Bitcoin estreia com alta no mercado futuro de Chicago

Divisa eletrônica registra um aumento superior a 15% na Bolsa onde os investidores podem apostar na alta e na queda da criptomoeda

Portal eletrônico do Chicago Board Options Exchange,
Portal eletrônico do Chicago Board Options Exchange,Kiichiro Sato (AP)

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Os grandes investidores já podem apostar na alta e na baixa do bitcoin. Os primeiros contratos de mercado futuro ligados à criptomoeda começaram a ser negociados na noite de domingo para segunda-feira, em meio a uma grande expectativa, no Chicago Board of Trade (a Bolsa de mercados futuros de Chicago), um pouco antes da abertura dos mercados na Ásia. Três horas após a estreia, a moeda virtual subia 9% e valia 16.900 dólares (55.515 reais). Algumas horas depois, a alta superava os 15%.

No mercado futuro, os participantes negociam em bolsa de valores o compromissos de compra e venda de um ativo para o futuro. A principal diferença em relação ao chamado mercado a termo, em que os pagamentos são realizado no final do contrato, no mercado futuro, o valor negociado muda diariamente, dependendo da variação do preços.

O site da entidade gestora do mercado de derivativos registrou tráfego maior do que o normal no começo da negociação, de modo que a operação ficou um pouco lenta. Mas os sistemas funcionaram. Em certa medida, trata-se de uma espécie de legitimação da moeda virtual por uma Bolsa regulamentada. Na prática, permite aos investidores especularem com o preço, como fazem com o petróleo e o milho.

Para a cotação, o mercado de Chicago utiliza a plataforma Gemini, dos gêmeos Winklevoss. O preço dos contratos (para saber se um investidor ganhou ou perdeu dinheiro na hora do vencimento, segundo o preço futuro contratado) será baseado em um índice que usa como referência as casas de câmbio Bitstamp, GDAX (da Coinbase), itBit e kraken.

“O preço de abertura do bitcoin (cotado sob o código XBT) no mercado futuro foi de 15.000 dólares”, indicou a plataforma de negociação de Chicago, observando que depois das duas primeiras horas haviam sido selados 890 contratos. O contrato futuro do bitcoin para entrega no mês de janeiro alcançava, logo depois de sete horas de pregão, o valor de 18.760 dólares (61.714 reais), ao passo que os contratos para o mês de fevereiro eram cotados a 19.090 dólares (62.800 reais).

O grande temor era que a demanda provocasse um colapso dos sistemas. O volume negociado, no entanto, foi baixo num primeiro momento, como se, antes de embarcarem, os corretores estivessem esperando para ver como a primeira jornada avançava. Acelerou pouco a pouco. A diferença nos preços negociados, além disso, é muito grande, e isso afasta muitos gestores.

Sem contrapartida em produtos físicos

Este é realmente um passo rumo ao desconhecido. Diferentemente da energia, dos cereais, dos minerais ou das ações de uma companhia de capital aberto, o bitcoin não está associado a um produto físico nem ao rendimento de uma empresa. Tampouco é uma moeda que tenha o respaldo de um banco central ou de uma economia. É um ativo que existe numa rede formada por servidores eletrônicos.

A criptomoeda, aliás, muda de mãos num mercado sem qualquer tipo de regulamentação. Seu valor no Coinbase rondava os 14.890 dólares antes que fosse permitido aos grandes investidores apostarem na alta ou na baixa em curto prazo. O que se espera é que, ao ganhar mais transparência, este processo de abertura permita racionalizar o ativo e reduzir sua volatilidade.

Neste ano, o bitcoin já se valorizou mais de 1.100%, dado o crescente interesse que desperta. O recorde está em 19.000 dólares (62.500 reais). A plataforma de negociação de futuros havia anunciado anteriormente que durante o mês de dezembro não cobrará comissões pelas transações de contratos de futuros do bitcoin. Em uma semana, o Chicago Mercantil Exchange (Bolsa de mercadorias de Chicago) adotará um mecanismo similar. Como acontece com o resto dos derivativos, estes contratos permitem que os investidores especulem sem necessidade de terem bitcoins em suas carteiras.

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