Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Neymar será julgado por fraude na Espanha; ex-presidente do Barcelona continua preso

Justiça inocenta o ex-jogador do Barcelona do crime de corrupção entre particulares

Neymar
Neymar e Bartomeu no dia da renovação do contrato do jogador até 2021. EFE

O chamado Caso Neymar está prestes a ser concluído na Audiência Nacional (instância superior da justiça espanhola). A polêmica contratação do atleta brasileiro será julgada em Barcelona, mas apenas por fraude. A Audiência Nacional, no caso o juiz José Maria Vázquez Honrubia, do Primeiro Tribunal Central Penal, onde o julgamento seria realizado, encaminhará o caso para Barcelona, para que aconteça lá, segundo informações obtidas pelo EL PAÍS de fontes da área judicial.

Depois da instrução efetuada pelo juiz José de la Mata, o magistrado Vázquez Honrubia tinha sobre a mesa, para julgar, dois possíveis crimes contra Neymar: um de corrupção entre particulares e outro de fraude. O juiz entendeu, porém, que o crime de corrupção entre particulares foi cometido no Brasil e entre cidadãos desse país, fugindo, assim, da competência da justiça espanhola e da Audiência Nacional. Esse item só seria passível de investigação e julgamento no Brasil, segundo fontes da área judicial.

O crime de fraude teria sido cometido, sim, na Espanha, mas não está sendo avaliado pela Audiência Nacional, razão pela qual o juiz avalia a possibilidade de transferir o processo para a justiça de Barcelona.

Toda a questão diz respeito à obscura contratação de Neymar pelo Barcelona. As investigações realizadas envolvem o próprio atacante; o presidente do clube, Josep Maria Bartomeu; os pais do jogador e o ex-presidente Sandro Rosell. Como pessoas jurídicas, estão envolvidas também o Santos, time original de Neymar, e o próprio Barcelona, como contratante.

Em maio passado, quando abriu o processo contra o jogador brasileiro e os demais envolvidos, Da Mata impôs uma fiança conjunta e solidária de 3,4 milhões de euros (13 milhões de reais) e enviou o processo para o juiz Vásquez Honrubia. De acordo com a investigação, essa era a quantia a mais que o Barcelona teria de ter pago à agência DIS, que possuía uma parcela dos direitos federativos de Neymar. Foi a DIS que entrou com ação contra todos os processados, por considerar que teria sido fraudada (supostamente, ela teria sido enganada no que se refere à quantia em pauta). O pedido é de cinco anos de prisão para o ex-jogador do Barcelona e oito para Bartomeu.

Sandro Rosell continua preso

O ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell continuará na prisão de Soto del Real, onde está há quase sete meses, desde 25 de maio passado. A juíza Carmen Lamela negou mais uma vez a liberdade provisória que o ex-presidente vem pedindo desde que foi detido pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Foi o quinto recurso apresentado pelos advogados de Rosell para tentar tirá-lo da prisão. O anterior foi feito pouco antes do Natal e a poucos dias de se completarem seis meses de prisão. Em todas essas ocasiões, a Audiência Nacional julgou que continua a haver risco de fuga, de destruição de provas e de cometimento de novos crimes, justamente as razões pelas quais Rosell foi detido provisoriamente por decisão de Lamela. Rosell é acusado de se apropriar de 6,5 milhões de euros (25 milhões de reais) da venda de direitos de imagem de 24 partidas amistosas da seleção brasileira de futebol. Posteriormente, ele teria “lavado” esse dinheiro em Andorra.

MAIS INFORMAÇÕES