Venezuela

Chavismo convoca eleições presidenciais e coloca oposição contra a parede

Assembleia Constituinte, controlada por Maduro, aprova convocação de eleições para antes de maio

Nicolás Maduro na quarta-feira, em Caracas.
Nicolás Maduro na quarta-feira, em Caracas. (EFE)

A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, composta unicamente por governistas, aprovou nesta terça-feira um decreto que estabelece que as eleições presidenciais previstas para este ano serão realizadas antes de 30 de abril. “Aprovado por aclamação”, disse a presidenta do órgão, Delcy Rodríguez, depois da votação na qual, por unanimidade, a resolução recebeu sinal verde. Agora, o Tribunal Supremo Eleitoral deve fixar a data das eleições. O presidente Nicolás Maduro prometeu que haverá eleições em 2018. “Como manda a nossa Constituição”, afirmou ele, que será novamente o candidato do chavismo.

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A convocação de novas eleições presidenciais é uma das constantes reivindicações da oposição para resolver a crise política e social na qual a Venezuela está mergulhada. No entanto, os opositores estão hoje divididos por causa dos diferentes critérios que surgiram nos últimos meses sobre o caminho a seguir para enfrentar o Governo.

“A Constituinte decidiu convocar para o primeiro quadrimestre de 2018 o processo de eleições presidenciais”, disse o deputado Diosdado Cabello, o número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela, ao ler o decreto da Assembleia Nacional Constituinte, órgão plenipotenciário não reconhecido pela oposição e por vários Governos por ter sido formado sem um referendo prévio de aprovação, como determina a Constituição do país.

Cabello especificou na terça-feira que a definição da data das eleições é uma incumbência do poder eleitoral. A realização do pleito estava prevista para o próximo mês de dezembro, mas o chavismo recorreu ao órgão legislativo, com o qual tem afinidade, para adiantar de surpresa a data.

Um dos primeiros líderes da oposição a reagir foi exatamente o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, que pediu “unidade mais do que nunca” para “recuperar a democracia” “Hoje, amanhã, depois de amanhã, a única grande verdade é que esse Governo e sua cúpula são odiados pela imensa maioria dos venezuelanos”, postou no Twitter.

As últimas eleições presidenciais aconteceram em 2013, quando Maduro teve uma vitória de Pirro sobre Capriles. A oposição alcançou seu êxito mais importante em dezembro de 2015, quando assumiu o controle da Assembleia Nacional, órgão legislativo que o chavismo invalidou com a criação da Assembleia Constituinte.

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