Iêmen

Rebeldes afirmam ter assassinado ex-presidente do Iêmen

Ali Abdalá Saleh, deposto na ‘primavera árabe’, rompeu aliança com os Huthi no sábado passado

O ex-presidente Saleh durante evento de seu partido no dia 24 de agosto em Saná.
O ex-presidente Saleh durante evento de seu partido no dia 24 de agosto em Saná.

Os rebeldes Huthi do Iêmen anunciaram nesta segunda-feira a morte do ex-presidente do país Ali Abdalá Saleh, sem dar detalhes sobre as suas circunstâncias. Pouco antes, um vídeo divulgado nas redes sociais exibia aquilo que parecia ser um cadáver com uma grande ferida na cabeça. Tudo parece indicar que o homem que comandou os destinos do país durante 33 anos morreu em um ataque da milícia Huthi, cuja insurreição ele próprio havia apoiado até o último sábado.

“O Ministério do Interior anuncia o fim da crise das milícias e a morte de seu líder e de vários de seus seguidores criminosos”, informou a Al Masirah, rede de televisão oficial dos rebeldes. O apresentador se referia às forças de Saleh, que no sábado rompeu a aliança que mantinha com os Huthi há três anos e se voltou para a coalizão liderada pela Arábia Saudita que procura recolocar no poder o presidente Abdrabbo Masur Hadi.

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Nesse dia, os partidários de Saleh conseguiram ocupar os principais edifícios oficias de Saná, a capital iemenita. O líder rebelde, Abdul Malik al Huthi, se ofereceu para aceitar uma mediação nas negociações entre as diferentes partes, mas, quando isso fracassou, ele lançou uma ofensiva na madrugada do domingo, ocupando os bairros onde residiam o ex-presidente e seus familiares.

“A morte de Saleh significa o início de um novo ciclo de violência”, alerta Mustapha Noman, analista e ex-vice-ministro de Relações Exteriores iemenita. Em conversa com o EL PAÍS, Noman afirmou que “para muitos iemenitas, [Saleh] encarnava uma pequena esperança de pôr fim ao domínio das milícias pró-iranianas no país”, fazendo referência aos Huthis. “Desgraçadamente, sua ausência neste período crítico trata consigo mais miséria para os iemenitas sob a autoridade de um grupo que levanta bandeiras religiosas para manter sua hegemonia”, conclui.

Pouco antes do anúncio pela televisão, um vídeo divulgado nas redes sociais mostrava vários milicianos transportando em uma manta o cadáver que seria de Saleh. Os traços da vítima, em cuja cabeça se pode ver uma ferida grande, se assemelham bastante aos do ex-governante iemenita.

Aparentemente, os Huthi teriam invadido sua residência em Saná. No ataque, teria morrido também o chefe da segurança de Saleh, Hussein al Hamidi, segundo informou a rede Al Jazeera, do Catar. Segundo a TV saudita Al Arabiya, fontes do partido de Saleh confirmaram sua morte em enfrentamentos com os Huthi, mas seu partido, o Congresso Geral Popular, não soltou até o momento nenhuma nota oficial.

Saleh, de 75 anos, assumiu o poder em 1978, naquilo que era então o Iêmen do Norte, mas se manteve à frente do país depois da unificação com o sul em 1990. Quatro anos depois, venceu a guerra civil iniciada pelos independentistas do sul, mas em 2011 os protestos populares inspirados na primavera árabe e a pressão internacional o obrigaram a deixar o poder. Ele nunca aceitou esse afastamento. Em 2014, viu uma oportunidade de recuperar o controle apoiando a insurreição dos rebeldes Huthi, os quais havia combatido, como presidente, em seis guerras.

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