Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Polícia do Rio mata turista espanhola na Rocinha

Mulher estava em carro com quatro pessoas. Motorista ignorou blitz da PM e seguiu até ser alvejado

turista espanhola morre na Rocinha
O irmão e a cunhada da turista espanhola María Esperanza Jiménez Ruiz, morta pela PM na Rocinha, chegam ao hospital Miguel Couto. EFE

A cidadã espanhola María Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, morreu na manhã desta segunda-feira ao ser atingida por um disparo da Polícia Militar (PM), quando visitava a Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Horas depois, a Corregedoria da PM determinou a prisão em flagrante de dois policiais diretamente envolvidos nos disparos – um oficial e um soldado. Os dois serão encaminhados para a prisão da corporação, em Niterói.

A versão oficial do acontecido é que o veículo em que a turista viajava não atendeu a ordem de parar dos policiais, que faziam um bloqueio na região, em uma das praças da favela. “Por volta das 10h30, um veículo Fiat Fremont rompeu o bloqueio policial no Largo do Boiadeiro. Houve reação da guarnição, atingindo o veículo”, diz nota da Secretaria de Segurança Pública. Contudo, a Corregedoria diz que os procedimentos estabelecidos no "Manual de Abordagem" determinam que, em casos como o que ocorreu nesta segunda-feira, os policiais não devem efetuar disparos, mas sim perseguir o veículo que não parar no bloqueio.

Esperanza Jiménez foi atingida no pescoço por um tiro e chegou a ser levada com urgência ao hospital Miguel Couto, no bairro do Leblon, mas morreu pouco depois. Segundo fontes policiais, María Esperanza Jiménez viajava em um grupo de cinco pessoas, entre eles seu irmão, José Luiz Jiménez, a esposa deste, Rosa Margarita Martínez, uma guia turística brasileira, Rosangela Reñones, e o motorista italiano, Carlo Zanineta.

Policiais militares patrulham a Rocinha nesta segunda-feira, mesmo dia em que uma turista espanhola foi morta a tiros por policiais.
Policiais militares patrulham a Rocinha nesta segunda-feira, mesmo dia em que uma turista espanhola foi morta a tiros por policiais. AP

Antes de desencadear a batalha entre traficantes, era comum que agências de turismo organizassem passeios pelas vielas da Rocinha, um programa de alto risco desde 17 de setembro, quando tiroteios passaram a ser comuns entre grupos rivais de criminosos que disputam o território e a polícia. Nesta mesma manhã, uma hora antes do incidente com o carro de Esperanza, um tiroteio violento na comunidade deixou dois policiais e um suspeito feridos. 

O irmão da vítima, juntamente com sua esposa, que estavam no mesmo veículo, prestaram depoimento na Delegacia Especial de Apoio ao Turismo, no Leblon. Os parentes da vítima não quiseram dar declarações à imprensa. O motorista declarou aos agentes que não viu a blitz da polícia e que apenas se deu conta da movimentação quando a turista, que estava no banco de trás do veículo, foi atingida após um disparo. Os outros três passageiros do carro também disseram não ter visto a batida policial.

A Policía Civil do Rio, além do homicídio, quer esclarecer se a agência de turismo, que vendeu o passeio, avisou aos turistas que a Rocinha é, especialmente nestes dias, um lugar perigoso para visitação. Os espanhóis afirmaram na delegacia que em momento nenhum foram alertados sobre os riscos do passeio. O motivo do procedimento em casos de furo de bloqueio policial não ter sido seguido, é outro ponto que precisa ser melhor esclarecido.

A favela de Rocinha é palco há um mês de confrontos armados entre duas facções de narcotraficantes e a polícia. Desde o último dia 17 de setembro, episódios violentos se sucedem Rocinha, comunidade com população estimada em 200.000 pessoas e próxima aos locais mais turísticos de Rio. A batalha entre as duas facções tinha aterrorizados os moradores e as autoridades chegaram a mobilizar o Exército, que ocupou a favela durante uma semana. Embora a situação parecesse mais calma desde então, seguiram-se incidentes violentos e tiroteios.

MAIS INFORMAÇÕES