adivinhar o futuro de Cristiano, que cobra pouco, dizem, e queira mais. Porque são poucos 21 milhões de euros limpos ao ano. E são poucos, ao que parece, por uma questão de justiça monetária. O problema está no que recebe Neymar, que o supera por muito com seus 40 milhões lá no condecorado PSG (neste assunto excluímos Messi porque o tema só trata de jogadores desde planeta). Cristiano quer mais, com bons argumentos entre seu ego e seus gols. E em ambos assuntos, não há outro como ele.

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