O que é o blockchain, o método que revoluciona as empresas

Bancos, empresas de telecomunicações, seguradoras e outros setores exploram as possibilidades de uma tecnologia que nasceu associada à bitcoin

Yaiza Rubio e Félix Brezo, da unidade de segurança cibernética da Telefónica
Yaiza Rubio e Félix Brezo, da unidade de segurança cibernética da TelefónicaJaime Villanueva

Como um escritório de advocacia poderia estabelecer um sistema automático para resolver conflitos nas transações online? E o que uma prefeitura deveria fazer para garantir que os cidadãos possam participar de consultas públicas e verificar em tempo real que seu voto foi computado corretamente? E uma grande empresa de telecomunicações para denunciar notícias falsas na Internet? Neste fim de semana, 28 pessoas distribuídas em sete grupos tentaram resolver estes e outros desafios no edifício da Telefónica, em Madri. E todas essas perguntas têm uma única resposta: o blockchain, tecnologia também conhecida como encadeamento de blocos.

“O blockchain é fundamental para o futuro dos bancos e outros setores”, segundo o BBVA

O blockchain é a ferramenta que nasceu em 2008 ligada à bitcoin, mas é muito mais do que isso. Independentemente do potencial dessa moeda digital – que acaba de superar a cotação de 9.000 dólares (cerca de 28.850 reais), levando lenha à fogueira do debate sobre uma possível bolha das criptodivisas –, cada vez mais as grandes empresas se interessam pelo encadeamento de blocos, um sistema que pode evitar processos e custos para setores tão diferentes como seguradoras, telecomunicações ou administrações públicas.

“O blockchain é fundamental não só para o futuro dos bancos, mas também para muitas outras indústrias. Para nós, significa uma maneira de ganhar eficiência e uma oportunidade de gerar novos produtos para nossos clientes, aproveitando a ruptura que essas tecnologias implicam”, explica Carlos Kuchkovsky, responsável de Tecnologia em Novos Negócios Digitais do BBVA.

Mais informações

Não é só o BBVA. Os gigantes da Espanha, como Santander, CaixaBank, Repsol, Gas Natural Fenosa, Iberdrola e Telefónica apresentaram no mês passado o Alastria, o primeiro consórcio multissetoial baseado em blockchain, do qual participam cerca de 70 empresas. Essa plataforma também está aberta para pequenas empresas, universidades e outras entidades.

Mas o que é realmente o blockchain, a tecnologia de que muito se ouve falar, mas da qual muito pouco se sabe? O sistema desenvolvido por Satoshi Nakamoto possibilitou a distribuição de informações digitais através de um livro de registro descentralizado que armazena todas as operações realizadas e que não pode ser modificado por nenhum participante, o que garante que ninguém poderá manipulá-lo. O que começou sendo uma tecnologia que serviu de suporte para a bitcoin acabou se tornando algo muito maior. “Nossas propostas passam pela convergência com outras tecnologias que estão crescendo exponencialmente, o que permite um processamento muito mais barato e maior conectividade, como a inteligência artificial e a Internet das coisas. Há muita desconfiança em relação ao blockchain, mas permite intercambiar ativos de maneira muito mais segura e confiável do que até agora”, explica Kuchkovsky, do BBVA.

70 empresas acabam de criar o primeiro consórcio multissetorial para esse sistema

“Estamos diante de uma tecnologia muito poderosa que serve como registro contábil. Isso permite, por exemplo, usá-la em casos relacionados à cadeia de suprimentos. Se na entrega de um dispositivo for identificada uma peça defeituosa, podemos voltar na cadeia para detectar onde o erro aconteceu. E nenhum usuário pode alterar um único byte de informação de processos já realizados, porque tudo fica registrado de forma inalterável. Essa é a magia do blockchain”, dizem quase em uníssono Yaiza Rubio e Félix Brezo, jovens trabalhadores da ElevenPaths, unidade de segurança cibernética da Telefónica. “Tudo o que fazemos aqui também poderia ser feito sem o blockchain. Isto é apenas a desculpa para criar processos de forma mais eficiente”, explica José Luis Núñez, engenheiro do Grupo.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete