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Por que ‘Chaves’ é uma série imortal no Brasil

Grupo Globo compra direitos do programa e evidencia a força do personagem de Bolaños no país

O ator Roberto Gómez Bolaños como 'Chaves', exibido há mais de 30 anos pelo SBT no Brasil.
O ator Roberto Gómez Bolaños como 'Chaves', exibido há mais de 30 anos pelo SBT no Brasil.AP
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Chaves, uma série que persiste há décadas na televisão aberta e que reuniu uma legião de fãs. Um programa que muitos dos próprios dirigentes da rede de televisão que o exibe consideravam “mal feito” e “brega”, mas que segue nas telinhas porque existe um grupo de fiéis espectadores que não o abandonam.

A série é mexicana, El Chavo del Ocho, mas o público que não o troca por nada é brasileiro. O personagem criado por Roberto Gómez Bolaños deu nesta terça-feira, 30 de janeiro, mais uma prova da sua popularidade e força entre os espectadores do país, que o conhecem simplesmente por Chaves: o canal de televisão por assinatura Multishow, que pertence ao todo-poderoso Grupo Globo, comprou da mexicana Televisa os direitos de transmissão de El Chavo del Ocho no Brasil.

O anúncio mobilizou os fãs brasileiros, virou matéria de jornal e alcançou os assuntos mais comentados no Twitter. Quem conhece um pouco da história recente da televisão no Brasil não se surpreendeu com a repercussão: a série é exibida no país sul-americano desde 1984 pelo SBT. Chegou a ser emitido todos os dias e foi uma dos poucos programas do SBT que em algumas ocasiões competiu com a audiência da Globo.

As transmissões de Chaves no Brasil começaram quando o SBT comprou um pacote de novelas mexicanas no qual estavam incluídos alguns episódios da criação de Bolaños. De acordo com Paulo Pacheco, jornalista especializado em televisão do UOL, apesar dos cenários de papelão e de uma produção que era considerada de baixa qualidade, um dirigente do SBT argumentou naquela ocasião que uma boa dublagem poderia tornar a série atrativa para o público brasileiro. Silvio Santos apoiou a ideia e desde então Chaves passou a ser parte da programação diária nas casas brasileiras.

“Chaves não sai do ar há mais de 30 anos e foi assistido por três gerações. Segue dando uma audiência satisfatória, as pessoas seguem rindo das mesmas piadas”, afirma Pacheco.

Mas por que nasceu um fenômeno assim num país a milhares de quilômetros do México e que sequer fala espanhol? De acordo com Pacheco e com Antonio Purcino, administrador de um fórum online com mais de 31.000 fãs da versão brasileira de El Chavo del Ocho, o sucesso tem relação, entre outras razões, com um trabalho realizado durante os anos 80 para aproximar os personagens da realidade do Brasil. “Fizeram uma adaptação incrível da série para o português, estabeleceram situações e frases que se incorporaram ao nosso cotidiano”, diz Purcino.

Pacheco explica que o primeiro boom de Chaves no Brasil ocorreu nos anos 90, quando o programa passava na televisão todos os dias no início da tarde e se tornou o programa favorito de uma geração de crianças que naquele horário voltavam da escola. A série seguiu reinventando-se e ganhou um novo impulso com o surgimento de comunidades de fãs na internet nos anos 2000. Hoje em dia não tem a mesma audiência dos tempos em que viveu seu auge, mas o público fiel mantém o programa vivo na televisão brasileira.

Uma das muitas provas da popularidade de Chaves ficou evidente em 2005 quando, segundo Pacheco, a Globo fez uma primeira tentativa de adquirir os direitos da série para o Brasil. O preço que o SBT tinha que pagar para não perder Chaves era de 1,5 milhão de dólares (4,7 milhões de reais). Silvio Santos pagou.

Não foram revelados detalhes do atual acordo entre a Globo e a Televisa. Sabe-se, no entanto, que o SBT seguirá emitindo Chaves na televisão aberta, mas o Multishow comprou episódios que nunca foram exibidos no Brasil e que serão dublados pela primeira vez.

“A possibilidade de que tenhamos pela primeira vez todos os episódios do Chaves e do Chapolin Colorado dublados em português é a realização de um sonho que nós tínhamos há muito tempo”, comenta Purcino. As atividades que o fórum do qual ele faz parte realiza ajudam a compreender a resiliência da série mexicana no Brasil. São encontros de fãs e eventos em homenagem aos personagens e atores. “Neste ano vamos organizar o nosso segundo bloco de carnaval com a temática do Chaves”, celebra.

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